Governo atende calçadistas e inicia processo de contra-ataque à China

Brasil investiga prática de dumping pelo país asiático, que hoje é calculada em 435,7%.
 
Jornal NH   
  
São Paulo – O governo chinês deve em breve ser informado que o Palácio do Planalto decidiu iniciar as investigações de prática de dumping (oferta de um produto no comércio de outro país a preço inferior ao praticado pelo fabricante nacional no mercado interno) nas importações de calçados vindas desse país. A boa notícia e há muito reivindicada pelos calçadistas devido à concorrência desleal foi anunciada pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Milton Cardoso, ontem na abertura oficial da 36ª Couromoda, iniciada nos pavilhões do Anhembi, em São Paulo.

Aproveitando a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no evento, Cardoso reiterou que é preciso “dar um basta a prática de dumping, que hoje é calculada em 435,7%”, citando que a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apurou que a margem absoluta de dumping é de US$ 25,99 o par de calçados. O texto admitindo elementos suficientes que indicam tal prática e resulta em dano à indústria doméstica foi publicado no Diário Oficial da União de 31 de dezembro.

“É uma grande vitória”, assinalou o presidente da Abicalçados. A próxima etapa compreende a investigação, por parte da Secex, diretamente nas empresas, em paralelo às ações de defesa do governo chinês e das empresas exportadoras chinesas. Para levar adiante o processo, a Secex enviará questionários às partes interessadas, que terão 40 dias para respondê-los a partir da sua emissão. São essas respostas que farão o governo implantar ou não medidas de defesa comercial.

Manobra

O temor concentra-se agora na agilização do processo, pois uma simples possibilidade de manobra pode suspender o prazo legal de 60 dias para a imposição das tarifas provisórias. “Neste período (de crise), as importações poderão causar danos irreparáveis à indústria e ao emprego nacionais”, disse Cardoso. Também o governador de São Paulo, José Serra, criticou a entrada de produtos asiáticos no Brasil.

Medidas virão em janeiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o governo deve anunciar em janeiro importantes medidas contra os impactos da crise financeira global no País. Avisou ainda que pretende se reunir até o início de fevereiro com governadores para discutir outras novas medidas. Ao conclamar os empresários a seguirem apostando nas exportações e a ampliarem ainda mais os destinos dos calçados brasileiros, que desde 2003 saltaram de 130 para mais de 170 países, Lula disse que “essa feira (a Couromoda) vai ser a cara do Brasil que nós queremos ter”.

Lula afirmou que os países desenvolvidos, que estão mais diretamente ligados à crise financeira internacional, sabem que é preciso adotar ações para que esse momento não dure muito. “Como consequência do desemprego que vai acontecer exatamente nesses países, nós corremos o risco de uma convulsão social que o mundo desenvolvido não esperava que acontecesse no século 21.”

Também voltou a defender um controle mais rígido do sistema financeiro. “Tem muita gente que ganhou muito dinheiro sem produzir um prego para colocar no sapato, um cadarço, um tênis, apenas com especulação”, declarou. Bastante otimista, frisou que não deixará faltar dinheiro para investimentos e mencionou que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tem a responsabilidade de não deixar que nenhuma obra do PAC pare e também de inventar novas obras.

Sapatada

O presidente Lula não está disposto a ser alvo de sapatadas por parte dos jornalistas, como ocorreu com o presidente dos Estados Unidos, George Bush, vítima do gesto que é considerado um dos maiores insultos no Iraque. Pelo contrário. Na abertura Couromoda, Lula ameaçou, em tom de brincadeira, lançar um dos calçados que estavam em um estande na direção dos fotógrafos e cinegrafistas que acompanhavam sua visita. Mais tarde, em entrevista coletiva, Lula explicou a atitude. “Não, eu não quis dar sapatada. Eu apenas me precavi para vocês não darem em mim”, respondeu, sob risos. Na cerimônia também participaram a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff e líderes das entidades e políticos.?

– SANTOS

O presidente e fundador da Couromoda, Francisco Santos, afirmou que a indústria brasileira está dando exemplo de vitalidade diante da turbulência internacional. “Somos um setor de resposta imediata.” Sobre a ampliação das exportações disse ser preciso melhorar a performance no exterior e ampliar as ações de marketing no mundo”, já que o Brasil é a única alternativa fora do Sudeste asiático, em referência aos impasses econômicos e o fechamento de diversas fábricas na China.

– MARCONI

O presidente da Associação Brasileira dos Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac), Marconi dos Santos, lembrou que é preciso pensar no mercado interno, destacando que ainda há classes que precisam consumir. Ele solicitou, tambem, a liberação de linhas de crédito via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os micro e pequenos lojistas a exemplo do que ocorre com os fabricantes.

– PIRATINI

O ex-ministro Marcus Vinícius Pratini de Moraes, disse ter gostado do discurso que o presidente Lula fez na abertura da Couromoda. “Ele discutiu os objetivos do setor calçadista”, comentou Pratini, lembrando que o Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior tem que cumprir o seu papel para melhorar o setor.



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