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Imitando

16/09/2014

A Argentina planeja erguer uma nova torre à beira-rio em Buenos Aires, e abriu concorrência para escolher o melhor projeto. Esta semana, a presidente Cristina Kirchner postou no Facebook o design vencedor: ele tem as cores branca e azul celeste da bandeira argentina, e parece um quarter pipe.

Os arquitetos foram criativos para responder à tarefa de construir uma estrutura para diversos propósitos ao mesmo tempo. A torre de 335 m terá muitos estúdios para abrigar a indústria de entretenimento da Argentina, e também será um condomínio e incluirá um hotel no topo.

Só pra nos imitar.

Nós não somos dinamarqueses

16/09/2014

Em 1962, Copenhague, a capital dinamarquesa, foi tomada por uma polêmica.

Estava nos jornais:

“Nós não somos italianos”, dizia uma manchete.

“Usar espaços públicos é contrário à mentalidade escandinava”, explicava outra.

O motivo da polêmica:

Stroget, Foto: cphblonde.com/

Stroget, Foto: cphblonde.com/

Um jovem arquiteto chamado Jan Gehl, que tinha conseguido um emprego na prefeitura meses antes, estava colocando suas manguinhas de fora. Gehl, que tinha 26 anos e era recém casado com uma psicóloga, vivia ouvindo dela a seguinte pergunta: “por que vocês arquitetos não se preocupam com as pessoas?”. Gehl resolveu preocupar-se. E teve uma ideia.

Havia em Copenhague uma rua central, no meio da cidade, cheia de casas imponentes e de comércios importantes. Era uma rua que tinha sido o centro da vida na cidade desde que Copenhague surgiu, no século 11 – a rua viva, onde as pessoas se encontravam, onde conversavam, onde os negócios começavam, os casais se conheciam, as crianças brincavam, a vida pública acontecia. Nos anos 1950, os carros chegaram e aos poucos essa rua foi virando um lugar barulhento, fumacento e perigoso. As pessoas já não iam mais lá. Trechos inteiros tinham sido convertidos em lúgrubes estacionamentos.

Pois bem. Aquele jovem arquiteto tinha um plano: fechar a rua para carros.

Copenhague não aceitou facilmente a novidade. Os comerciantes se revoltaram, alegaram que os clientes não conseguiriam chegar. São dessa época as manchetes de jornal citadas no começo do texto. O que os jornais diziam fazia algum sentido: Copenhague não é no Mediterrâneo. Lá faz frio de congelar – o mês de dezembro inteiro oferece um total de 42 horas de luz solar. Ninguém quer andar de bicicleta, ninguém quer caminhar. Deixe meu carro em paz.

Mas o jovem arquiteto ganhou a disputa. Nascia o Strøget, o calçadão de pedestres no meio da cidade que hoje é a maior atração turística de Copenhague. As pessoas adoraram a rua para pedestres desde que ela foi fundada. Na verdade, o comércio da região acabou lucrando muitíssimo mais, porque a área ganhou vida e gente passou a caminhar por lá a todo momento. É até lotado demais hoje em dia.

O arquiteto Gehl caiu nas graças da cidade e continuou colaborando com a prefeitura. Suas ideias foram se aprimorando. Ele descobriu que o ideal não é segregar pedestres de ciclistas de motoristas: é melhor misturá-los. Alguns de seus projetos mais interessantes são ruas mistas, nas quais os motoristas sentem-se vigiados e dirigem com um cuidado monstro. Outra sacada: que essa história de construir ruas para diminuir o trânsito é balela. Quanto mais rua se constrói, mais trânsito aparece. Quanto mais ciclovia, mais gente abandona o carro.

Em grande medida graças às ideias de Gehl, Copenhague é a grande cidade europeia com menos congestionamentos. 36% dos deslocamentos são feitos de bicicleta, mesmo com o clima horrível de lá, e a população tem baixos índices de obesidade e doença cardíaca.

“Copenhaguizar” virou um verbo: significa tornar uma cidade mais agradável à maneira de Copenhague. Jan Gehl abriu um escritório de arquitetura cuja filosofia é “primeiro vem a vida, depois vêm os espaços, depois vêm os prédios”. Ele passou a ser contratado por várias cidades australianas interessadas em “copenhaguização”. Seus projetos revolucionaram Sidney, Perth e Melbourne, tornando seus centros mais divertidos, cheios de cafés, arte e vida, reduzindo carros, atraindo gente para fora de casa. De uns tempos para cá, Gehl, que hoje tem 74 anos, passou a ser procurado pela “big league” das cidades: Londres e Nova York o contrataram como consultor para transformar seus espaços urbanos. Ambas têm feito muito desde então.

Enquanto isso, aqui na minha cidade, se alguém fala em melhorar o espaço público, logo ouve:

“Nós não somos dinamarqueses. Usar espaços públicos é contrário à mentalidade brasileira.”

50 anos atrasado.

Outra frase que se ouve muito aqui:

“Brasileiro adora carro.”

Adora nada, meu filho, presta atenção. Isso é propaganda de posto de gasolina!

Por Denis Russo Burgierman

Revista Veja.

Obs.: Esta reportagem é de 2010, mas ainda plenamente atual.

Em um ano, reforma do Salgado Filho atingiu 2,34%, revela Infraero

16/09/2014

Entrega das obras de ampliação do terminal de passageiros fica para 2016

Situação no final de agosto. Foto: Gilberto Simon

Situação no final de agosto. Foto: Gilberto Simon

A Infraero revelou nesta segunda-feira que, em um ano, só foram realizados 2,34% da ampliação do terminal de passageiros do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Um Termo Aditivo no contrato permitiu a entrada da Construtora Damiani Ltda. no processo, no papel de interventora. Mesmo que não altere os valores do contrato, que permanecem de R$ 181,1 milhões, o aditivo posterga para novembro de 2016 o prazo de execução da obra, cujo término era previsto, de início, para janeiro do mesmo ano. Esse prazo já havia sido transferido, para maio, e agora se estende em mais seis meses.

Em julho, a Infraero confirmou ter multado a empresa Espaço Aberto, responsável pela obra, em R$ 161,7 mil, ainda em fevereiro, por atraso no cronograma. Esse valor já foi retido do pagamento do consórcio. Na época, o engenheiro José Bonatto justificou que a punição se deveu ao que ocorreu no início da obra, em 2013. A greve dos trabalhadores no canteiro de obras também complicou a situação, na metade do ano.

Correio do Povo

Tarifa de ônibus deve aumentar antes da renovação da frota

15/09/2014

Edital do transporte público de Porto Alegre pode ser publicado até dia 22

Por Fernanda Pugliero 

Foto: Gilberto Simon

Foto: Gilberto Simon

Com o atraso nos planos da prefeitura de finalizar a licitação do transporte público de Porto Alegre, ainda esse ano, a população deverá observar um novo reajuste na tarifa dos ônibus antes de a frota voltar a ser renovada. O segundo edital de licitação deverá ser publicado até o dia 22 deste mês, conforme determinação judicial. A primeira tentativa, em junho, foi declarada deserta, pois não apareceram interessados. A implantação do sistema licitado, se tudo correr bem, ficará para o segundo semestre de 2015.

A frota porto-alegrense é composta por 1.705 veículos. Em 2011 e 2012, a cidade registrou o maior índice de renovação da história. Mas em 2013 apenas 32 veículos foram trocados. Neste ano, a Carris encomendou 76 novos coletivos, enquanto as 12 empresas privadas permissionárias trocaram apenas sete ônibus. O custo da folha de pagamento dos rodoviários influi em 50% na composição tarifária.

O dissídio da categoria deve começar a ser negociado no final deste ano. As eleições do sindicato dos trabalhadores ocorrem nos dias 2 e 3 de novembro. “Eles (sindicato dos rodoviários) enviam a pauta de reivindicações no final de dezembro e no início de janeiro começam as negociações. Em princípio, o calendário está mantido, se não houver problemas nas eleições”, apontou o advogado do sindicato patronal, Alceu Machado. A data-base dos rodoviários é de fevereiro. A partir da assinatura do acordo de dissídio, o sindicato patronal envia à prefeitura o pedido de reajuste da tarifa. Mesmo com a licitação em andamento, a tarifa do atual sistema de transporte coletivo sofrerá aumento. “Se já estivesse licitado, valeria a tarifa prevista no edital de licitação. Mas, pelo cronograma, com certeza, o processo não estará concluído até o próximo dissídio da categoria”, disse Vanderlei Cappellari, presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Neste ano, o reajuste salarial dos rodoviários foi de 7,5%.

A nova licitação será internacional. Na prática, isso significa que aumentará o leque de possíveis concorrentes na concessão do sistema. A prefeitura garante que não haverá alterações nas questões de qualidade previstas no edital anterior como a inserção progressiva de ar-condicionado em toda a frota, a implantação de equipamentos de georreferenciamento e a diminuição do número de passageiros por metro quadrado. “O que está sendo discutido agora é o que foi motivo da cautelar do Tribunal de Contas (TCE) sobre a questão de a multa contratual ser exagerada e de o período de cinco anos para renovação da frota ser pequeno”, afirmou Cappellari.

A EPTC pretendia fechar as discussões com o TCE sobre o edital, nessa sexta-feira, e concluí-lo até o final desta semana, no dia 19. A princípio, o novo edital exige o ingresso de 25% de frota nova do transporte público. “Vamos ter que aumentar esse percentual se o processo se arrastar”, frisa Cappellari. De acordo com ele, os atuais permissionários poderão repassar aos vencedores da licitação os atuais ônibus que circulam pelo sistema, desde que a depreciação desse veículos não ultrapasse dez anos.

Correio do Povo

Em audiência pública, população pede diálogo com poder público sobre inventário do bairro Petrópolis

12/09/2014
Audiência contou com participação da população no Grêmio Náutico União | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Audiência contou com participação da população no Grêmio Náutico União | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Débora Fogliatto

Será mais uma vez revista a lista de imóveis do bairro Petrópolis incluídos no inventário da cidade. A decisão foi tomada pelo vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB), depois de cerca de quatro horas de debate sobre o tema em audiência pública ocorrida na noite de quarta-feira(10), realizada no Salão de Festas do Grêmio Náutico União. Na ocasião, o vice-prefeito ouviu os pronunciamentos do coordenador da Memória Cultural da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc) Luiz Antônio Custódio, da procuradora Andrea Teichmann Vizzotto e da população que se manifestou sobre o assunto. Ele determinou que a lista feita pela equipe do Epahc seja revista mais uma vez e que após isso, os imóveis que não estejam pré-listados sejam desbloqueados.

Com o início do processo de listagem do bairro, todos os imóveis incluídos no processo ficaram impossibilitados de serem vendidos, demolidos ou reformados, a menos que tivessem o aval da Prefeitura. O processo, polêmico desde fevereiro, já foi anulado e reiniciado, buscando atender aos interesses da população enquanto preserva o patrimônio histórico e cultural.

Luiz Custódio explicou critérios de inclusão de imóveis no inventário | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Luiz Custódio explicou critérios de inclusão de imóveis no inventário | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Durante quatro horas, na audiência, ouviu-se opiniões favoráveis e contrárias ao inventário. Dentre as que se opõe ao processo, houve os que reclamaram da “falta de diálogo” da Prefeitura sobre o assunto, acusações de que o Executivo estaria agindo a favor das empresas de construção civil, afirmações de que modificar imóveis seria “direito do proprietário”, argumentos de que outros bairros que foram inventariados estão sucateados e até comparações do processo de listagem ao nazi-fascismo. Já os que defenderam a lista do Epahc manifestaram que já há grandes prédios bloqueando o sol no bairro, reiteraram que é do interesse da população a preservação dos imóveis, criticaram a lei aprovada pela Câmara que determina que inventários passem pelo crivo do Legislativo e argumentaram que a medida valorizará o bairro a ponto de transformá-lo em local turístico

Inicialmente, Custódio explicou os critérios de inclusão de patrimônios no inventário, colocando quais os tipos de arquitetura presentes nas edificações do bairro, entre elas a luso-brasileira, eclética, neocolonial hispânica e californiana, art déco, racionalista — a maioria –, moderna e contemporânea. “Verificou-se que o bairro tem em torno de 3,6 mil edificações e foram bloqueadas por ordem do prefeito. Na medida em que as que se verifica que não estão na lista, são liberadas. Os imóveis de interesse à preservação envolvem apenas 6,5% das edificações do bairro”, esclareceu.

Argumentos contrários ao inventário

Sua fala foi seguida pela do representante da Associação dos Moradores do Bairro Petrópolis Atingidos pelo Inventariamento da Prefeitura (Amai), Fernando Molino, que tem sido a principal oponente à inclusão dos imóveis no patrimônio histórico. Molino acusou a listagem de não ser feita para bem comum, mas sim para “proveitos pessoais” e classificou a inclusão de imóveis no inventário de ser parte de uma “fúria ‘inventariante’ da Prefeitura”. “O sentido de nossa fala decorre de posicionamentos a partir de sete meses de vivência sobre o inventário, que foi imposto pela prefeitura aos moradores, atingindo o direito da propriedade privada”, criticou.

Ele defendeu a lei aprovada na Câmara de Vereadores em maio, proposta pelo vereador Idenir Cecchim (PMDB), promulgada na semana passada. Para Molino, as decisões foram tomadas de forma “unilateral” e a listagem faz com que o bairro perca “vitalidade”. “Defendemos a construção participativa de uma política de preservação do patrimônio histórico de Porto Alegre, defendemos a preservação real. A aventura inventariante desrespeita direito de propriedade e invade privacidade”, disse, sendo aplaudido de pé por parte do público presente.

Fernando Molinos representou os moradores contrários ao inventário | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Fernando Molinos representou os moradores contrários ao inventário | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Nas horas que se seguiram, a maioria das pessoas que pediu a palavra falou contra a proposta. Dentre elas, Daniel Michelin, que afirmou defender alguns construtores e afirmou que nos bairros Humaitá e Navegantes já foi feito inventário e regiões estão “em decadência”. A moradora Freida Gianecchini, que contou ser proprietária de uma casa inventariada, disse que a ferramenta que deve ser utilizada para se referir ao potencial construtivo é o Plano Diretor e questionou por que sua casa foi incluída no inventário enquanto outras com o mesmo estilo não foram. “Pessoas que têm suas casas incluídas não podem fazer o que seus vizinhos já fizeram, vendendo terrenos e tirando toda privacidade e o sol das pessoas que estão sendo inventariadas”, reclamou.

O morador Evandro Kruel defendeu que se tenha compensação financeira para os proprietários e disse aos servidores da Prefeitura que eles são “funcionários da população, que paga seus salários”. Ele acusou o Epahc de trabalhar a serviço das construtoras, alegando que seria do interesse destas que, com a impossibilidade de se construir em determinados bairros, sejam valorizados terrenos em áreas periféricas.

Argumentos favoráveis ao inventário

Durante a audiência, parte dos pronunciamentos foi feita por moradores favoráveis ao inventário, especialmente ligados ao movimento Proteja Petrópolis. O poeta Luiz Coronel foi o primeiro a se manifestar, lembrando que em muitos lugares da Europa há limitação de andares para se preservar cidades e que “o reino dos espigões é o reino das sombras e o sol é patrimônio coletivo. Estamos demolindo desnecessariamente nossos bairros residenciais”.

Audiência durou cerca de quatro horas nesta quarta-feira | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Audiência durou cerca de quatro horas nesta quarta-feira | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Milena Vieira de Oliveira leu o início de um documento que entregou à equipe da Prefeitura, com uma compilação de postagens no blog do Proteja Petrópolis. Ela afirmou que a organização já reuniu uma petição online em favor da preservação do bairro e conta com apoio de proprietários de bens inventariados. “Quero dedicar à Epahc esse material, como homenagem dos esforços a esse grupo de técnicos que mediante a todos os desafios impostos pelos inimigos da preservação”, disse.

Duas pessoas se manifestaram argumentando a inconstitucionalidade da lei aprovada pela Câmara. O ambientalista Edoíno de Mattos lembrou que “na Constituição diz que bens e imóveis são de responsabilidade do Executivo, então o Legislativo está ultrapassando suas funções”. A Prefeitura não entrou com recursos jurídicos referentes à aprovação da lei.

Marco Aurélio Vargas, do Proteja, afirmou que considera o bairro privilegiado por sua “fisionomia característica”. “Acreditamos que com o inventário haverá segurança de investir nas casas. Almejamos que novo inventário venha qualificado e aprimorado frente ao anterior. Poder público e proprietários são responsáveis pelas edificações e devem trabalhar juntos”, colocou.

Componentes da mesa

O vereador Idenir Cecchim (PMDB) esteve presente e defendeu seu projeto, afirmando que o Executivo irá cumpri-la e que não se pode substituir a Câmara “por três ou quatro técnicos”, mas garantiu que especialistas serão ouvidos.

Procuradora disse não concordar com a lei, mas defendeu seu cumprimento| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
A procuradora Andrea rebateu a algumas críticas e protagonizou um bate-boca com um morador que não aceitou suas respostas. “Foi levantado uma suspeita de que seríamos eventualmente financiados por empresas privadas. Eu tenho 20 anos de procuradoria, sou servidora concursada”, informou, mostrando-se ofendida com as acusações de Evandro Kruel. “Pessoalmente não concordo com a lei do inventário. Mas por me submeter ao princípio da legalidade respeito a lei, e vou cumpri-la mesmo que pessoalmente não concorde com ela. Não é uma questão ideológica, é técnica”,afirmou.

Custódio também afirmou ter sido ofendido de forma irresponsável e esclareceu alguns pontos. “O inventário foi inventado pelo Plano Diretor, o Plano Diretor definiu o inventário. A lei de 2008 apenas redigiu aquilo que o plano diretor de 1999 definiu”, relatou. Ele afirmou que o Epahc trabalha em cima da “base legal existente” e que “não inventou” os critérios para inclusão no inventário.

Encaminhamentos

O vice-prefeito explicou que a parte técnica do inventário está finalizada e, agora, os atingidos pelo inventário têm 60 dias para pedir esclarecimentos. Então, a lista será entregue à Câmara, que realizará audiências públicas e fará debate sobre o tema e possivelmente modificará à listagem. Já modificada, a lista irá ao Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Compahc), que aprovará ou não e fará novas modificações e a enviará ao prefeito, que tem a palavra final.

“Com essa audiência, o Custódio e os técnicos farão uma revisão final da lista. E me comprometo a desbloquear o restante do bairro após a elaboração dessa lista provisória”, afirmou. O representante da Amai, Fernando Molino, pediu para que sejam concedidos 30 dias para se realizar um diálogo com a equipe do Epahc e se encontrar uma solução conjunta. Melo concordou, mas lembrou que isso levaria à maior demora no desbloqueio do bairro. “Acho que o Custódio e sua equipe e a Andréa podem abrir uma agenda. Achamos que proteção cultural é importante para a vida da cidade”, reiterou.

SUL 21

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IMPORTANTE: 

TEXTO DA ARQUITETA ANGÉLICA CRUSIUS, REPRESENTANTE DIRETORIA AMAI, Associação de Moradores do Bairro Petrópolis Atingidos pelo Inventariamento da Prefeitura.

Publicado hoje, 12 de setembro de 2014, no Blog da AMAI

Alguns questionamentos levantados na Audiência Pública de 10/09/2014

Arquiteta Angélica Crusius expõe seus questionamentos à prefeitura. Foto: Andréa Prestes

Arquiteta Angélica Crusius expõe seus questionamentos à prefeitura. Foto: Andréa Prestes

Tanto se fala em preservação do patrimônio histórico, a sua importância pra cidade, pra memória de um povo, mas com tantas falas belas e ideológicas, uma dúvida ainda persiste: estamos mesmo falando a mesma língua? Ou melhor, estamos usando os meios adequados para os fins corretos? Queremos mesmo a preservação do nosso patrimônio, ou há por trás uma vontade escondida e não confessada? Quero relembrar o motivo da anulação do inventário anterior: falta de quórum no COMPAHC conforme consta no Diário Oficial de 16 de maio de 2014, e questionar se a finalidade do inventário anterior estava correta. O antigo inventário tinha única e exclusivamente o objetivo da preservação, ou ocultava por trás de seu discurso a contenção imobiliária? Porque o desvio de finalidade, que antes da anulação era sim comentado, atualmente não é mais citado? Pergunto se o novo inventário já não nasceu, uma vez que já está pronto, com o mesmo vício do anterior. Vício, este, que caiu no esquecimento da prefeitura, mas não dos moradores. Haverá novamente a dificuldade em assumir a responsabilidade de usar meios errados para cumprir uma finalidade oculta?

Dando continuidade a essa lógica de pensamento, e sabendo que temos um plano diretor que não é dos melhores, já que quase tudo é aprovado com EVU hoje em dia, porque o avanço imobiliário não está sendo tratado no âmbito do plano diretor? Porque não assumir o que se quer e tratar dos problemas dentro das respectivas esferas de atuação? Acredito que a transparência nas responsabilidades está deixando muito a desejar.

Em diversos momentos foi comentado a respeito da lei 601/2008, que trata sobre os bens imóveis do município, ter problemas. Não foi algo citado em bastidores, mas em reuniões da AMAI com os responsáveis técnicos e autoridades da prefeitura. Pergunto, se esta lei tem problemas, e de fato os tem, porque um novo inventário é feito com base em uma lei com problemas que podem sim ser sanados? Não seria cometer um erro em cima de outro? Porque a lei não é reestudada antes de começar o inventário novo? Medo da pressão imobiliária? Sinceramente, vejo uma falta de coerência no processo em que a população não é ouvida, porque escutar a população depois que algo está pronto, como é o nosso caso, já que a lista de imóveis inventariados está pronta, não é dialogar. Acredito que a movimentação no bairro Petrópolis contra o inventário aconteceu justamente pela fase em que estamos: a população não aguenta mais ver processos errados acontecendo e não sendo reestruturados da maneira correta.

Outro ponto que quero salientar dentro da linha da falta de diálogo, que foi claramente constatada ao longo do processo, é a não participação da população na escolha do que ela considera patrimônio. Se o patrimônio é da cidade, porque a população não tem seu direito de decidir, e a decisão fica sempre na mão de técnicos, que conforme as próprias autoridades já disseram que sim, cometem erros? No dia 18 de outubro de 2013 foi entregue ao prefeito o Plano Municipal de Cultura, que cita nos itens:

“3.3.9 Promover a complementação do inventário do patrimônio cultural material e imaterial, de forma democrática, promovendo a participação na identificação das edificações a proteger.” (PLANO MUNICIPAL DE CULTURA PORTO ALEGRE, 2013, p.92)

“3.3.16 Promover a complementação do inventário do patrimônio cultural material e imaterial, de forma democrática, otimizando e oportunizando a participação social  na identificação das edificações a proteger.” (PLANO MUNICIPAL DE CULTURA PORTO ALEGRE, 2013, p.92).

Eu pergunto: Porque o inventário de Petrópolis está acontecendo antes da vigência deste plano municipal de cultura, plano que inclui a população no processo democrático de escolha? Ou será que o plano será alterado e a parte democrática de escolha será retirada? Porto Alegre se orgulha tanto do Orçamento Participativo como ferramenta de Gestão Democrática, que deveria incluir mais ferramentas inclusivas, e não exclusivas.

Outro ponto a ser levantado: qual instrumento previsto para a checagem do que já foi inventariado? Quando se fala em gestão da qualidade, há uma ferramenta muito simples utilizada na administração chamada PDCA (planejar, fazer, checar e agir). O checar é olhar para trás e ver o que deu certo e o que não deu. A prefeitura já fez uma análise se o modo como ela está fazendo os inventários está correto? Se a lei está realmente alcançando os fins? Isto seria um bom parâmetro para mostrar a necessidade de reestuda-la. Vamos olhar para o bairro Navegantes, com inúmeros imóveis inventariados, zona de insegurança, tráfico de drogas e prostituição. Há um tempo atrás a prefeitura lançou um plano de revitalização do Quarto Distrito. Quer dizer que é preciso primeiro deixar abandonado e depois revitalizar? Claro que há outros fatores que contribuem para a decadência da região, mas com certeza o inventário da região teve importante papel. A pergunta que fica é: a prefeitura pensa em melhoria contínua ou somente em fazer inventários da mesma maneira só pra seguir uma legislação?

Soma-se a questão da insegurança, a alteração de uso que querem fazer nas áreas chamadas de AICs (Áreas de Interesse Cultural) e AACs (Áreas de Ambiência Cultural), pois querem colocar na região o uso predominantemente residencial em troca do misto. Quero lembrar que um dos grandes problemas das cidades modernistas era a segregação de atividades e que deixar áreas com uso predominantemente residencial  piora a situação de segurança, aumenta o número de condomínios fechados por diminuir o fluxo de pedestres durante o dia. Se trata de uma análise bem clara exposta no livro “Morte e Vida de Grandes Cidades”, da tão famosa urbanista Jane Jacobs. Recomendo a leitura para uma análise mais profunda do processo que leva à morte das cidades. Por falar em alteração de áreas especiais, a criação da AIC Petrópolis e da AAC Guararapes, nas quais foram baseadas o novo inventário, já estão vigentes ou novo inventário está baseado em áreas ainda em estudo? Não seria mais uma vez processos errados? Aprovar algo em cima de outro que não está aprovado, e por isso ainda pode ser discutido?

Por fim pergunto: diante do exposto, é a maneira atual prevista na legislação é a correta? É assim que se faz cidade? Ou será que o diálogo, não somente em audiências públicas, mas em um processo democrático e que precisa ser revisado, não precisa ser retomado, ou melhor, priorizado? Chega de fazer processos errados.

Porto Alegre, 10 de setembro de 2014.

Angelica Diemer Crusius
Arquiteta e Urbanista

CAU A73007-6

Porto Alegre espera pelos BRTs  

12/09/2014
Estações BRT Porto Alegre - Maquete: Divulgação / Prefeitura de Porto Alegre

Estações BRT Porto Alegre – Maquete: Divulgação / Prefeitura de Porto Alegre

Os porto-alegrenses começam a fazer contagem regressiva para o início de operação dos seus BRTs, que são um sucesso em Curitiba, responsável pelo primeiro a entrar em operação há mais de 40 anos, na década de 1970.

Atualmente a cidade possui 81 quilômetros, distribuídos em seis corredores exclusivos, que transportam 700 mil passageiros por dia, através do sistema. O BRT curitibano conhecido como Expresso tem eixos integrados. O sistema é complementado por linhas alimentadoras, linhas diretas (ligeirinhos) e troncais que formam a rede integrada de transporte e cobram tarifa única, em Curitiba e 13 municípios vizinhos.

Affonso Ritter

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Ainda tenho dúvida se este projeto dos nossos BRTs sairão um dia…  não se ouve falar nas estações, alguns lugares estão ainda com as obras de troca do pavimento paradas…. Vamos torcer pra que saiam, seria com certeza positivo.

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  • Para conferir todas as imagens do futuro sistema de BRT que será implantado em Porto Alegre, clique aqui.

Lançado edital para revitalização da orla do Guaíba (atualizado)

11/09/2014

Clique no link para acessar os arquivos da licitação.

http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smgae/default.php?p_secao=66

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Primeira fase do projeto contempla o trecho de 1.320 metros entre a Usina do Gasômetro e a Rótula das Cuias, na avenida Edvaldo Pereira Paiva.

Veja o vídeo:

 

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Lançado edital de licitação para revitalização da orla do Guaíba

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As empresas interessadas em executar a primeira etapa do projeto de revitalização da orla do Guaíba terão até o dia 15 de outubro para apresentar as propostas. O prazo foi estabelecido pelo edital de licitação das obras lançado pelo prefeito José Fortunati nesta quinta-feira, 4, em ato público no Salão Nobre do Paço Municipal, que teve a participação do arquiteto e urbanista Jaime Lerner, autor do projeto. A íntegra do edital será publicada nesta sexta-feira, 5, no Diário Oficial de Porto Alegre. (FOTOS)

Com custo orçado em R$ 57,4 milhões, o projeto contempla os 1.320 metros entre a Usina do Gasômetro e a Rótula das Cuias, na avenida Edvaldo Pereira Paiva. É a primeira etapa, pois a intenção nos próximos anos é revitalizar toda a orla, até o extremo da zona Sul. “Essa obra representa a recuperação e o fortalecimento da relação de Porto Alegre com o Guaíba. Poucas cidades no mundo têm projetos como esse. Tenho certeza que, no futuro, os moradores da Capital vão agradecer e reconhecer a prefeitura por essa obra”, afirmou Jaime Lerner.

O edital possui 630 pranchas detalhadas das obras e mais de 5 mil itens no orçamento. O projeto foi analisado por diferentes secretarias municipais e possui todas as licenças necessárias. A intenção é que o nome do vencedor da licitação seja conhecido este ano e que as obras comecem em 2015. “Ainda é um sonho, mas finalmente vencemos a etapa mais difícil, de projeto, licenças e aprovação da obra. Tivemos as equipes de profissionais de diversas secretarias e departamentos trabalhando de forma integrada e extremamente dedicada, o que garantiu o sucesso nessa fase. Logo teremos um espaço nobre revitalizado, seguro e que vai proporcionar aos moradores condições de ocupar a região 24 horas por dia”, afirmou Fortunati.

O prefeito destacou que os investimentos no resgate da relação da cidade com o Guaíba sempre foram uma meta do governo. “Em abril deste ano, inauguramos o Programa Integrado Sócio Ambiental (Pisa), que vai devolver a balneabilidade do Guaíba na maior parte da orla de Porto Alegre. Também temos em execução a revitalização do Cais Mauá. E agora vamos integrar a recuperação da orla a esses outros projetos. Isso tudo coloca a Capital em outro patamar de atratividade turística e de qualidade de vida”, concluiu.

O coordenador do Gabinete de Desenvolvimento e Assuntos Especiais (Gades), Edemar Tutikian, responsável pelo projeto na prefeitura, destaca a qualidade do trabalho desenvolvido pelo município em parceria com o escritório de Jaime Lerner. “É um projeto de um escritório sério, uma referência, que se une ao esforço de praticamente todas as secretarias da prefeitura, para tornar esse sonho realidade. As 630 pranchas passaram por todos os critérios técnicos. Eu já participei de muitos projetos importantes aqui no estado, mas nenhum como esse”, disse Tutikian.

Também prestigiaram o ato de lançamento do edital o vice-prefeito Sebastião Melo, secretários municipais, gestores e equipes técnicas envolvidas no processo. Ao todo, 20 órgãos, secretarias e instituições participaram do projeto. Além dos órgãos municipais, teve acompanhamento dos Bombeiros, do Parque Marinha do Brasil, da Secretaria de Portos e Hidrovias, Câmara Municipal, Tribunal de Contas do Estado, Conselho Municipal da Criança e do Adolescente e Ministério Público.

Revitalização

A licitação para contratação da empresa responsável ficará sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Obras e Viação, uma vez que quase 70% do projeto de sete quilômetros de extensão refere-se a construções, com o acompanhamento da Procuradoria Geral do Município, secretarias municipais do Meio Ambiente, Urbanismo, Turismo, Esportes, Escritório Geral de Licenciamento e Regularização Fundiária(Edificapoa) e Gabinete de Desenvolvimento e Assuntos Especiais (Gadec). O projeto, que vai da Usina do Gasômetro até o Arroio Cavalhada, está dividido em cinco fases. O edital refere-se à primeira etapa, com previsão de execução da obra em 18 meses. Os outros quatro trechos estão com seus projetos conceituais definidos e em fase de prospecção de recursos.

Parque Urbano da Orla do Guaíba

Terá novo projeto paisagístico, ciclovia e caminhos iluminados com fibra ótica, permitindo um espetáculo noturno. Toda a orla será iluminada com lâmpadas led, possibilitando o uso durante 24 horas. Serão colocados quatro bares com belvederes, que no verão tomam o aspecto de quiosques e, no inverno, podem ser fechados com vidros. Junto à Usina, um novo terminal turístico permitirá o atraque de embarcações, com sala de embarque climatizada e deque de 2 mil metros quadrados, tudo considerando a tradicional festa de Réveillon da cidade. O deque terá bancos voltados para o lago. No trecho após a Usina, serão construídas quadras poliesportivas e, no talude, arquibancadas voltadas para o lago.

Concorrência pública

A íntegra do edital será publicada no Diário Oficial de Porto Alegre desta sexta-feira, 5. A modalidade será concorrência pública, tipo menor preço. O documento estará à disposição dos interessados a partir de 12 de setembro, no site da prefeitura. As empresas interessadas deverão entregar a documentação de habilitação e suas propostas em sessão marcada para 15 de outubro, a partir das 14h30.

Jaime Lerner

Arquiteto e urbanista, fundador do Instituto Jaime Lerner e da Jaime Lerner Arquitetos Associados (JLAA), foi presidente da União Internacional dos Arquitetos – UIA no período 2002/2005. Três vezes prefeito de Curitiba, liderou a revolução urbana que fez da cidade referência nacional e internacional em planejamento urbano, principalmente em transporte, meio ambiente, programas sociais e projetos urbanísticos. Duas vezes governador do Estado do Paraná, conduziu importantes transformações socioeconômicas que resultaram em melhorias na qualidade de vida no campo e nas cidades. Pelo reconhecimento de sua obra recebeu diversos prêmios e títulos internacionais, com destaque para o Prêmio Máximo das Nações Unidas para o Meio Ambiente (1990).

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