Prédio é invadido no Centro da Capital

Um grupo com 150 integrantes do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) invadiu ontem um prédio vazio, localizado na avenida Julio de Castilhos, Centro de Porto Alegre. Segundo o dirigente do movimento Beto Aguiar, o imóvel – que é privado – poderia ser desapropriado para abrigar 40 famílias de sem-teto se fosse destinado à habitação popular. “Este espaço está desabitado há oito anos”, garante.

A manifestação, que ocorreu simultaneamente em mais oito capitais do País, busca denunciar o que eles chamam de “vazios urbanos”. “Assim como este, há vários outros na mesma situação na maioria das grandes cidades do Brasil”, afirma.

O MNLM vai realizar hoje novas manifestações em frente a seis prédios abandonados na região central da Capital. “Queremos denunciar que existem imóveis, públicos e privados, que não cumprem função social e que podem servir de moradia a quem não tem casa”. A estimativa de Aguiar é de que há lugar para que até 800 famílias sejam abrigadas em outros dez imóveis espalhados pelo Centro.

“É preciso atitude do Poder Público para resolver este problema, até mesmo através de desapropriações, como regulamenta o Estatuto das Cidades”. Aguiar cita como exemplo o prédio que fica no viaduto da avenida Borges de Medeiros. “Ali, em um acerto com o INSS, estamos revitalizando o local para receber novos moradores. Isto serve também para trazer vida ao Centro”, comenta.

Segundo ele, a instalação de famílias de baixa renda na região central custa menos do que a construção de novas residências em outras partes da cidade. “Aqui temos toda a infra-estrutura necessária, como transporte, água e energia”, explica.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Guilherme Barbosa (PT), cobra uma ação mais efetiva do Departamento Municipal de Habitação. “O Demhab pode articular a retirada de financiamentos com a Caixa Econômica Federal para as obras de reforma. Com pouco dinheiro, prédios como este podem ficar em boas condições para receber novos moradores. A iniciativa serviria também para terminar com o esvaziamento do Centro da cidade”, comenta. 

Jornal do Comércio, 26/11/2008



Categorias:Outros assuntos, Revitalização do centro

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