Cultura gaúcha leva o Estado para o atraso

 O povo do Rio Grande sempre se caracterizou por posições apaixonadas, tanto na política quanto no esporte. Esta bipolaridade nascida da história de lutas e revoluções rio-grandenses, e representada simbolicamente pela centenária rivalidade Gre-Nal, nem sempre produz resultados sadios como a competição futebolística que levou os dois clubes de Porto Alegre à conquista de títulos mundiais. Ultimamente, este dualismo extremado, aliado a um ranço de natureza ideológica de parte de alguns segmentos político-sociais, vem entravando o desenvolvimento do Estado. Quase todos os projetos são boicotados, as tentativas de mudança esbarram na oposição sistemática e organizada de corporações interessadas em manter suas prerrogativas, a convergência política em torno de interesses do Estado tornou-se uma utopia.

Já faz tempo que o Rio Grande não repete uma mobilização coletiva e suprapartidária como a que garantiu ao Estado a implantação do Terceiro Pólo Petroquímico do país, na década de 70. Naquela ocasião, o Executivo e o Legislativo criaram comissões conjuntas, as indústrias privadas engajaram-se no esforço cívico, a imprensa divulgou intensamente o movimento, as posições políticas e opiniões antagônicas foram deixadas de lado, possibilitando uma ação integrada das duas frentes partidárias então existentes, a Arena e o MDB. Foi um momento edificante da história moderna do Estado.

Mas a consolidação da democracia no país, paradoxalmente, parece ter acirrado a dissensão na política rio-grandense. As forças que disputam o poder nas últimas duas décadas têm demonstrado pouca ou nenhuma maleabilidade no sentido de transigir em favor da sociedade. Nas últimas cinco administrações, pelo menos, contam-se nos dedos as situações em que governo e oposição concertaram posições, mesmo com algum prejuízo para suas teses e para seus projetos partidários. Esta animosidade permanente estende-se a outros setores da sociedade, colocando em constante confronto com o Executivo as corporações de servidores, os movimentos sociais e os setores que de alguma maneira se sentem atingidos por medidas governamentais.

As conseqüências de tanto antagonismo têm sido danosas para o Estado. O Rio Grande não avança, não se moderniza, perde posições e prestígio no conjunto da federação, adia indefinidamente reformas indispensáveis para se livrar de estruturas ultrapassadas e perdulárias. Esta birra irracional já ameaça até mesmo a identidade do povo gaúcho, que sempre foi respeitado pelos demais brasileiros por sua tradição política e por sua capacidade de lutar incondicionalmente em defesa das causas rio-grandenses. Por que nos tornamos tão desunidos? Será que não somos mais capazes de superar diferenças políticas e ideológicas para construir um Rio Grande mais digno?

Precisamos, decididamente, recuperar a vocação do Estado para a boa vontade, para o diálogo e para a tolerância.

Zero Hora



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3 respostas

  1. O texto é do editorial da Zero Hora.

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  2. TEXTO PERFEITO!!

    Quem redigiu??

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  3. Essa raiva da esquerda gaúcha que os baianos souberam evitar e serem mais inteligentes: na ocasião, até o PT da Bahia se uniu ao governo de seu estado para também votar a aprovação da vinda da Ford.
    Diferentemente do que o partido tem praticado nas votações na Assembléia, eu QUERIA UM PT COMO O BAIANO PARA VOTAR O PONTAL.

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