Aeroporto Regional

Os apagões que fecharam o Aeroporto Internacional Salgado Filho na quarta, na sexta-feira e neste sábado pela manhã, paralisando voos e exasperando passageiros devido à neblina, se repetem sem que haja perspectivas de solução. Enquanto os paranaenses dispõem há sete anos de moderno equipamento antineblina no Aeroporto Afonso Pena, na Grande Curitiba, os gaúchos padecem com atrasos e cancelamentos de viagens.

Neste sábado pela manhã, por exemplo, o aeroporto ficou fechado para pousos e decolagens entre 1h30min e 7h30min.

Desde janeiro de 1997, quando se iniciaram as obras de modernização do Salgado Filho, que as autoridades anunciam a intenção de ampliar a pista do aeroporto para instalar o equipamento ILS 2 (Instrumental Landing System). Sem poder contar com o ILS 2, que permite operações com até 30 metros de teto (expressão que se refere à altura da camada de nuvens), continua dependendo do defasado ILS 1, que exige um teto de 60 metros.

Doze anos se passaram, sobraram promessas, nada foi feito. O novo terminal de passageiros do Salgado Filho foi inaugurado, em 2001, mas a pista continua pequena demais: 2.280 metros de comprimento por 42 metros de largura. A superintendente regional da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), Lia Segaglio de Figueiredo, explica que, para comportar o ILS 2, a pista deve ter no mínimo 3,2 mil metros de extensão.

– O ILS 2 é um equipamento caro e complexo, que precisa de infraestrutura plena para funcionar – esclarece.

A ampliação da pista é considerada cara e trabalhosa, por implicar a remoção de 2.978 famílias das vilas Dique, Nazareth e Floresta. Ao longo dos anos, elas foram se expandindo junto à cabeceira e à lateral da pista do aeroporto, sem que houvesse providências ao menos para estancar o loteamento irregular.

A transferência dos moradores, para permitir a ampliação da pista, atravessou as administrações de quatro governos estaduais (Antônio Britto, Olívio Dutra, Germano Rigotto e Yeda Crusius) e de prefeituras (Raul Pont, Tarso Genro/João Verle e o reeleito José Fogaça). Também acionou os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Ninguém resolveu.

Limitação da pista impede voos diretos para outros continentes

Pilotos querem o ILS 2, mas sem riscos para as manobras de pouso e decolagem. O diretor de Segurança de Voo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Carlos Camacho, alerta que a pista atual do Salgado Filho é pequena demais para funcionar com o ILS 2. Do jeito que está, ele prefere continuar operando com o ILS 1, mesmo enfrentando atrasos ou cancelamentos de voos em dias nublados e de cerração.

– O que Porto Alegre precisa é de outra pista – observa o representante dos pilotos.

A pista acanhada, sem o ILS 2, não acumula prejuízos apenas com os atrasos e cancelamentos de viagens. Ela também não permite a partida de voos diretos para outros continentes, como América do Norte ou Europa. Aeronaves de grande porte, como MD-11 ou 747-400, só podem decolar do Salgado Filho com 60% da sua capacidade de carga, inclusive de combustível. Voos de longa duração que partem da Capital precisam fazer escala em São Paulo ou no Rio de Janeiro.

A limitação desestimula o uso de aviões para a exportação de mercadorias, pois a necessidade de paradas para reabastecimento encarece o frete. Estimativas da Infraero apontam que cerca de 70% dos produtos gaúchos destinados ao transporte aéreo sejam levados de caminhão até São Paulo, onde são embarcados em aeronaves.

As sucessivas promessas de se ampliar a pista e instalar o ILS 2, para acabar com o pesadelo de passageiros e exportadores, não foram cumpridas. A nova previsão, sem garantias, ficou para 2010.

 

Curitiba já resolveu o problema há sete anos

A neblina também infernizava os passageiros que utilizavam o Aeroporto Internacional Afonso Pena, na região metropolitana de Curitiba. No entanto, ao contrário do Rio Grande do Sul, o Paraná conseguiu a instalação do moderno equipamento ILS 2, em 2002, estancando a rotina de atrasos em pousos e decolagens.

Pela posição geográfica de Porto Alegre, o Aeroporto Internacional Salgado Filho seria mais estratégico que o Afonso Pena por estar no epicentro dos países sócios do Mercosul. Mas o fato é que os paranaenses foram mais competentes no enfrentamento à neblina. A implantação do ILS 2 no Afonso Pena levou apenas seis meses, a partir do lançamento do projeto.

As autoridades do Paraná também foram mais previdentes no planejamento de longo prazo. O Afonso Pena está localizado em São José dos Pinhais, a 18 quilômetros do centro de Curitiba, numa área distante do assédio de loteamentos irregulares. Para instalar o ILS 2, não foi necessário remover famílias da cabeceira da pista. Um dos poucos inconvenientes foi a poda de árvores, que poderiam pôr em risco as decolagens.

O ILS 2 não eliminou os fechamentos de pista no Afonso Pena em dias de nevoeiro. Mas reduziu a aflição de pilotos, tripulação e passageiros. Em 1999, sem o equipamento, o aeroporto fechou por 453 horas, o que afetou 408 voos. No ano passado, numa prova da eficiência do ILS 2, o Afonso Pena somou 158 horas e 18 minutos de pista impedida, com prejuízos a 305 voos.

A direção do Afonso Pena informa o tempo de fechamento de pista em decorrência da neblina. A do Salgado Filho prefere não divulgar. Zero Hora fez insistentes pedidos, sem resultado.

O aparato antineblina no país
Dos 67 aeroportos administrados pela Infraero no Brasil, somente três dispõem do equipamento antineblina ILS 2:
> São Paulo (Guarulhos/Cumbica)
> Rio de Janeiro (Galeão)
> Curitiba (Afonso Pena)
Fonte: Fonte: Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer)

 

Zero Hora

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Esse texto é uma ótima metáfora da decadência de Porto Alegre  no que tange sua expressão frente outras metrópoles brasileiras. 

A qualidade de vida de Porto Alegre nasceu nos anos 70. Nós últimos 20 anos, a cidade, antes um destaque na Região Sul e no Brasil, se tornou apenas uma cidade grande, sendo acima de SC pouco lembrada, pouco desejada.

RicardoH



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3 respostas

  1. Belo texto. Boa mensagem.

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  2. Realmente o atraso mental em que o Rio Grande se encontra há alguns anos (diria 5 anos) está chegando a um ponto extremo. Um dos estados mais promissores do pais está se tornando mediocre e o povo não tem mais esperança, apenas aceita a realidade e paga o preço – como no caso dos atrasos exorbitantes. Estava refletindo sobre como passou rápido os quatro anos do Governo Ieda – ano que vem iremos novamente às urnas – e nada de relevante foi feito. A mesma história se repete como foi com o Rigoto, quatro anos de inércia, apenas a conversa repetitiva de equilibrar as contas. Espero que tenhamos mais sorte e visão nas próximas eleiçoes e que haja ainda algum candidato que não tenha decepcionado. Sabemos que o estado também depende do povo, mas será que pagar todos os impostos e trabalhar 8 horas por dia já não é o suficiente, o que podemos fazer mais para levarmos o nosso estado adiante? Espero que com a fomentação de obras gerada pela realização da copa do mundo nos traga desenvolvimento e modernização pelo menos na nossa capital e que isto seja um exemplo para as outras cidades. Espero que não seja apenas mais uma forma de desvio de dinheiro publico e mais corrupção. Eu ainda acredito no Rio Grande do Sul e nas pessoas que dividem comigo desta realidade monótona.

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  3. O tamanho da pista do Aeroporto de Porto Alegre reflete o tamanho da cabeça da maioria (não todas) das pessoas que vivem nessa cidade. Nada é por acaso.

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