Urbanistas de todo o mundo ficam incrédulos com o descaso de Porto Alegre com sua orla

Veja o que disseram alguns dos palestrantes do fórum Porto Alegre, Uma Visão de Futuro, promovido pela Câmara Municipal em meados do ano.

O urbanista espanhol Jordi Borja foi responsável pelas transformações na orla de Barcelona no período que antecedeu as Olimpíadas de 1992.

Jordi destacou que a orla tem um potencial extraordinário a ser explorado:

– Porto Alegre, pelo que vi, não oferece uma imagem muito atrativa. Então, uma grande oportunidade é melhorar o urbanismo da cidade, dos espaços públicos. O porto é uma grande oportunidade. Se fala muito no turismo, mas o mais importante é o atrativo para os próprios moradores. É uma questão de justiça social – disse o espanhol.

O arquiteto americano Charles Duff  afirma que  para que uma cidade seja mais atrativa no futuro, os administradores públicos de Porto Alegre precisam tornar o ambiente urbano em um loca l atrativo para seus moradores. “Caso contrário, os habitantes abandonarão os grandes centros rumo à qualidade de vida em outro lugar”,

Ao elogiar o potencial da orla do lago Guaíba, Duff reiterou a necessidade de se construir no local, estabelecimentos comerciais, ciclovias e parques públicos. “Desta forma, a orla além de virar um atrativo turístico,  gerará crescimento sustentável a Porto Alegre”

Conforme o palestrante, uma orla revitalizada pode ajudar e seria capaz de competir com a área do bairro Moinhos de Vento em termos de restaurantes e cafés. “As áreas das cercanias de uma orla desenvolvida se tornariam gradualmente mais atrativas”, frisou.

 José Paulo Mateus, Arquiteto português e Professor da Universidade Internacional da Catalunha, de Barcelona (Espanha), e fundador da Trienal de Arquitetura de Lisboa, visitou Porto Alegre e ficou impressionado com a cidade.

Ele acredita que a Capital tem beleza “espantosa” e pode atrair visitantes de fora – se souber aproveitar o potencial do Guaíba.

Para ele, o recém-inaugurado edifício da Fundação Iberê Camargo vai gerar uma peregrinação de arquitetos à cidade. Leia a entrevista:

– Qual foi a sua impressão sobre os potenciais de Porto Alegre?

José Mateus – Há cidades onde nós, passado um dia, não conseguimos identificar aspectos fortes que possam ser utilizados para reforçar a identidade e a capacidade de atrair pessoas. Mas aqui achei aspectos muito interessantes e fortes, como a topografia e a arborização. Um dele é a presença do Guaíba, que tem uma beleza, uma configuração e um potencial incríveis.

O Guaíba deveria ser o enfoque de qualquer plano para a cidade. Ele é espantoso.

Não sei se a gente de Porto Alegre consegue ter consciência disso, mas para quem vem de fora é algo notável.

– Esse potencial está sendo mal aproveitado?

Mateus – Há cidades onde chegamos e percebemos que a vida é atraída para um lugar.    Estive em Pisa, na Itália, há pouco tempo, e a vida flui em direção ao rio, que é um rio bastante modesto, mas que atravessa o Centro. À noite, as pessoas todas se aglomeram ali.

Aqui, a sensação que eu tive ao circular de automóvel ao longo da orla ribeirinha era de que não havia uma presença de atividade humana, de funções e de dinamismo que tirasse partido do rio.

Deveria haver uma ligação entre esse espelho extraordinário de água e a cidade, produzindo pontos de atração, fluxos de ciclovias, equipamentos culturais, equipamentos lúdicos, etc.

Eu circulei e vi imensa vida pela rua afora. Mas vi que era uma área decadente.

– Porto Alegre tem potencial turístico?

Mateus – Quanto mais a cidade tiver pontos de atração como o rio, mais atraente se torna para quem vem do Exterior.  Porto Alegre tem uma beleza extraordinária da zona ribeirinha que pode aproveitar. E agora tem o Iberê. Acho que vai haver uma peregrinação de arquitetos e depois de muita gente a Porto Alegre. Será um efeito Bilbao (cidade espanhola que passou a atrair visitantes depois de inaugurar um museu de arquitetura arrojada). Com a diferença de que Bilbao é feia. Cheguei aqui e fiquei surpreendido: esta cidade tem imenso potencial

 



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1 resposta

  1. Perfeita matéria Ricardo ! Só os porto-alegrenses provincianos não enxergam o que todo mundo enxerga, que a orla está um lixo e que a população nao se dá conta disso, e parece que tá contente com a forma que está.

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