Porto Alegre, A Cidade Que Não Quer Crescer

O crescimento populacional de Porto Alegre em slow motion, de apenas 0,64% ao ano, é muitas vezes comemorado como algo positivo: menos gente, menos pobreza, menos trânsito, etc.  Mas a realidade é diferente dessa.

poa-aerea-1111Porto Alegre cresce pouco não por ser uma cidade com menos pobreza, mas sim por ser pouco atratativa. A cidade espanta moradores e empresas pelos altos custos (IPTU e ISSQN altos), transporte ineficiente, trânsito ruim, violência e muitos problemas urbanos que são comuns a grandes cidades – e Rio e São Paulo crescem pouco pelos mesmos motivos. Mas há duas diferenças entre Porto Alegre e as duas cidades acima que mostra que esse baixo crescimento está longe de ser algo bom e deve ser encarado como um problema a ser combatido. Devem ser feitas campanhas para tornar Porto Alegre mais atraente, para empresas, indústrias e junto com elas, moradores. E nossos vereadores e o Prefeito Fogaça devem sair do marasmo e arregaçar as mangas para combater o problema.

Rio e São Paulo já esgotaram seu espaço físico. Crescer, para essas duas cidades, significa concentrar um número maior de pessoas no mesmo espaço, causando os problemas que todo mundo conhece  sendo resultado da alta densidade populacional. Já Porto Alegre tem 30% da área desocupada, principalmente na zona leste e na imensa zona sul. Há lugares que podem ser aproveitados para que seja direcionado o crescimento da capital. Porto Alegre cresce menos que cidades já lotadas – um outro exemplo é Recife, cidade com  praticamente a mesma população de POA e área razoavalmente menor, com crescimento populacional um pouco maior, tendo que suprir esse problema com prédios de 40 andares. Se algumas entidades já chamam de “arranha-céus ”  os predículos  de míseros 43 metros do Pontal do Estaleiro, imagina se conhecessem Recife, onde é comum construir-se prédios com 130 metros… devido à cidade não ter para onde crescer.

Quando há mais demanda, há mais serviços. Longe de ser um problema, o crescimento populacional aumenta a demanda por serviços (alavancando o setor terciário da economia) e atrai investimentos, tornando a economia da cidade mais sólida e pujante. Isso se reverte em maior número de salas de cinema, livrarias, eventos, shows, que passam a atrair, também, mais turismo. O crescimento, quando planejado e feito não de forma desordenada, não forma bolsões de pobreza – estes são resultantes do inchaço, um crescimento tão grande que a cidade é incapaz de absorver e assim gera o problema conhecido como macrocefalia urbana. Se houver uma política que incentive investimentos da iniciativa privada a fim de gerar infra-estrutura para o setor turístico, isso servirá de incentivo para desenvolvimento também desse setor, gerando emprego, renda e maior arrecadação de impostos que poderá ser investido em melhorias sociais e urbanas pela Prefeitura.

Essa área livre de Porto Alegre é uma oportunidade de ouro para crescer com planejamento. Havendo um planejamento adequado para ocupação da região, ela poderá crescer de uma maneira tão ordenada que tenha problemas urbanos pequenos apesar de sua grande extensão. Atualmente, o que existe é uma tentativa de impedir o crescimento da cidade (como consta no site da própria prefeitura, “impedir que se torne uma imensa aglomeração urbana”) devido à ilusão de pensar que isso vai gerar qualidade de vida para a população. É o mesmo que nao querer que uma árvore cresça e colocá-la num vaso pequeno. Isso nao vai adiantar – numa hora, as raízes vai crescer a arrebentar o vaso. Com nossa cidade acontece algo semelhante. A população cresce a passos de formiga, mas as regiões livres são ocupadas com uma velocidade razoável. Só na Edgar Pires de Castro já são oito condomínios horizontais. Esses condomínios são fechados e murados.  O que acontece é uma multiplicação de enclaves urbanos, criando mini-cidades muradas e privatizadas dentro da cidade e uma rápida devastação do verde. Tudo porque a cidade não quer crescer e impõe no plano diretor índices construtivos baixíssimos para essa região. Se mudasse de opinião e liberasse construções de edifícios, com maior altura, diminuiria  a volumetria – e teríamos prédios mais altos com muita área verde em volta. O verde seria preservado – e haveria espaço para planejar ruas e avenidas largas entre os prédios, aumentando a capacidade de fluxo de veículos e melhorando a insolação, com maior afastamento entre edifícios. Isso também diminuiria a necessidade de verticalizar as regiões centrais, já saturadas e boa parte delas construídas quando a cidade possuía apenas 10 mil veículos, sendo inviável ampliá-las devido ao alto custo com desapropriações.

O segundo problema é que a cidade vai crescer de qualquer jeito – mas via Grande Porto Alegre. A cidade perde importância dentro da região metropolitana (a partipação na populacao e PIB vem caindo constantamente) e isso ocasiona uma perda na influência de Porto Alegre no Brasil como um todo, além do Rio Grande do Sul. E essa é a segunda diferença entre POA e Rio-SP. Essas duas já são consideradas metrópoles globais, são as de maior influência e importância no país e no continente, tendo importância internacional. A nossa não vai muito além da divisa com Santa Catarina. Potencial para mudar isso e se tornar uma cidade com projeção também mundial é inegável. Estamos no ponto equidistante entre Rio-SP e Buenos Aires-Montevideo. Somos a quarta maior cidade do mundo ao sul do Trópico de Capricornio. Temos um enorme potencial turistico, comercial, industrial e urbanístico. A cidade precisa ousar – e precisa, antes de mais nada, querer crescer. E planejar esse crescimento em vez de evitá-lo e deixar passar essa oportunidade.



Categorias:Arranha Céus, Industrialização de Porto Alegre, Meio Ambiente, Opinião, Zona Sul

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28 respostas

  1. Muito bom, eu não sabia desta situação de Poa sobre cres. Pop.A muito procurava esses dados como estudo e cultura.Obrigado.

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  2. NÃO MORO EM PORTO ALEGRE, MÁS JÁ FUI LÁ TEM MUITO OQUE MELHORAR……………..
    SE NÃO COMO VAI FICA A CAPÍTAL DO RS

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  3. se eu me candidatar a prefeito e acabar com essa porcaria de tabu de PORTO ALEGRE TER APENAS 1 ARRANHA-CÉU vocês votam em mim ? 🙂

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  4. Felipe,

    Há equívocos no texto que ilustram o tipo de pensamento que muitas pessoas educadas acabam por ter.
    Crescimento populacional não é sinônimo de progresso. As mais desenvolvidas cidades do mundo, por exemplo Londres, Berlim, Paris, Chicago, Nova Iorque não crescem mais. E o que é mais significativo: estão diminuindo de população!!!
    Cem mil pessoas sem educação e poucos recursos fazem muito menos do que 1000 pessoas educadas (e falo de formação intelectual e moral). Nenhuma cidade suíça tem 1 milhão de habitantes!
    Não podemos esquecer que as tais “áreas desocupadas” são o pouco que há de uma fauna e flora originais da cidade e seria ótimo que fossem protegidas e exploradas pelo ecoturismo – e não base para assentamento de prédios.
    Acho que há muito o que se fazer em transporte público e melhor manejo das áreas disponíveis, com melhor qualidade e preservação de áreas verdes.
    Crescimento populacional contínuo não é o tipo de “desenvolvimento” que pessoas educadas em todo o planeta buscam,

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  5. Concordo, Porto Alegre deveria reduzir, no mínimo em 5% dos impostos (IPTU e ISSQN) porque eles estão muito altos, moro em Porto Alegre, e iria gostar muito se iria reduzir, acho que 5% iriam ajudar claro que quanto mais melhor.
    E acho que todos os poucos 1.409.393 habitantes, porque uma cidade com 239 anos como POA no mínimo deveria ter 1.800.000 habitantes.

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  6. linha de onibus com ar condicionado pra toda Porto Alegre seria bom, tambem abaixar a passagem, pq quando eu tinha cinco anos era quase4,00 R$ agora 2,45

    PO eles podiam deichar na faixa de 2,00R$ ne?

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