José Fogaça quer enviar plano para orla em 2009

Antes mesmo da polêmica envolvendo o projeto do Pontal do Estaleiro, a prefeitura preparava um estudo sobre a orla, propondo usos e regramentos para a beira do lago Guaíba. O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, deve encaminhar o Relatório Orla à Câmara Municipal no ano que vem. Mas o texto não será incluído no projeto que já está no Legislativo, de revisão do Plano Diretor. “A discussão será paralela”, explica Fogaça. Ele não adianta se irá vetar ou sancionar o Pontal do Estaleiro, em respeito aos vereadores, mas aponta, nesta entrevista ao Jornal do Comércio, alguns dos critérios que irá adotar.
O prefeito reeleito da Capital também fala da escolha do secretariado, aborda os projetos que pretende implementar no próximo governo e revela que o Largo Zumbi dos Palmares, na Cidade Baixa, não irá receber um terminal do Portais da Cidade, conforme previsto na proposta original. Fogaça diz ainda que na segunda gestão dará prioridade a três eixos: quer aperfeiçoar a Governança Local, com foco nos problemas dos bairros, rever os 21 programas de governo, que podem ser enxugados, e também concentrar esforços em um conjunto de obras.

Jornal do Comércio – Em 2009, a Câmara Municipal volta a analisar a revisão do Plano Diretor de Porto Alegre. Qual será a posição do governo nessa votação?
José Alberto Fogaça – A orientação do líder do governo é manter o texto original. Não deve haver mudanças e queremos aprová-lo (na Câmara Municipal) em 2009. A cidade precisa do Plano Diretor.
JC – E a orla do Guaíba?
Fogaça – Vamos integrar essa área. Vai ser uma das questões chaves dentro do processo de estudo do Plano Diretor.
JC – O Relatório Orla feito pela prefeitura pode ser incluído no projeto de revisão do Plano Diretor através de mensagem retificativa?
Fogaça – Não. A discussão será paralela. Não posso mandar as duas coisas agora, porque primeiro (a Câmara) tem que realmente começar a votação do Plano Diretor e definir alguns pontos, para depois mandarmos o relatório da orla.
JC – Sobre o Pontal do Estaleiro, o senhor tem que tomar uma decisão em 15 dias. É um tempo razoável?
Fogaça – É um tempo razoável para uma decisão necessária. Tem que decidir. Sanciona ou veta.
JC – O senhor disse que para tomar essa decisão ia formar a sua massa crítica? Como está fazendo isso?
Fogaça – Estou fazendo dentro das possibilidades que tenho, dentro do conjunto de preocupações e atividades de funções que exerço durante todo o dia, tenho procurado também ouvir segmentos.
JC – Muitos segmentos estão lhe procurando?
Fogaça – Alguns procuram, espontaneamente, outros se manifestam por ofício, carta.
JC – Não existe a possibilidade de o senhor nem vetar nem sancionar e devolver o projeto para a Câmara?
Fogaça – Em até 15 dias vou tomar essa decisão. Agora eu não posso manifestar qualquer tipo de tendência. Tenho muito respeito pelos vereadores.
JC – Mas a lei permite que o senhor deixe de sancionar ou vetar?
Fogaça – Isso não existe. Na minha opinião, quem não sanciona nem veta está sancionando. Não está se manifestando. Em questões politicamente importantes, seria falso. Tem que tomar uma decisão.
JC – Quando a orla do Guaíba terá sua balneabilidade recuperada?
Fogaça – A conclusão das obras do Programa Socioambiental será em cinco anos. Em 2012, porque contamos o ano de 2008, que teve obras. O programa já está em andamento na Restinga e na Cavalhada. Depois, o processo é biológico, o rio irá se recuperar. Mas, em pouco tempo, num prazo de dez anos, teremos resultados perceptíveis.
JC – O senhor era prefeito em 2005, último ano do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, que deu projeção internacional à cidade. Agora, esteve na China. O que significa esse reconhecimento internacional?
Fogaça – O Fórum Social Mundial foi muito significativo na vida da cidade, mas, no contexto das cidades do mundo, a Conferência Mundial de Cidades foi mais importante. Através dela recebemos o convite para a China, onde nunca ouviram falar do Fórum Social Mundial, que foi uma grande expressão da esquerda mundial, de linhas partidárias radicais. Mas o que nos vincula ao mundo hoje é outra coisa. Não perguntam lá se Porto Alegre é de esquerda, direita ou de centro. Eles vêem na cidade um processo de inovação política e social, por isso nos premiaram. Gostaria que o Fórum retornasse a Porto Alegre, mas agora ele não tem mais a mesma expressão.

Jornal do Comércio, 01/12/2008

Leia a entrevista completa do Prefeito José Fogaça clicando aqui.



Categorias:ORLA, Outros assuntos, Pontal do Estaleiro

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4 respostas

  1. O plano de mobilidade para a Copa (em http://www.estado.rs.gov.br/portoalegre2014/copapoa2014-08.pdf ) assinala a possibilidade de uma linha BRT pela Borges de Medeiros, visando atender o Shopping Praia de Belas e o Estádio Beira-Rio. Vamos ver…

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  2. Tenho medo do “Plano para orla de Porto Alegre” . O discurso de setores influentes da cidade (os contra-tudo) leva a crer que, além de bem desestimulante a investimentos, o plano para a orla também será algo bem TOSCO.

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  3. O Terminal Zumbi não existirá porque a comunidade da Cidade Baixa fez vários abaixo-assinados, pois não querem movimento na Cidade Baixa.

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  4. hmm

    O Largo Zumbi dos Palmares não será um portal então? Me alivia, pois não era uma boa idéia ter um portal tão próximo ao centro, seria meio ineficiente para os usuários dos ônibus que haveriam de baldear ali, que sofreriam por pegarem, na linha rápida, ônibus já lotados por aqueles que teriam embarcado no terminal Azenha.

    Mas… onde, então, será feita a baldeação dos ônibus que vêm da Borges de Medeiros e Oswaldo Aranha? Ficarão esses eixos do jeito que estão hoje, com suas linhas desembarcando diretamente no centro? Isso seria uma temeridade, pois continuaríamos tendo o câncer da “Rodoviária Salgado Filho”, que tanto queria se acabar.

    Fogaça, gaste um pouquinho mais e construa linhas de ônibus expresso para a Borges e Oswaldo, com baldeação perto do BarraShopping e do Clínicas, respectivamente. Seria perfeito. Até porque a linha da Borges fatalmente passaria pelo Beira-Rio, servindo como medida de “backup” para caso o metrô não chegue até o Estádio a tempo para a Copa.

    Quero um cargo na secretaria de transportes… pq tá faltando gente com boas idéias por lá, viu.

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