Copa 2014 terá novo adversário: Crise financeira mundial exigirá que o governo brasileiro tenha um Plano B

A crise no sistema financeiro global terá repercussões na organização, pelo Brasil, da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Essa é a opinião do presidente do Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia), José Roberto Bernasconi. Com as quebras de bancos em escala planetária e a desconfiança que se instaurou no setor financeiro em todo o mundo, o crédito evaporou-se e deverá ficar bem mais difícil aos clubes – que estão projetando arenas supermodernas, multiuso e de acordo com as regras da Fifa -, conseguir os financiamentos, no Brasil ou no exterior, para sua construção. Em outros países a situação não é diferente: a Inglaterra já enfrenta dificuldades em conseguir investimentos para a Olimpíada que sediará em 2012, o que pode levar à nacionalização de parte do Parque Olímpico,
como a Vila Olímpica e o centro de imprensa. As obras custariam ao contribuinte britânico quase 900 milhões de libras extras (cerca de R$ 3,2 bilhões). A necessidade da participação do governo nas construções deve-se ao fato de a Lend Lease, empresa responsável por parte das obras dos Jogos, não ter conseguido o financiamento privado do qual necessitava, devido à crise. Esperava-se que o setor privado investisse 1 bilhão de libras para viabilizar a construção da Vila Olímpica e, pelo menos, metade dos 400 milhões de libras no centro de imprensa. A equipe inglesa do Liverpool cancelou as obras de seu novo estádio, e o Barcelona (Espanha) adiou os planos de reformas no Camp Nou.

No Brasil, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, tem repetido que não haverá recursos públicos para a construção de estádios. A maior dificuldade de o governo manter essa posição, porém, deve-se ao fato de que sem a modernização dos campos não haverá Copa no Brasil, já que, de acordo com estudo realizado pelo Sinaenco, nenhum estádio brasileiro está pronto para atender as exigências da Fifa. Na verdade, as exigências da FIFA abrangem, além dos estádios, a infra-estrutura nacional, regional e local (aeroportos, portos, terminais rodoferroviários, sistemas de transporte urbano e interurbano, energia, saneamento, saúde, hotelaria, segurança pública etc.).

Para responder adequadamente ao que é exigido são estimados investimentos totais no montante entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões, sendo que os estádios e arenas multiuso demandarão entre 10 e 15% do total a ser investido. Como parece improvável uma solução positiva para a crise financeira no curto prazo, os recursos para investimento não estarão disponíveis da forma como estavam no período pré-quebra do Lehman Brothers, nos Estados Unidos.

“O país precisará ter um Plano B para o caso de não conseguir viabilizar com investimentos privados todas as reformas e a construção de estádios novos”, afirma Bernasconi.

Como sempre em época de escassez e crise, as oportunidades não deixam de existir, mas somente os que se preparam melhor conseguem sair na frente e aproveitá-las. E o presidente do Sinaenco lembra que a preparação para a conquista dos investidores, nacionais e internacionais, cada vez mais ariscos e desconfiados, exige projetos bem elaborados, de elevada qualidade, que confirmem a seriedade e a viabilidade técnica e econômica dos empreendimentos.

O planejamento das arenas e da infra-estrutura requerida para as cidades-sedes e as sub-sedes da Copa 2014 no Brasil passa necessariamente pela contratação de projetos com o tempo adequado para a sua elaboração, visando à qualidade das obras, a fim de que tanto os empreendimentos privados (arenas), como os públicos (infra-estrutura) dêem garantias consistentes aos investidores de que apresentam elevada confiabilidade e taxas de retorno capazes de remunerar essas inversões de porte respeitável.

Os poderes públicos, em seus diversos níveis (federal, estaduais e municipais) precisam, mais do que nunca, atentar para a complexidade da conjuntura econômico-financeiro na qual o mundo ingressou e que provavelmente exigirá, assim como no setor financeiro, a inversão de recursos governamentais mesmo em segmentos, como o das arenas, para as quais não havia previsão de financiamentos oficiais. O planejamento prévio é absolutamente necessário para evitar a intervenção de última hora, com custos muito superiores aos previstos inicialmente (a exemplo do Pan 2007). Para o presidente do Sinaenco, planejar antecipadamente, contratar bons projetos, no tempo adequado e pela melhor técnica, continua sendo a melhor receita, especialmente nos tempos que correm.  
 
www.felipevieira.com.br. 04/11/2008



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