Ruas da Capital são desaprovadas em pesquisa

Estudo da UnB revela que relevo acidentado e falta de continuidade das vias de Porto Alegre desorientam e afetam trânsito

Porto Alegre tem uma das piores malhas para a circulação de automóveis, segundo um estudo que comparou 164 cidades de todo o mundo. A capital gaúcha apareceu em oitavo lugar entre as que têm vias que oferecem maior dificuldade para se ir de carro de um ponto a outro. Entre as 44 cidades brasileiras analisadas, ficou em situação melhor apenas do que Florianópolis, Ouro Preto, Rio de Janeiro e Salvador.

O trabalho, do doutor em arquitetura e urbanismo Valério Medeiros, pesquisador colaborador da Universidade de Brasília (UnB), aponta que Porto Alegre tem um índice ruim porque combina dois elementos complicadores em seu traçado. O primeiro deles, o relevo, aproxima a Capital da situação do Rio: os morros da cidade servem como obstáculo para o trajeto das vias e cria vazios urbanos que afastam bairros de periferia da área central.

No segundo elemento, a metrópole do Rio Grande do Sul se aproxima do caos paulistano: várias regiões têm seu desenho no padrão de colcha de retalhos. Isso significa que as vias têm pouca continuidade de um bairro para o outro, exigindo muitas mudanças de direção e, por conseguinte, aumentando as distâncias relativas. Um exemplo é a Avenida Anita Garibaldi.

– Porto Alegre é uma cidade com uma malha que cria dificuldades para a circulação. As condições não são favoráveis para um grande volume de automóveis. Pela falta de continuidade das vias, o motorista é obrigado a mudar muitas vezes de direção. Essas mudanças criam uma sensação de desorientação – analisa o autor do estudo.

Medeiros resolveu fazer o trabalho por acreditar que a questão do traçado das vias vem sendo negligenciada pelos engenheiros de tráfego em seus esforços para melhorar a circulação nas cidades. Medeiros deixou de lado elementos mais estudados, como tamanho da frota.

O diretor de trânsito e circulação da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Sérgio Marinho, reconhece que o traçado urbanístico da Capital cria dificuldades para o fluxo de veículos:

– Além de o traçado de Porto Alegre ter surgido sem planejamento, a topografia é acidentada. Tentamos adaptar e minimizar esses impactos.

Como as cidades foram avaliadas

Programas de computador calcularam os trajetos possíveis, avaliaram as mudanças de direção necessárias para ir de um ponto a outro e mediram as distâncias percorridas. O resultado foi o índice de integração global.

Quanto menor, piores são as condições de deslocamento. O índice de Porto Alegre foi de 0,350. A média das 44 cidades, 0,764. Ter um índice melhor não significa fluxo melhor, pois depende de fatores, como a quantidade de carros que circulam.

Zona Sul tem poucas alternativas

O pesquisador nota que a região sul da Capital, em razão das poucas alternativas de acesso, é a menos ocupada da cidade – com potencial para adensamento da população.

Uma política para expandir a cidade para aquela região passaria por criar novos acessos – não apenas vias contornando os morros, mas também túneis.

Sugestão é abrir novas rotas de acesso

O pesquisador Valério Medeiros defende que, a partir da análise das falhas da malha viária feita no estudo, é possível tomar medidas para melhorar o fluxo.

Em Porto Alegre, a solução ideal para as zonas com padrão de colcha de retalhos seria abrir vias contínuas em lugar das ruas interrompidas de hoje. Mas ele reconhece que é uma solução cara, que exige desapropriações. A alternativa, diz, é investir em transporte público mais eficiente.

Municípios brasileiros fracassam em ranking

Comparadas com cidades de outros países, as brasileiras têm na média as ruas que mais dificuldades oferecem para o condutor chegar ao seu destino. O pesquisador Valério Medeiros contrapôs os dados de 44 municípios do país aos de 120 metrópoles ao redor do planeta. O índice de integração conjunto das cidades brasileiras foi pior do que o das cidades árabes, da Ásia e do Pacífico, da Europa, da América Latina e da América do Norte.

Um fator decisivo para o mau desempenho brasileiro é o padrão de colcha de retalhos das zonas urbanas. Ele se caracteriza por ruas sem continuidade, o que força o usuário a mudar mais vezes de direção para chegar a um destino.

– Se o crescimento tivesse sido planejado, hoje teríamos condições de trânsito melhores – observa o pesquisador.

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Categorias:Meios de Transporte / Trânsito

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1 resposta

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