Por um novo Centro

 

Esta semana foi anunciado novo atraso na conclusão das obras do Camelódromo. É um problema a ser resolvido, claro, mas ontem foi divulgado algo muito mais grave. Foi mostrado em rede nacional o quanto muitos dos camelôs não são aquela figura até romântica e simplória, da qual até saiu um dos maiores apresentadores da televisão brasileira, o senhor Abravanel.

Muitos dos camelôs que viraram praga, que infernizam e prejudicam nosso Centro são, na verdade, contraventores e criminosos, que vendem contrabando, mercadorias ilícitas e estilulam a criminalidade em volta desse mundo paralelo.

O que foi mostrado ontem em rede nacional são “camelôs” que vendem remédios tarja preta. E a coisa pode até piorar: além dos tarja preta, pode haver também as falsificaçõs feitas de farinha. Esse bando, que é tratado com a benevolência e a passada de mão na cabeça, afinal são “camelôs”, age naquele caos de toldos amarelos ao lado da Praça XV.

Na reportagem da TV, além daquele caos dos toldos amerelos, eram dados longos closes naquela ruina de vinte e poucos andares ao lado, o famoso “esqueleto” do Centro.  Pensei que era para mostrar somente o surreal arranha-céu portoalegrense, um dos poucos que temos, mas talvez a intenção pudesse ser mostrar que nosso arranha-céu também é um dos depósitos de contrabando do Centro.

Durante muitos anos os camelôs de Porto Alegre foram até defendidos ( na prática, estimulados ) pelos governos da época, com o discurso pronto de que eles eram as “vítimas da política econômica perversa do FMI e FHC”.

Felizmente hoje os portoalegrenses estão começando a enchergar que muitos dos camelôs são contraventores e criminosos.  Além de agentes que obstruem   sem respeito   as calçadas e meio das ruas (na verdade, se  adonam ), e que levaram muitas lojas do Centro, que pagam impostos,  a fechar as portas e se mudar para outro lugar, pois era impossível a concorrência, além de que a invasão dos contraventores até mesmo obstruia a entrada das lojas. 

Algumas ruas como a da Igreja do Rosário já foram resgatadas e entregues de volta ao cidadão.  Que o Camelódromo seja o início de uma nova mentalidade dos governantes e dos portoalegrenses para que sejam intolerantes com a proliferação de camelôs que se adonam do Centro.

Camelôs de verdade são os registrados, camelôs são artesãos como os da Praça da Alfândega, camelô é quem vende mercadoria feita em casa. O resto são criminosos que praticam atividades muito ilícitas e que prejudicam todo o Centro da cidade.

Vejam a matéria abaixo. O Vídeo mostrando os criminosos vendendo tarja preta e remédios falsos, além dos closes no arranha-céu abandonado estão na web, no site do telejornal.

Ricardo Haberland

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Remédios são vendidos por camelôs no Centro

Medicamentos proibidos são encontrados com ambulantes

Medicamentos controlados são vendidos livremente por vendedores ambulantes da Região Metropolitana. Os vendedores agem como se fossem médicos e dão informações erradas que podem comprometer a saúde de quem se arrisca nesse comércio ilegal.

Bancas de vendedores ambulantes em Porto Alegre, Canoas, Gravataí e Guaíba escondem pequenas farmácias clandestinas. Quem passa pelo centro da Capital é abordado pelos ambulantes que oferecem remédios, entre eles medicamentos contra a impotência sexual.

Produtos chegam contrabandeados do Paraguai, sendo um deles sem registro no Brasil, que não pode ser consumido por pessoas com problemas cardíacos, mas ambulantes oferecerem até mesmo amostra em troca de R$ 10.

– É o mesmo que vem na farmácia. Mas só que aqui, tu sabe, que vem escondido, é mais barato – diz o vendedor.

O Regental, utilizado como inibidor de apetite, foi vetado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mas é comercializado livremente. No calçadão do Centro de Canoas, até receitas são negociadas.

Médicos alertam para o perigo de remédios

O médico Leonardo Fernandez, chefe das emergências da Santa Casa da Capital, alerta para o perigo. Ele diz que quem adquire esses medicamentos corre sérios riscos.

– Podem exacerbar recursos de humor, inclusive levando ao risco de suicídio e, em pacientes com histórico de hipertensão, a um acidente vascular cerebral, infarto e morte – afirma Fernandez.

A Vigilância Sanitária alega que só pode fiscalizar estabelecimentos regulares, mas faz uma recomendação de sempre desconfiar de um medicamento mais barato.

– Esse produto pode ser falsificado. Além de não conseguir eficácia do tratamento, ele pode estar adquirindo outras doenças – diz a inspetora sanitária da Vigilância, Regina Goytacaz.

O superintendente regional da Polícia Federal, Ildo Gasparetto, explica que é complicado combater o crime, pois a quantidade é pequena.

Zero Hora



Categorias:Revitalização do centro

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1 resposta

  1. Para todos verem o vídeo: a reportagem que mostra os camelôs que invadiram aq cidade e mostra o esqueleto do Centro está no JORNAL DA GLOBO do dia 20/11/08.

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