Expulsão de grandes empreendimentos versus priviégio mundial de investimento bilionário: que os gaúchos aprendam com a história

Expulsão da Ford inviabilizou reconversão industrial gaúcha

 Se o PT não tivesse mandado a Ford embora, sepultando a reconversão industrial gaúcha, o RS teria um cluster de carros naquela ocasião.

 O cluster já tinha garantido uma laminadora de aço e uma fábrica de pneus, pelo menos – que foram cancelados juntos com a expulsão da Ford.  Gerdau e Good Year já tinham até anunciado seus projetos para Nova Santa Rita e Glorinha.

 Políbio Braga

 

O que vem na esteira da GM

Nove anos depois de inaugurar uma unidade no Rio Grande do Sul, em ato histórico, a General Motors anuncia oficialmente hoje o projeto de ampliação da fábrica em Gravataí, antecipado por Zero Hora em 22 de março, o maior já feito pela montadora no Estado. O anúncio, primeiro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois em solenidade no Palácio Piratini, vem com sabor especial para a montadora americana, que acaba de sair de uma concordata, e abre caminho para novos investimentos em solo gaúcho.

A partir do anúncio oficial da ampliação da General Motors em Gravataí, hoje, a expectativa avança para projetos que acompanharão a expansão. Com o acréscimo entre 100 mil e 145 mil carros ao ano aos atuais 250 mil, a montadora que brotou do solo gaúcho sob o codinome Arara Azul vai exigir mais alimento para alçar voos mais altos. Um dos projetos em estudo é a instalação de uma fábrica de vidros da Saint-Gobain para atender ao aumento de produção, além da expectativa sobre a produção de pneus.

Instalados no Complexo Industrial de Gravataí, os 16 sistemistas devem ser os maiores beneficiados potenciais com a ampliação – outros candidatos podem surgir a partir do detalhamento dos novos carros que sairão das linhas de montagem gaúcha. Vários subfornecedores terão aumento de encomendas, reforçando o polo automotivo do Estado. Além disso, antigos projetos ganham impulso para sair do papel (veja acima).

– Essa ampliação põe o Estado em outro nível. Como praticamente dobra a produção e essa unidade da GM tem a medalha de ser uma das mais produtivas do mundo, o desenvolvimento dessa cadeia vai transmitindo a cultura de inovação, de produção enxuta – entusiasma-se Paulo Tigre, presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs).

Na avaliação do empresário, com o novo porte da GM no Estado será mais fácil de convencer ou motivar empreendedores para avaliar projetos em território gaúcho.

– É como dizem, todo o artista tem de ir aonde o povo está – brinca Tigre, dizendo que a postura dos gaúchos tem de ser a adotada pela Assembleia Legislativa ao aprovar por 49 a zero a Lei de Inovação.

Fabricante de vidros automotivos, a Saint-Gobain Sekurit tem um centro de serviços no site da GM em Gravataí, mas a produção fica em Mauá (SP). O diretor-geral da empresa, Manuel Corrêa, confirma o estudo para construção de outra unidade nos próximos cinco anos.

– Existe a possibilidade de uma segunda planta, e pensamos no Rio Grande do Sul. Além da GM, atenderíamos à Argentina e ao polo automotivo do Paraná – adianta Corrêa.

Outro projeto com grande possibilidade é uma fábrica de pneus, provavelmente da Pirelli, avalia Paulo Fernando Ely, superintendente do Instituto Gaúcho de Estudos Automotivos (Igea). A empresa não comenta.

– Uma fábrica de pneus é a bola da vez. Se a Pirelli não fizer, alguém vai. Mas para a Pirelli é mais lógico – pondera Ely.

Para cada vaga de emprego, surgem mais 10

Com projetos ousados, Braskem e Gerdau ainda não manifestam interesse de tirá-los da gaveta, mas tampouco os descartam. Como o país apenas começa a ver recuperação e o prazo de produção nas novas instalações de GM é de pelo menos dois anos, o tempo pode ajudar. Vice-presidente da consultoria Booz & Company, Letícia Costa entende que o grande efeito irradiador ocorrerá em fornecedores menores.

– Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostra que, para cada emprego na montadora surgem dois nos sistemistas e outros oito em serviços relacionados – resume Letícia.

É o caso da Frenzel, de Novo Hamburgo, especializada em borrachas de engenharia, com 120 funcionários. Entre outras partes, fornece coxins para o Celta – a peça usada na barra de direção como item de segurança. Sílvia Gonçalves, coordenadora comercial da empresa, projeta:

– Com esse incremento, a gente também vai crescer e, consequentemente, tudo a nossa volta.

Única sistemista fora de Gravataí, a Zamprogna hoje faz parte da Usiminas Soluções. A empresa antecipa que já está planejando uma expansão “atenta ao movimento estratégico da GM em Gravataí”.

 Gravataí cresce acima da média

Em uma década, Gravataí arrancou do oitavo posto entre as maiores economias municipais do Estado para o quarto lugar. Para hoje, dia do anúncio da segunda ampliação da GM, não há festa prevista, o que não significa que a terceira expansão da montadora tenha virado rotina.

– A gente faz uma avaliação bastante positiva, principalmente se considerarmos o ambiente ainda de reflexo da crise internacional – afirma a prefeita Rita Sanco (PT), que estará na cerimônia no Piratini, à tarde.

Conforme a prefeita, antes da implantação da GM, havia 5 mil empresas de prestação e serviços cadastradas no município. Hoje, o número saltou para 13 mil, completa Rita:

– Vai proporcionar aumento de receita, sem dúvida, mas também demandará mais serviços públicos, como escolas, postos de saúde, recolhimento de lixo.

Conforme a Fundação de Economia e Estatística (FEE), de 1999 a 2005 houve um salto de 148,1% no Produto Interno Bruto (PIB) do município, enquanto o do Estado foi de 91,3%

 Mais detalhes:

O anúncio de hoje
– Investimento: R$ 2 bilhões
– Aumento da produção: entre 100 mil e 145 mil carros ao ano
– Foco: ao menos dois novos modelos de carros, na faixa de preço de até R$ 30 mil, com muito conteúdo tecnológico
– Financiamentos: estão em negocação cerca de R$ 700 milhões com o BNDES e ao redor de R$ 300 milhões com o Banrisul
– Benefícios: redução de 75% do ICMS
– Condições: aprovação pela Assembleia Legislativa
 
– Depois do nascimento do projeto num jantar em São Paulo, foi com outro jantar, ontem, em Brasília, que a direção da GM e o governo do Estado anteciparam a comemoração do investimento. A governadora Yeda Crusius e os secretários Márcio Biolchi (Desenvolvimento), Mateus Bandeira (Planejamento) e Ricardo Englert (Fazenda) participam do anúncio a portas fechadas ao presidente Lula e depois tomam voo fretado a Capital para a cerimônia no Piratini, às 15h30min. A direção da GM chega em outro avião.

        Zero Hora

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Os investimentos mandandos embora junto com a Ford não se resumem à uma grande laminadora de aço e fábrica de pneus. Uma empresa francesa de cabotagem planejava implantar um moderno sistema de barcas entre Porto Alegre e Guaíba.

O sistema visava não só um transporte bem mais rápido do que a longa e demoradíssima viagem de ônibus (que tem que ir até a zona norte, onde está a ponte que fecha a toda hora, e depois voltar até a altura da zona sul, onde está Guaíba, andando quase 40 quilômetros)  mas também visava o turismo , com passeios muito bonitos visualizando outras partes da capital além das visualizadas no passeio-de- sempre nas ilhas, tudo em modernas e confortáveis barcas.

E outros investimentos, claro viriam na cidade de Guaíba, como hotéis na orla e até um parque temático, melhorias na infraestrutura da cidade e, claro, a vinda de mais dezenas de grandes sistemistas.

 

RicardoH

 

 

 

 

 

  



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6 respostas

  1. Os críticos esquecem que quem está estimulando a industria automobilísitca, e está fazendo isso inclusive com isenção de IPI, é o chefe do partido deles, LULA.

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  2. Por mais que se queira que aja investimentos em opções de transportes publicos de qualidade e se empreguem combustíveis não fósseis nos motores dos veículos individuais, pelas próximas décadas, continuaram a ser vendidos milhões de automóveis com motores tradicionais.

    Melhor que sejam fabricados no RS, gerando empregos e impostos por aqui. Provalvelmente quando essas novas tecnologias puderem ser popularizadas, as industrias automobilisticas mais rentáveis serão as primeiras a colocá-las em prática.

    Para se viver num mundo novo é preciso mudá-lo antes. Fazer o contrário é “querer dar soco em ponta de faca”.

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  3. Milhares de pequenos trabalhadores, de técnicos, de engenheiros, de comerciantes, de pequenas indústrias e outras nem tão pequenas. Sem falar nas escolas técnicas, cursos universitários, e todo know how resultante disso. Para quem surgiu junto às montadoras lá em São Paulo há 30 anos, e onde até hoje consegue eleger os prefeitos e deputados, esse argumento é cômico.

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  4. Mais uma empresa de automóveis para explorar a tola mão de obra barata gaúcha. Probres gaúchos, não sabem o que lhes esperam, quando a crise real surgir culparam estas mesmas empresas pelas milhares de demisões, pois os primeiros afetados são os pequenos trabalhadores que se maravilham com estas ilusórias oportunidades que surgem. Só me pergunto, onde vão colocar mais estes milhares de automóveis? Não estão faltando vias?

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  5. São esses crimonosos que votaram contra o Pontal e contra Porto Alegre, só pq o governo não é deles.

    São esses criminosos que querem voltar ao proximo governo do Estado.
    E Tarso, aquele que prometeu “peremptoriamente” não renunciar, e que pediu o impeachmeant de FHC, que está encabeçando a campanha de colúnias contra Yeda.

    Tenho medo do que pode vir por aí.

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  6. Nesse assunto, não dá para comentar sem cair na indignação. Como puderam ser tão estúpidos, a ponto de mandar embora uma fábrica desse tamanho? E fizeram isso só por motivos políticos. O povo que se dane. Está acontecendo agora o mesmo em relação aos investimentos previstos para a copa.

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