Navegação convive com armadilhas no Guaíba

navioPróximos da ponte móvel, quatro navios abandonados ameaçam segurança de outras embarcações e de atletas de remo

O perigo causado pelos navios fantasmas no leito do Guaíba não se resume às 11 embarcações que estão à espera de um destino no Cais do Porto, na Capital. A menos de um quilômetro da ponte móvel, em direção ao Rio Gravataí, outros quatro navios também estão abandonados nas águas em um dos principais cartões-postais da cidade.

O Santa Rosa é o que apresenta a maior ameaça às outras embarcações. Não bastasse estar parcialmente submerso, o que dificulta sua visualização, ele está a pouco mais de cinco metros da área delimitada para a circulação de grandes embarcações. Com a carcaça enferrujada, o navio acumula muita sujeira, provocando um forte mal cheiro e está preso apenas pelo casco no fundo do Guaíba.

Apesar de não estar na faixa de navegação e ainda não ser considerado uma ameaça pela Capitania dos Portos, o Santa Rosa se tornou uma armadilha a atletas dos cinco clubes de remo que utilizam o local como raia de competição. Nos períodos em que o nível do Guaíba está mais elevado, apenas uma pequena parte do navio de 40 metros fica visível e não dá a dimensão do tamanho do perigo.

Em outubro de 2008, ao passar sobre uma das pontas submersas da embarcação durante um treinamento, um dos remadores do Guaíba-Porto Alegre acabou quebrando o casco de um dos barcos mais caros do clube – um skiff, no valor de R$ 7 mil. Em razão do perigo, o presidente do GPA, Ricardo Diefenthaeler, diz que até mesmo as competições nacionais da modalidade ficam comprometidas.

– Essas regatas são de 2 mil metros, e com aqueles barcos ali não há como serem realizadas – afirma.

Em alguns casos, atletas chegam a correr o risco ao remar na área destinada à navegação, diz o coordenador do departamento de remo do GPA, Marcos Böttcher.

– O trânsito de barcos a remo pelo canal de navegação também constitui um risco, mas foi a maneira encontrada pelos remadores para manter seus treinamentos – diz Böttcher.

Segundo o encarregado da Divisão de Segurança do Tráfego Aquaviário da Capitania dos Portos, capitão de corveta Leandro de Oliveira Pires, apenas um – o navio Sant’Ana – ainda não aparece na lista da Marinha de embarcações abandonadas no Guaíba. Ele explica que todo barco abandonado deve ser comunicado à Capitania. Após cinco anos, se o proprietário não buscá-lo, a propriedade passa para a União. O capitão nega que o Santa Rosa afete a segurança da navegação no local. Mesmo assim, promete uma solução aos barcos abandonados:

– Vamos verificar a situação de cada uma e ver quem são os proprietários para que elas tenham um destino.

gustavo.souza@zerohora.com.br

GUSTAVO SOUZA

Outro perigo
Na semana passada, Zero Hora mostrou outra face do problema. Atracadas no cais do porto, 11 embarcações desativadas provocam riscos no Guaíba

 

ZH

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Este caso dos navios abandonados é mais um exemplo do descaso para com o Guaíba e para com a cidade de Porto Alegre. Apenas mais um.



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