EXEMPLO DO RIDÍCULO

Vejam meus senhores e senhoras, a que ponto chegam os contra-tudo, ainda mais se tratando de um formador de opinião (de meia-tigela, diga-se de passagem). Ficar pelado na rua porque foi vetado o Pontal do Estaleiro ???

Onde estamos ? No Paraguai ???

Acho que sim, pois um jornalista falsificado escreve num jornal falsificado. Quero o Correio do Povo antigo de volta. Que jornaleco, meu Deus !

AVANTE, PARA TRÁS

Juremir Machado da SilvaComo é bom errar. Nunca me senti tão feliz pagando um mico. Ao contrário do que eu previ, num momento de desespero e ceticismo, o prefeito José Fogaça anunciou seu veto ao projeto do Pontal do Estaleiro. Tratei de cumprir o prometido. Desci, enrolado num cobertor, e fiquei 30 segundos pelado na rua. Fogaça mostrou independência, coragem e visão de estadista. A decisão ficará para a população de Porto Alegre. Confesso que Fogaça me surpreendeu. Tiro o chapéu para ele. Não tenho problema em reconhecer os acertos dos outros, mesmo, ou principalmente, depois de tê-los fustigado com as minhas críticas. Espero que Tite fique no Inter em 2009. Admito que Fogaça agiu com perfeição pelo interesse da cidade. Ando tão flexível que sou capaz de pedir também a permanência do Edinho no Internacional por mais dez anos.
Na verdade, houve uma articulação engenhosa para ajudar o prefeito a vetar. Os vereadores perceberam que haviam pisado na bola, aprovando de maneira precipitada uma alteração importante numa lei relativa a uma área de proteção permanente, e queriam recuar, mas não podiam dar a impressão de derrota. Não ficaria bem. Era aquela história de mudança de rumo, dita de muitas formas e por muitos bons frasistas, resumida assim: não tão rápido que pareça fuga nem tão lentamente que pareça medo ou falta de planejamento. Avante, para trás. Nada de anormal. É isso que se chama costumeiramente de política: a arte de dobrar dando a impressão de seguir em linha reta. Deve ser por isso que se pode considerar a arte política como uma ilusão de ótica ou uma ótica da ilusão racional.
O prefeito, por seu turno, pretendia vetar, mas não queria desmoralizar nem desautorizar os vereadores. Surgiu, então, o plano B, a retirada estratégica, o recuo com cara de avanço: o referendo popular. Não critico. Elogio. Esse recuo é, de fato, um avanço. Graças a essa saída de emergência, sugerida muitas vezes por adversários do Pontal, todo mundo vai ficar bem na parada. Fogaça veta sem ferir os brios dos vereadores, que tiveram a grandeza de sugerir ao prefeito essa solução honrosa, há mais tempo (talvez muito tempo) para que a sociedade discuta o projeto, e o povo, soberano, leve e solto, pode decidir. A governadora Yeda Crusius precisa se espelhar em tão sábia atitude e propor um plebiscito sobre a prorrogação dos pedágios gaúchos.
Como é bom quando os representantes do povo resolvem ouvir as ruas. Fico emocionado com essa sintonia entre representantes e representados. A ordem surge da desordem, a luz vem das trevas e do caos vem a sabedoria. Que lindo! Há quem não goste desse tipo de discurso por achá-lo piegas, pomposo ou meramente retórico. É gente rude, ou direta, que prefere formular a mesma idéia com termos mais frontais: nada como a pressão e o bafo na nuca para que o gosto pela democracia direta toque os corações mais empedernidos. Logicamente, não posso endossar palavras cruas assim. Acredito nos processos de amadurecimento. Nunca me passaria pela cabeça a hipótese cínica de que os vereadores, sabendo da inexorabilidade do veto, resolvessem apresentar ao prefeito, por sugestão dele, um mecanismo que salvasse a face de todo mundo. Eu só penso o melhor. Estou convencido de que cada um pesou, ponderou, refletiu e percebeu que era hora de dar o braço a torcer, o que evitou uma dolorosa queda-de-braço.

juremir@correiodopovo.com.br

Fonte: Correio do Povo, 09/12/2008



Categorias:Outros assuntos, Pontal do Estaleiro

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5 respostas

  1. O diferente é que espomos nossa opiniao sem precisar apelar para mentiras, ao contrario do Sr. Juremir.

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  2. Alexandre, nós estamos num país supostamente livre, e com amplo direito de expressão. Se você não gostou do que leu, comente, como você fez. Mas nós continuaremos a expor a NOSSA opinião. A NOSSA opinião é a NOSSA opinião. Portanto, eu, que escrevi este post do Juremir, mantenho minha postura de falar o que bem entendo, desde que não ofendendo ninguém. Chamar de ridículo alhguém, significa que estou avaliando um comportamento de parte do Sr. Juremir. Comente a vontade Alexandre ! Exponha sua opinião livremente ! É isto que fazemos aqui no Blog (e o Sr. Juremir também faz no Correio do Povo). Abraço.

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  3. Acho lamentável que um blog como este que se propõe a discutir Porto Alegre, seja tão parcial na hora de falar de um assunto polêmico. Acho realmente que isso é um exemplo do ridículo, não a coluna, mas o seu tratamento dado. Para quem conhece o trabalho do Juremir, não preciso falar muito; e para quem não conhece… procure conhecer, pelo mínimo, se quiser falar mal de alguma coisa. Mesmo que uma opinião seja contra seus interesses.

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  4. E agora? O q nos resta? Os ecoxiitas tomaram conta de Porto Alegre, e Fogaça se tornou um deles. Copa do Mundo em Poa em 2014? Acho que podemos começar a tirar isso das nossas cabeças, ou entao começar a travar uma guerra brutal contra essa gente do CONTRA TUDO.

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  5. O texto que Juremir escreveu diz claramente que o RS e Porto Alegre não deveriam ter Poder Legislativo.

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