A curva demográfica do Brasil

A projeção da população brasileira feita pelo IBGE apresenta um panorama desafiante para o país. Segundo o documento, o Brasil terá 200 milhões de habitantes em 2015, evoluirá para 215 milhões em 2050, quando crescimento já estará em desaceleração. Os dados indicam que o pico de 219 milhões de habitantes será em 2038, a partir de quando a população, pela primeira vez na história do país, decrescerá. A queda da fecundidade, de um lado, e o aumento da esperança de vida estão entre os fatores que redesenham, no Brasil e no mundo, a curva populacional. Em apenas uma geração, portanto, os problemas econômicos, sociais, urbanos, educacionais e assistenciais que as curvas desse crescimento evidenciarão estarão presentes na sociedade. Em 2050, por exemplo, para cada cem crianças haverá 173 idosos, que terão expectativa de vida de 81 anos.

O coordenador da pesquisa, para dramatizar o efeito que essa situação demográfica terá sobre a paisagem humana do país, refere que, no lugar da figura do avô com muitos netos, será cada vez mais freqüente uma criança cercada por quatro avós. Pois o Brasil terá que adaptar-se a essa nova paisagem. O perfil envelhecido da população exigirá uma espécie de revolução em várias políticas públicas. O planejamento para esse Brasil mais velho, com mão-de-obra menos dinâmica, com altos custos de assistência social e com pressões previdenciárias precisa ser feito a partir de agora.

O mesmo estudo do IBGE revela que o momento de ação e de crescimento é agora. Há uma “janela demográfica” ainda aberta: ela mostra que o país vive os últimos anos de crescimento no número de pessoas economicamente ativas. A situação é favorável ao desenvolvimento econômico e à construção de sistemas de saúde, previdência, moradia e transportes capazes de alavancar o Brasil com esse futuro.

Editorial Zero Hora, 01/12/2008



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