A importância da visão de futuro

Na semana em que os vereadores decidirão o futuro da área abandonada do Estaleiro Só, esse texto é oportuno.

Pontos tradicionais da paisagem da Capital como o Viaduto dos Açorianos, o Muro da Mauá e o Parque Moinhos de Vento, o Parcão, perderam seu criador neste final de semana. O ex-prefeito de Porto Alegre Telmo Thompson Flores morreu na madrugada de ontem, em Florianópolis, aos 87 anos, de insuficiência respiratória. O sepultamento ocorrerá às 11h de hoje, no Cemitério Jardim da Paz, na capital catarinense.

As obras viárias foram a marca da administração de Thompson, que comandou a prefeitura entre 1969 e 1975. Formado em engenharia civil, sentia-se mais à vontade nos canteiros de obra do que nos gabinetes, tanto que vistoriou pessoalmente os trabalhos de construção dos seis viadutos e elevadas erguidos em sua gestão.

Além do Viaduto dos Açorianos, foi também na administração de Thompson que Porto Alegre ganhou os viadutos Dom Pedro I (no entroncamento das Avenidas José de Alencar e Borges de Medeiros), Tiradentes (na esquina da Avenida Protásio Alves e Rua Silva Só), Obirici (sobre a Avenida Plínio Brasil Milano) e Loureiro da Silva (sobre a Avenida Salgado Filho).

Thompson também liderou a construção da elevada e do túnel da Conceição e do Muro da Mauá, reforçando a convicção apresentada quando assumiu o cargo de Célio Marques Fernandes, em 1969. Quanto tomou posse, o novo gestor avaliou que faltavam à cidade planejamento e obras de grande porte.

A ligação do ex-prefeito com as grandes obras e com a própria engenharia foi despertada na infância. Levado pelo pai, nos anos 1930, a visitar as obras de construção do Viaduto Otávio Rocha, no Centro de Porto Alegre, Thompson ficou tão fascinado pelas dimensões do empreendimento que, naquele dia, decidiu que, quando crescesse, seria engenheiro.

Ex-aluno de Thompson na Escola de Engenharia da UFRGS, em 1949, e ex-assessor do prefeito entre 1969 e 1971, o vereador João Dib (PP) lembra que uma das grandes frustrações do ex-prefeito foi não ter conseguido realizar um dos seus principais planos: uma elevada sobre a Avenida Mauá. A concorrência chegou a ser feita, mas o projeto não foi aprovado pela Câmara Municipal.

– Foi um prefeito que se preocupou imensamente com o sistema viário – ressalta.

Dib recorda que, na época, muitas das construções da prefeitura eram criticadas, sendo consideradas grandes demais para uma cidade como Porto Alegre. Foi o caso da elevada da Conceição.

– Imagine o trânsito hoje se não fosse aquele complexo – observa o vereador.

Depois de deixar a prefeitura, Thompson ainda concorreu a uma vaga de deputado federal, nos anos 1970, tendo obtido 30 mil votos e conquistado o posto de primeiro suplente. Em 1976, assumiria a presidência da estatal Eletrosul.

Para exercer o cargo, passou a viver em Florianópolis, onde fixou residência definitiva em 1989. Lá permaneceu até morrer. O ex-prefeito deixa três filhos, 10 netos e sete bisnetos.

ZH

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Mesmo que àquela época houvesse recursos mais fartos da época do Milagre, é possível fazer algumas reflexões.

A administração seguinte já não usufruiu daquele boom econômico, e mesmo assim também fez intervenções importantes na cidade; a ousadia e vanguarda de Porto Alegre já vinham de antes da época da ditadura militar; mesmo com os enormes méritos da participação popular, uma metrópole não pode ficar anos tendo seu planejamento estratégico decidido apenas por associações comunitárias, precisa também de administradores que foquem no macro. Caso contrário, a cidade como um todo  vegeta  e  asfixia .

Ricardo Haberland



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