Por que somos a favor da construção mista no Pontal do Estaleiro

Nascida estrategicamente a partir de um majestoso lago, debruçada sobre belos morros e paisagens singulares, Porto Alegre sempre esbanjou desenvolvimento, ousadia e pujança. Suas relações diretas com o Guaíba marcaram a cultura local, inspirando até mesmo a criação do nome, uma mistura de cidade portuária com a alegria do crescimento. Tais fatos, porém, são retratos do passado. Aquela cidade vanguardista hoje não deslumbra mais. Não cresce, aparenta estar parada no tempo, enquanto o mesmo faz questão de mostrar que não está parado para ela. Deteriora-se, vive da postura elitista de outrora, ao mesmo momento que nega o melhor do passado: a valorização de sua identidade.

Que Porto Alegre, ao passar das últimas décadas, virou as costas para o Guaíba e rejeitou seu valor histórico-cultural, não há dúvidas. Uma cidade que literalmente foge de suas origens. De início, a população pouco se importou com esta perda do caráter urbano, com a falta de vontade política e com o visível atraso. Hoje esta demonstra em alto e bom tom a necessidade de resgatar aspectos importantes que foram cruciais para o seu desenvolvimento urbano, como a emblemática ligação com o seu amado lago. O porto-alegrense do século XXI não admite em uma cidade que se diz ser a ‘capital da qualidade de vida’ ostentar uma orla mal cuidada, abandonada, sem planejamento e infra-estrutura. Uma imagem desoladora. Neste contexto surge o MOVE-POA, mostrando a verdadeira voz da população, cansada e indignada de ver a sua cidade destruindo qualquer projeção de um aceitável futuro. Utilizando o pôr-do-sol como símbolo de sua luta, o MOVE-POA se propõe a desenvolver a Porto Alegre de hoje, inspirada naquela de ontem: ousada, pujante. Levando como lema o desenvolvimento sustentável, acredita que, com vontade e compromisso, podemos reverter o quadro criado nas últimas décadas.

A orla da cidade deve condizer com sua importância político, social e econômica. Um espaço para lazer, diversão, cultura, mas que seja ao menos vivo. Em resumo, não adianta ser um espaço público, deve ser público, qualificado, interessante e seguro. Em suas diretrizes, o MOVE-POA e o PORTO IMAGEM investem nas Parcerias Público Privadas (PPPs), mostrando que desenvolver a cidade de forma sustentável não é apenas papel dos órgãos públicos. Em uma série de propostas, entre elas figurando o polêmico Pontal do Estaleiro, o MOVE-POA e o PORTO IMAGEM admitem que, a partir do uso misto, a orla poderá voltar a ser valorizada. O MOVE-POA e o PORTO IMAGEM, assim como Porto Alegre, é favorável a investimentos em melhoria da orla de forma racional. No caso citado, transformar uma abandonada área urbana em uma área pública protegida pelo sucesso do uso misto vai favorecer a ligação do porto-alegrense com o lago. De fato não é a solução perfeita para os problemas da orla, mas atualmente, neste caso restrito, o Pontal do Estaleiro foi a melhor solução apresentada, e isto deve ser levado em consideração. O mesmo respeita a vocação do local, o caráter portuário, a relação com o Guaíba, a vocação da orla. Criar um parque urbano com a utopia de que este viria a ser estruturado, levando o meio público a gastar milhões de reais em um espaço destinado ao fracasso vinculado ao abandono, não é uma solução mais interessante que o Pontal.

Em uma época de desenvolvimento, frear o crescimento sustentável da cidade é uma falta de racionalidade. Visando questões como a Copa do Mundo de 2014, somado com a presença da mais importante casa de cultura local – a Fundação Iberê Camargo – e as perspectivas de reestruturação da região do entorno do Estaleiro Só, o Pontal do Estaleiro se encaixa perfeitamente na necessidade atual de melhorias urbanas. Porto Alegre necessita de espaços e vontade (política e privada) que atendam às suas expectativas. Não é a hora de (ab)usar de demagogias baratas e provincianismo banal, este é o momento de acreditar em Porto Alegre, valorizar o Guaíba e abrir precedentes para o seu desenvolvimento de forma sustentável. É a cidade mostrando, com investimento e tecnologia local, que pode evoluir, sem a necessidade de extrair dos cofres públicos quantias de dinheiro que poderiam estar sendo empregadas em questões básicas, como educação, saúde e infra-estrutura.

O MOVE-POA e o PORTO IMAGEM não defendem a verticalização desenfreada da orla, mas sim o estudo caso-a-caso das propostas para qualificação destes espaços, criando e replanejando os ambientes públicos, trazendo VIDA. Questões básicas que se opunham aos já cansados bordões pseudo-intelectuais de discursos pré-estabelecidos.

Portanto, dizer sim ao desenvolvimento sustentável, dizer sim à vocação da orla, dizer sim à valorização da identidade porto-alegrense, é dizer sim ao Pontal do Estaleiro e às construções mistas (comerciais e residenciais)

Equipe do MOVE-POA e PORTO IMAGEM



Categorias:ORLA, Pontal do Estaleiro

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3 respostas

  1. A única imagem que na minha opinião representa descaso é a que mostra um espigão construído tão perto da beira do rio. Obrigado pelo espaço.

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    • Este espaço estará sempre a sua disposição Sr. Petracco. Aqui só moderamos ofensas pessoais. Seu comentário aparece na hora que é postado. Aqui todos tem direito a dar suas opiniões, sejam favoráveis ou contrárias aos fatos em voga. Isto enriquece a discussão.

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  2. Ufa, finalmente encontrei um site de apoio ao Projeto do Pontal. O que mais me irrita na turma do Não é a alegação de que a população de Porto Alegre não vai ter acesso a orla. A orla é pública e o projeto prevê benfeitorias públicas sem nenhum custo da prefeitura: via, calçadão, ciclovia, marina e bares e restaurantes. E tem gente que é contra. Devem ser os mesmos que protestaram contra a abertura da Av. Beira Rio.

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