Idenir Cecchim, Secretário da SMIC, quer atrair empresas para a Capital

Ampliação do Parque Industrial da Restinga, instalação de novas empresas no Porto Seco, investimento em agricultura e fiscalização de ferros-velhos terão atenção especial do titular da Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), Idenir Cecchim.

idenircecchimNesta entrevista ao Jornal do Comércio, o vereador eleito em Porto Alegre, que renunciou para assumir a secretaria, também fala do camelódromo e do trabalho de fiscalização que será feito nessa sua segunda experiência na pasta. Ele acredita que a Smic vem fazendo um trabalho silencioso e eficaz.

 

Jornal do Comércio – O que o senhor deseja priorizar nesse nova gestão?

Idenir Cecchim – Temos que consolidar os projetos como o Parque Industrial da Restinga, que está recebendo solicitação para que empresas sejam instaladas. Estamos fazendo uma outra etapa, com mais 70 lotes. Na agricultura, queremos preservar o cinturão verde da zona Sul, produzindo. Distribuímos 33 mil mudas de árvores frutíferas e a produção duplicou de 600 toneladas para 1.200 toneladas. A cada muda que a prefeitura deu para o produtor rural, ele está devolvendo um quilo de frutas para estudantes. A partir desse ano, 33 mil quilos de frutas começarão a vir para as escolas municipais. Aquilo que a prefeitura gastou com a compra das mudas, ela está recebendo para as suas crianças.

JC – Como atrair mais empresas para a capital?

Cecchim – As capitais têm uma tendência de receber serviços, enquanto “as empresas de chaminé” vão para as regiões metropolitanas. Para as capitais a tendência é receber empresas de serviços e logística. Estamos num ponto estratégico, temos o Porto Seco, que possui uma área de logística muito forte. Hoje, as transportadoras não só transportam os produtos, mas são centros de distribuição. Isso dá muito emprego e organiza a cidade. Ela concentra em um local, como é o Porto Seco, as transportadoras de Porto Alegre, facilitando que as mercadorias sejam distribuídas por carros menores na cidade. Esse é um dos projetos que o prefeito José Fogaça deve desenvolver nesses próximos quatro anos, o Acesso Norte, do Porto Seco até a freeway. Ele vai desafogar toda a área da Fiergs e arredores. Queremos fazer com que as empresas que estão em Porto Alegre permaneçam, e aquelas que vierem de fora encontrem um ambiente propício para investir.

JC – Quais problemas serão enfrentados nos próximos quatro anos?

Cecchim – Os estabelecimentos que trabalham sem alvará, principalmente à noite, são uma dor de cabeça constante. A fiscalização tem agido muito forte nisso. Os ferros-velhos também. Muitas vezes, descoberto o ferro-velho com problemas com o furto e roubo, a Smic cassa o alvará. Mas os responsáveis voltam duas semanas depois com o nome de outra empresa. Quando estamos falando de ferro-velho não é só no desmanche de veículos, é o cobre, fio de luz, sucata de alumínio. A polícia descobre alguns receptadores, prende os proprietários, a Smic vai lá e interdita o estabelecimento. E eles voltam com o nome de outra empresa. Vou estudar, junto com o departamento jurídico e com os vereadores, para ver se mudamos a legislação.

JC – E a fiscalização à pirataria e ao contrabando, está adiantando?

Cecchim – Fizemos uma ação muito forte. É uma das cidades que mais combateu a pirataria. Conseguimos fazer nos depósitos o que nós chamamos de Operação Nascedouro. As mercadorias não vieram para as ruas. Atacávamos na origem. Hoje, Porto Alegre é outra no combate à pirataria. As ruas estão desobstruídas, a Rua da Praia, a Voluntários da Pátria. Junto com a Brigada Militar conseguimos fazer esse trabalho decisivo. Vimos no Rio de Janeiro um barulho, que é uma secretaria especial. Nós, em Porto Alegre, conseguimos fazer isso de uma maneira silenciosa e muito efetiva que deu resultado.

JC – Quais as dificuldades para inauguração do camelódromo?

Cecchim – O camelódromo está prestes a ser inaugurado neste mês. O mais difícil foi fazer a engenharia democrática, convencer as pessoas que estão na rua a ir ao Centro Popular de Compras (CPC) e fazer com que elas acreditassem nesse projeto. A obra atrasou por alguns problemas de licenciamento ambiental. A prefeitura optou por exigir dela mesmo tudo aquilo que exige de uma iniciativa privada: todo o licenciamento, as audiências públicas, estudo sobre as escavações. Tudo isso demorou um pouco mais.

JC – Alguns camelôs dizem que são contra o CPC.

Cecchim – Isso é natural. O pior seria se muitos camelôs fossem contra. Realmente são poucos e já identificamos alguns que não são os donos das lojas. Muita gente alugou ponto na rua, que foi privatizada através dos anos. A pessoa tinha o direito a uma banquinha e alugava. Provavelmente alguns nessa situação reclamam que não querem sair da rua, pois privatizaram a rua. Quem está reclamando são pessoas que alugaram as lojas e que não vão mais ter essa possibilidade.

JC – E as denúncias de favorecimento na obtenção de espaços no camelódromo?

Cecchim – Não tem como haver favorecimento, porque foi tudo feito de uma forma clara, em que todos puderam participar. Houve um diálogo com todos os segmentos: com os deficientes visuais, com o pessoal da Rua da Praia, da Praça XV, todos os ambulantes foram ouvidos e discutiram isso sempre publicamente. Isso, provavelmente, é denúncia de alguém que não conhece o processo ou que não o acompanhou. Quando chegamos na Smic, não fizemos o licenciamento de nenhuma banca nova. Desde que assumimos, decidimos resolver o problema. Os camelôs inscritos em 2005 são os mesmo de hoje. Fizemos o CPC onde todos esses cadastrados estão contemplados.

Jornal do Comércio, 09/01/09



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3 respostas

  1. meu pai a 40 anos atras ja comprava alvara na estrada antonio severino 360,…hoje inguilino com cpf trocado abita com comercio de padaria com caca-nigueis sem alvara a 4 anos onde esta a smic

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  2. Olá boa tarde,

    Estou fazendo mestrado na área de gestão de resíduos sólidos, e gostaria de saber como vocês resolveram os problemas com os ferros-velhos, sucateiros que comercializam este material, e estão epalhados pelos mais diversos locais da cidade.
    Quais normas foram impostas a eles….
    Se não puderem me informar, com quem busco estas informações:?

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  3. Sabe, o resultado final do Camelódromo me decepcionou.

    Primeiramente, o projeto foi bastante desviado do fora apresentado inicialmente, passando de uma estrutura rica em detalhes arquitetônicos para um caixão de concreto meio sem vida. Além disso, contrariando o esperado, alocou-se uma área para estacionamento, provavelmente visando beneficiar o empreiteiro, que irá explorar o espaço. Idealmente, a cidade deveria investir em infraestruturas que TIREM os carros das regiões engarrafadas, ou seja, construir estacionamentos público dissuasórios fora do centro, sendo o percurso completado de ônibus.

    Além disso, o camelódromo acabou ficando grande e pequeno demais ao mesmo tempo. Juntar todas as bancas no mesmo lugar acabará concentrando um fluxo de visitantes muito além da capacidade daquela região, que já tem ruas e calçadas muito limitadas. E acaba sendo pequeno, pois tenta concentrar muitas bancas em espaços bem limitados… pelas fotos que vi das internas, os corredores são minúsculos, e o produto final está muito perto de um favelão. Teria sido melhor fazer pelo menos uns dois ou três CPCs no centro, menores, visando dispersar o trânsito dos pedestres que os visitariam.

    E claro, o problema associado ainda não foi solucionado: como vão garantir que não virão novos camelôs para tomar os pontos que foram fechados? Perigoso.

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