Fonte Tavalera: Artesão espanhol diz que ninguém faria fonte igual

A reconstrução da Fonte Talavera foi um quebra-cabeças, com final inesperado e não muito feliz.

O espanhol Bernardo Corrochano, artesão responsável por reconstruir a copa (conhecida como bacia maior), parte superior do monumento – quebrada durante um protesto de carroceiros em 2005 – diz que o material utilizado na tentativa de reproduzir com exatidão a escultura daria para esculpir cinco fontes. Em vão. Ele admitiu, em entrevista por telefone concedida ontem a Zero Hora, que a copa entregue por ele à prefeitura de Porto Alegre, sob encomenda, “é um pouquinho mais alta” que a original.

– Tentamos de tudo, mas o tipo de barro e de forno atuais são muito diferentes dos usados na época da construção da fonte original. O que está aí foi o possível de ser feito – desculpa-se o artesão.

A fonte original, quebrada, está aberta à visitação no subsolo da prefeitura, mas sem nenhuma indicação de que se trata da peça histórica.

Corrochano é de uma linhagem de artesãos, forjada numa cidade mundialmente famosa por esse ofício, a espanhola Talavera de La Reina. Ela alcançou renome pelas esculturas em cerâmica, tradição que vem desde o século 16, assim como a vizinha Toledo conquistou fama planetária pela excelência de suas espadas de aço. A Fonte Talavera, construída na cidade do mesmo nome, foi um presente dado em 1935 pela colônia espanhola aos gaúchos, por ocasião do centenário da Revolução Farroupilha.

Pois a fonte, situada na praça em frente à prefeitura de Porto Alegre, está no centro de uma polêmica. A copa (conhecida como bacia maior) foi devolvida a Talavera de La Reina, para reconstrução. Só que o formato mudou. A original parecia uma taça de champanhe, a que voltou da Espanha se assemelha a um cálice de vinho.

O artesão Corrachano afirmou a ZH que ninguém poderia fazer uma fonte igual à original. Pelo simples fato de que os moldes de 1935 se perderam quando a empresa responsável por aquele monumento fechou, em 1959.

Expliquei tudo isso aos promotores públicos, espero agora que o povo de Porto Alegre entenda e nos desculpe. Demos o melhor de nós.

ZH



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