Morte dos cinemas – Guion Sol fecha

Jardim do Sol Strip Center fica sem seu cinema

Jardim do Sol Strip Center fica sem seu cinema

O empresário Carlos Schmidt, dos cinemas Guion, retirou as últimas cadeiras do Guion Sol, que fechou há um mês. Entre as várias causas da morte dos cinemas, Schmidt fala na obrigatoriedade de exibir filmes nacionais “que não despertam o interesse do público”. Este é um sério problema. Filme-cabeça tem aos montes e ficamos aí. E não há festival que mude essa tendência.

Jornal do Comércio – Fernando Albrecht



Categorias:Cultura

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1 resposta

  1. Gilberto,
    O texto que divulguei é este:
    Amigos,
    Nesta última sexta, depois de mais de um mês sem funcionamento do cinema Guion Sol, fui
    com mais um colaborador, desmontar o cinema.
    Na sexta, depois de trabalhar das 9h30 até 21h, moído pelo trabalho que só desenvolvia nas
    montagens dos cinemas, ainda me animei para levar um par de cadeiras montadas
    ao Guion Center, onde pretendemos montar as melhores.

    No sábado fomos novamente para desmontar a sala 2.
    No meio do trabalho apareceu uma lojista consternada com o fechamento, querendo dar uma última olhada no cinema.
    Na hora do almoço, na praça de alimentação, ela me relatou cheia de entusiasmo os planos para atrair o público ao
    Jardim do Sol Strip Center e de seus projetos. No meio da conversa, mais informações sobre a consternação do público
    pelo fechamento do cinema e a vontade dos lojistas de iniciarem um movimento tipo FICA GUION SOL.

    Voltei ao trabalho e me lembrei de há exatos 12 anos estar sentado no carpete importado dos EUA e aparafusando
    aquelas belas cadeiras recobertas de um lindo tecido italiano.
    Cada sala com duas combinações de cores de tecido nas cadeiras e carpetes e paredes em contraste.
    Imaginei, presunçoso, a cidade inteira sentada nelas e exultante com a beleza do conjunto:
    duas salas de exibição dotadas de calefação (inédito na cidade), equipamento de projeção Christie importado dos EUA e
    dotado de som digital Dolby e depois SDDS, enfim, salas que se transformaram em referência no País
    por seu design e qualidade de som e projeção.
    De repente, não sei se pelo cansaço ou pela frustrante luta em desemperrar os parafusos, veio a vontade de chorar.
    Em segundos materializei o luto e a tristeza pelo passamento deste ente querido.

    Em minha vida cinematográfica, já tive muitos passamentos, entre eles a do espaço que foi prometido a mim e tomado depois (Casa de Cultura Mário Quintana);
    o incêndio do Ponto de Cinema/SESC e a torturante espera de 2 anos para a retomada do contrato que o novo presidente não honrou.
    Mas nunca tive lembrança de algo ter acabado assim. Geralmente, o ocaso ocorre pela decadência do estabelecimento,
    o que não era o caso do Guion Sol dotado do bom e do melhor,
    tanto que cerca de 70% das poltronas estão em excelente estado e pretendemos utilizar no Guion Center.
    É como a morte de um esportista, no auge de sua potencialidade.

    Desmanchei somente as poltronas das extremidade das duas salas que são as de menor utilização e da mesma cor para desmanche posterior.
    Ironicamente, apesar de em alguns momentos o Guion Sol ter chegado a levar cerca de 3 mil pessoas em apenas uma sala/semana, é, atualmente, mais do que suficiente
    para dar continuidade a uma programação.
    Curiosamente, com o surgimento deste interesse, teremos uma reunião para avaliar em conjunto
    com os lojistas e a administração do Strip Center a possibilidade deste retorno.
    Abraços

    Carlos Schmidt
    Jornalista e Sócio proprietário dos Cinemas Guion

    P.S.: As razões do fechamento, que cheguei a revelar em um comunicado são 4:
    a) meia-entrada para idosos e estudantes, que impedem a cobrança de ingresso mais barato;
    b) a obrigatoriedade de exibir filmes nacionais que não despertam o interesse do público, apenas eventualmente e, destes, nunca recebemos cópia;
    c) altos impostos com, inclusive cobrança em duplicidade (pagamos sobre o percentual da distribuidora também)
    d) Ecad, uma taxa imposta (de 5%) e que leva o nada a lugar algum.

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