Porto Alegre vira cidade-dormitório

 

Capital que menos cresce no país, Porto Alegre perdeu 6,4 mil pessoas ao ano nos anos 90, devido a migrações para outras cidades, segundo estudo do supervisor de informações do IBGE no Estado, Ademir Koucher.

O sol brilha em Porto Alegre para Francisco Machado, morador do bairro Menino Deus, apenas nos fins de semana. De segunda a sexta, ele pula da cama às 5h30min e é surpreendido pela alvorada a caminho do trabalho, em Novo Hamburgo. Quando regressa, às 23h30min, o sol já se pôs no Guaíba. Com emprego e faculdade na Região Metropolitana, é um dos mais de 93 mil porto-alegrenses para quem a metrópole se transformou em mera cidade-dormitório. Segundo estimativa da Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), esse é o contingente dos que saem diariamente da Capital para trabalhar ou estudar em municípios vizinhos. É o equivalente à população de Guaíba.

O novo papel da Capital virou um fenômeno de massa no decorrer desta década. Acostumada a ser o destino para onde convergiam diariamente trabalhadores de uma penca de municípios-satélite, a cidade agora sente o gosto de ser fornecedora de mão-de-obra. A mudança de perfil foi vertiginosa. Conforme as estimativas Metroplan, apenas em ônibus fretados saem de Porto Alegre para trabalhar na Região Metropolitana 30 mil pessoas ao dia. Quatro anos atrás, eram 2,9 mil. Somando os que seguem em linhas de ônibus regulares, a força de trabalho exportada ultrapassa 50 mil indivíduos.

A inversão no fluxo de trabalhadores é obra da evasão do parque fabril porto-alegrense para os municípios do entorno. De 1970 a 2008, a participação de Porto Alegre no PIB industrial gaúcho despencou de 25,9% para 7,7%.

A transformação econômica, motivada em parte pelos custos operacionais mais baixos das cidades vizinhas, colocou rodovias entre as residências da Capital e os empregos.

– Na formação da Região Metropolitana, o trabalho estava em Porto Alegre. Os profissionais vinham de fora e tinham de comprar até o pão antes de voltar para casa. A mudança ocorreu porque a indústria precisa ficar perto das rodovias. Imagina como seria Porto Alegre cheia de carretas – analisa o geógrafo Danilo Landó, chefe da fiscalização de transporte metropolitano da Metroplan.

Empresas de cidades vizinhas buscam os profissionais de Porto Alegre

Hoje com perfil de classe média e população mais escolarizada, a metrópole fornece muitos dos profissionais qualificados de que as indústrias estão sedentas. Os porto-alegrenses são parcela expressiva nos quadros de grandes empresas sediadas em cidades vizinhas, como Braskem (39%), Petroquímica Triunfo (58%) e Refap (34,5%).

Zero Hora

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Esse fenômeno já é constatado em fatos simbólicos como uma atração turística como o Oceanário e sua torre (proibitiva para a Capital Contra-Tudo) não serem na capital,  ou até mesmo pelo fato de a arquitetura e a cidade construida mais pujante e ousada da região metropolitana não ser a da capital, mas sim a de Novo Hamburgo.

Ricardo Haberland

 

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Gostaria de questionar estas informações: não creio que esta quantidade de pessoas que saem da capital em direção a outras cidades seja característica de uma cidade dormitório, ou seja, tornem Porto Alegre uma típica cidade dormitório. Esta característica sim, tem mais a ver com o grande dinamismo natural de uma região metropolitana, que não tem esta designação apenas pela proximidade de centros urbanos, e sim, pela forma como essa população interage. 93 mil pessoas num universo de 1,5 milhão do município, não representa dados de dormitório. Me desculpe os técnicos do IBGE. Podem estar passando uma forma errônea de se observar a conurbação de Porto Alegre. E também, creio que esta característica não seja exclusividade de Porto Alegre, pois outras regiões metropolitanas também possuem cidades largamente industrializadas, atraindo residentes das capitais, como é o caso de Belo Horizonte, São Paulo, Salvador, etc… E se, realmente, o PIB industrial da cidade diminuiu percentualmente em relação a outras áreas do estado, por outro lado, o setor de serviços e comércio é extremamente bem desenvolvido, o que acontece também em várias ouras capitais e cidades pelo mundo.

Gostaria de salientar que o nosso objetivo não é somente detonar Porto Alegre sem questionar os diversos dados que nos veem à mão. Assim como questionamos as informações trazidas pelos mais radicais de um lado, devemos questionar também as informações do outro lado, que tentam aumentar ou distorcer a dimensão dos problemas da cidade.

Gilberto Simon



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1 resposta

  1. Claro que a manchete é típica de jornais (ou seja, exagerada). Porto Alegre não é uma cidade dormitório, lógico.
    Mas há de se observar que perdeu o grau de atração que já teve em outras eras.
    Assim como relativamente a outras capitais POA tambem não viu sua atração ou prestígio crescer (ao contrário).
    O fenômeno é que a capital gaúcha já foi mais vanguardista, mais ousada, mais geradora de empregos, mais moderna, mais em voga, mais bonita, mais invejada. Mesmo ainda tendo muitas qualidades socio-econômicas, Porto Alegre não tá mais com a bola toda pra ser uma cidade invejada entre as capitais brasileiras, ou entre as cidades gaúchas. Dos lugares que tão “fazendo e acontecendo” , a lista de cidades são outras…

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