Portoalegrenses não quererem crescimento nenhum, obra nenhuma, em pretexto nenhum

Quem mora no coração do Moinhos ou até mesmo na ponta do Rio Branco e não trabalha na sua própria rua, certamente passa pela Avenida Goethe. Importante via de ligação daqueles que vêm da Zona Norte e vão para Zona Sul, a conhecida e já consagrada avenida das comemorações pelos campeonatos futebolísticos é fora desses festivos e raros períodos o palco da demonstração clara (e triste) que Porto Alegre segue em ascendente crescimento rumo ao caos urbano em relação ao trânsito.

Não obstante as vitais questões ecológicas a serem observadas, vivemos um tempo de necessárias mudanças na formatação das vias de escoamento do fluxo de veículos. Para isso, contudo, e até ironicamente, é necessário que se abram caminhos através de ações nem sempre vistas com bons olhos pelos defensores da natureza. Porém, nota-se também que nobre causa está a ser utilizada como desculpa e ferramenta de manobra a favor de interesses de um grupo. É o que muito provavelmente aconteceu em 2002.

No trecho da Goethe, entre as ruas Dona Laura e Castro Alves, forma-se um sufocante e atravancador  gargalo  devido à mudança da trajetória de forma abrupta das pistas de três (e até quatro)para somente duas, em ambos lados, sentidos Centro-bairro e bairro-Centro.

Ao lado das pistas, junto ao meio-fio, correm calçadas com mais de quatro metros de largura, onde vê-se pessoas passando distantes quase dois metros umas da outras, assistindo aos veículos andarem centímetros a cada minuto durante o horário de pico. É importante que o espaço do pedestre seja respeitado e protegido. Porém, naquele trecho está mais do que claro que está necessitando receber a terceira pista, fazendo com que o trânsito flua de maneira melhor e mais lógica. As largas calçadas e alguns dos postes recuados (ou seja, não junto do meio-fio) provam que há alguns anos já falava-se nesse remanejo e posterior alargamento das pistas para veículos.

No final de 2001, a prefeitura havia finalizado processo de definição de projeto e passaria à execução de uma obra que reorganizaria não só esse trecho, mas toda extensão da avenida, emendando-se à Rua Mariante onde há largos canteiros centrais e faria com que um mais seguro e lógico traçado fosse definido para fazer esse trajeto fluente ao trânsito. A verba estava garantida, e seriam realizadas as obras para os terríveis alagamentos da Goethe, concomitantemente, para evitar mexer duas vezes e atrapalhar o trânsito.

Eis que um primeiro passo causou muita polêmica: as árvores ao longo da avenida, cerca de 50, falava-se na época, teriam de ser cortadas. A prefeitura apresentou um projeto de compensação de plantio de cerca de 400 árvores no bairro e no entorno, além de novas na avenida. A associação do bairro  foi convocada e uma reunião/apresentação do projeto foi mostrada no Clube Caixeiros Viajantes. Aberta ao público e a colocações dos presentes, houve grande alvoroço quando um vereador manifestou-se dando a entender que tal prática não procedia, pois as árvores eram antigas e patrimônio do bairro.

Esta importante obra antevia a necessidade que hoje só se faz ainda mais clara de urgência. Mas isso não foi a visão da maioria que inclusive motivada pela reivindicação do vereador o apoiou e uma ação judicial foi impetrada embargando a obra, situação que permanece até hoje. Sofremos as consequências de articulações políticas e econômicas que em verdade não visam ao bem da população, ao contrário, usam isto como desculpa para satisfação de interesses pessoais.

Blog ZH Moinhos



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2 respostas

  1. Para Poa crescer precisa urgente de uma grande mobilização popular a favor de novos investimentos, como as do cais do porto, o entorno do Inter, ou a cidade vai continuar estagnada ao marasmo sendo governada pelos ecoxiitas ainda por muitos anos… As pessoas precisam entender que a cidade esta feia e que pode melhorar muito. A votação do projeto do Pontal é o mais absurdo exemplo que os vereadores e prefeito não mandam nada, e por tabela querem que a cidade fique como está, cheia de lixo, ratos e ruinas, alem de não ter acesso seguro. ISSO É UMA VERGONHA!!! Acho que os meios de comunicação em massa deveriam começar a divulgar algumas verdades, mostrar ao povo toda verdade, acabar com essa gente do CONTRA TUDO E DO NÃO.

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  2. Essa realidade vale para toda a cidade, não só para uma Avenida.

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