Por quê a cidade parou ontem ?

Falta diálogo, sobra confusão

Congestionamento para a cidade

Congestionamento para a cidade

Obra do Dmae na Avenida Mauá sofre atraso, e EPTC não conseguiu sinalizar o trânsito a tempoUma falha na comunicação entre o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) e a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) contribuiu para um grande transtorno no trânsito da região central de Porto Alegre, na manhã de ontem. Apesar de a situação ter voltado ao normal à tarde na Avenida Mauá – epicentro do problema –, no fim do dia, o caos voltou. Desavisados, muitos motoristas pensaram que as obras não haviam terminado e congestionaram o Túnel da Conceição, em mais uma hora e meia de agonia.

O problema teve início porque técnicos do Dmae não teriam avisado a tempo a EPTC de que o conserto de uma adutora na Avenida Mauá – inicialmente previsto para terminar durante a madrugada – avançaria manhã adentro. A via é uma das principais entradas da cidade, por onde circulam cerca de 7 mil dos 10 mil veículos que, nos horários de pico, passam por hora pelo Centro.

– Nós avisamos a EPTC que iríamos trabalhar na área. E também que a nossa previsão era de que o conserto terminaria durante a madrugada. O que aconteceu é que as equipes de trabalho não perceberam as outras questões envolvidas, como o fato de a Mauá ter um trânsito complicado – avalia o engenheiro Flávio Presser, diretor-geral do Dmae.

A hora do pico na região é das 7h às 10h. Fernando Michel, diretor de transporte da EPTC, disse que recebeu a informação de que o conserto continuaria pela manhã apenas por volta das 6h45min. Imediatamente, colocou em ação um plano de emergência, que desviou veículos para outras vias e alterou o tempo de vários semáforos na área.

– Se o comunicado fosse feito com antecedência de três horas, por exemplo, os problemas seriam menores, porque teríamos como avisar as pessoas para que usassem outros caminhos – disse Michel.

Lentidão teve reflexos em outros bairros próximos

O resultado da falta de comunicação: centenas de pessoas foram prejudicadas ao não conseguir chegar ao trabalho ou cumprir compromissos com horário marcado, já que o congestionamento que começou na região central teve reflexos em vias como a Castelo Branco, a Farrapos, a João Pessoa e até a freeway.

A cozinheira Emilia Leal se atrasou no trabalho por ter ficando mais de um hora à espera do ônibus na parada da Estação Rodoviária. Das 350 linhas de coletivos da cidade, 75% passam pela área central.

O engarrafamento de trânsito começou às 7h30min no Centro e se estendeu até as 10h30min, se alastrando pelos bairros vizinhos, como o Bom Fim e a Cidade Baixa. O motorista de táxi Salustiano Antonio Farias, que trabalha no Centro, sentiu o reflexo do problema no bolso:

– Normalmente, faço 12 corridas pela manhã. Hoje (ontem) fiz quatro, porque fiquei trancado no trânsito. Quem paga o meu prejuízo?

Zero Hora



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3 respostas

  1. Veja bem Filipe, eu propus a mao dupla para a 24 de Outubro somente no trecho entre a Perimetral e a Goethe, que é bem largo, e hoje é muito mal utilizado, com gargalos malucos e sinalizacao deficiente. O trecho seguinte, entre a Goethe e Ramiro, poderia continuar em binário com a Mostardeiro, pois é realmente estreito.

    Além disso, nao acredito que construir túneis aumentar faixas seja a solucao. Túneis apenas levam o problema para outro lugar. Muitas cidades têm conseguido mitigar congestionamentos REDUZINDO o número de faixas para carros particulares, transformando-as em áreas para pedestres ou corredores de transporte coletivo. Pesquisem sobre o que Nova Iorque andou fazendo nesse sentido, é fantástico 🙂

    Isso poderia ser adotado para o eixo Independência/24, pois a regiao tem uma demanda formidável, basta ver a quantidade de origens e destinos de viagens há naquela regiao. Outro indício é que linhas “estranhas” como o 520, sempre lotam! Talvez a solucao final para o eixo nao seja o que eu propus, e sim o seguinte:

    Av Independência: corredor de ônibus nos dois sentidos + duas faixas centro-bairro. Fluxo bairro-centro pela Vasco e Cristóvao. Essa quebrada pela Ramiro/Cristóvao é um porre, mas creio que o aumento da oferta de transporte coletivo ajudaria a dissolver esse problema.

    Av. Mostardeiro: corredor centro-bairro, + duas faixas centro bairro + área de pedestres, mesma coisa no trecho correspondente da 24.

    Av. Goethe: corredor centro-bairro + faixas já existentes (cabe um adendo: a Goethe é um exemplo típico de gargalo, limitemo-a para duas faixas duma vez – ou chutemos o balde e facamos um corredor de ônibus duas maos em toda segunda perimetral, para desafogar o centro duma vez).

    Av. 24 de Outubro: corredor duas maos + duas faixas de trânsito Bairro-Centro. Fluxo centro-bairro pela Eudoro e Anita… o único porém é a perda da tranquilidade no bairro. Por ser uma via de fluxo alto, seria importante ter bastante segregacao com a calcada, e travessias seguras nos pontos de demanda. Urge também corrigir a montanha russa que é a Eudoro, e alguma solucao para que seu trânsito volte para a Plínio de uma forma menos horrenda. Nessas horas, um túnel até faria sentido.

    Porto Alegre precisa mudar os seus paradigmas. Precisa voltar a ser modelo, priorizar o transporte público, a bicicleta, o pedestre. Isso funciona em cidades bem maiores, porque nao haveria de funcionar aqui?

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  2. 2 faixas de cada lado na 24 nao dá certo, com 4 faixas pra um lado só ela já congestiona muito. Defendo um túnel na 24, ligando ela á independencia, pra poder ter os dois lado sem perder faixas.

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  3. Eu consegui atravessar o túnel e pegar a Farrapos em direção ao Norte e vi, no contra-fluxo, a pavorosa fila de ônibus, que começava na rodoviária e ia até depois do Terminal Cairú. Isso é inaceitável, pois prejudica o trabalhador que depende do ônibus, e desestimula o uso do transporte coletivo – o que já acontece, haja visto o declínio no número de passageiros nos últimos anos. Existem soluções simples para esse problema:

    1) a partir do momento que ônibus entra em corredor, ele deve ficar em corredor até seu terminal no centro. O corredor não pode ter obstruções, e ele deve ser segregado em TODO trajeto no centro. Hoje, os ônibus vão no corredor até os limites do centro, onde voltam às ruas normais, e precisam disputar com veículos particulares. Isso não faz sentido.

    2) a maior parte dos ônibus na fila tinha menos de 60% de ocupação, coisa inesperada para um horário de movimento. Isso vem do excesso de superposição de linhas nos corredores. As linhas lá dos bairros mais afastados, que atendem lugares muito específicos, onde nem todos usuários precisam realmente ir até o centro, acabam chegando muito vazias e, por serem várias linhas distintas, acabam requerindo vários veículos, aumentando os custos, o tamanho da fila, a poluição, a “imprevisibilidade” do sistema.

    O projeto “Portais da Cidade” se propõe a resolver isso, mas requer muitas obras de infraestrutura, as tais estações de integração. As integrações não precisam ser necessariamente em “Portais”, construções enormes… as integrações das linhas “de corredor” com as linhas “de bairro” poderiam, em um primeiro momento, ser feitas ao longo do corredor.

    Por exemplo, a linha para o bairro Jardim Botânico teria uma parada na Protásio, digamos, perto do Colégio Santa Inês, onde pegaria/deixaria os passageiros, seguindo para dentro do Bairro. Essas linhas de bairro teriam um percurso bem menor, e acabariam sendo muito mais pontuais e confiáveis, podendo ser cumpridas com poucos ônibus.

    O problema dessa solução é que ela requer vontade política e braço para convencer as empresas de que esse modelo é adequado, e acertar um modelo de distribuição do valor das tarifas que seja justo para todos.

    Infelizmente, já andei no rádio ouvindo propostas mirabolantes como construir uma “freeway” continuando a Castelo Branco, pela Mauá e Beira-Rio, até a zona sul. É uma péssima idéia, e continuaria sendo um problema em dias como o da obra. Isso pra não falar no tráfego induzido! Construir mais e mais pistas para carros não é a solução!

    De novo, soluções simples precisam ser tomadas para reduzir congestionamentos, que nada mais são do que conflitos entre motoristas por espaços.

    1) as vias ditas rápidas precisam ter menos gargalos. Uma via de que se diz três faixas deve ter três faixas em TODA sua extensão. Caso contrário, caso ela se estreite em determinados pontos, estes pontos vão limitar toda ela. A solução para isso é limitar por baixo: se existe um trecho da via onde ela não tem espaço para três faixas, ela deve ser reduzida para duas faixas em toda sua extensão. De preferência, isso deve ser feito aumentando áreas verdes e calçadas, e não criando vagas de estacionamento.

    2) as vias ditas rápidas precisam permitir mais conversões a esquerda, mesmo que isso implique em mais tempos de sinaleira. Hoje, temos muitos laços de quadra, o que traz congestionamentos a ruas antes residenciais ou calmas.

    3) é necessário acabar com o rat-running, que é a prática de usar ruas menores e residenciais para fazer atalhos. Tais ruas precisam ser mais estreitas, ter traffic-calming, tornando essa prática desvantajosa. Existe também o rat-running “compulsório”, que torna ruas estreitas em residenciais em “artérias”, como a Anita Garibaldi, a Eudoro Berlink. Isso precisa ser resolvido de uma maneira mais eficiente. No caso da Eudoro, poderia se estudar converter a 24 de Outubro em mão dupla, duas faixas para cada lado, o que forçaria o tráfego a ir mais devagar, mas deixaria as ruas calmas mais calmas.

    Mas enfim, o Fogaça não me ouve e não me contrata para ser assessor dele =/

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