Artigo: PINTA PORTO ALEGRE

Porto Alegre é uma cidade cinza, gris, uma cidade onde falta cor. As cidades deveriam ser coloridas, com mais vida, mais verde. Tudo isso influencia a vida e o humor das pessoas. Vive-se melhor, respira-se melhor.

Contraponto deste cinza, podemos encontrar na Argentina, onde está o famoso Caminito, às margens do antigo porto de Buenos Aires. Suas casas multicoloridas têm origem no início do século passado, quando os marinheiros que ali residiam passaram a aproveitar restos de tintas dos navios para pintar suas casas. O que era símbolo de pobreza, hoje é ponto turístico e espaço valorizado. As edificações foram preservadas e a alegria das cores multifacetadas atrai multidões.

A capital gaúcha precisa radicalizar na sua estética urbana. Sugiro uma Porto Alegre onde as cores predominem e desapareça a homogeneidade cinza da suas edificações. Para isso, é preciso que o Poder Público tome a iniciativa de alavancar um grande projeto de pintar a cidade de ponta a ponta, do centro a periferia, de norte a sul, de leste a oeste. O processo é gradativo, inicia em uma determinada região e estimula novas iniciativas. A remodelação da escadaria da rua 24 de Maio, feita pelo Poder Público, é um bom exemplo a ser seguido. Mas, quando isolados, mesmo bons projetos tendem a degradar-se e voltar ao cinzento do abandono.

A Prefeitura deve ter a ousadia e a capacidade de articular um projeto que convença os moradores da cidade a embelezar a sua casa, apartamento, edifício. A parceria de entidades da sociedade civil é fundamental para trabalhar nessa perspectiva. O Sindicato da Habitação e a Associação Gaúcha das Empresas do Mercado Imobiliário (Secovi/Agademi), que representam todo o setor imobiliário da cidade, deveriam ser instigados pela Prefeitura a assumir o processo de campanha pública de tornar Porto Alegre a cidade multicolorida. Parceiros e protagonistas também devem ser o Sindicato dos Lojistas do Comércio (Sindilojas), a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), a Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção (Acomac), a Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul) e a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).

O projeto Pinta Porto Alegre já tem uma marca, em processo de registro, que será cedida gratuitamente ao Poder Público Municipal para identificar todos os materiais que participam desse plano de alegrar nossa cidade. Imaginamos uma efetiva campanha de conscientização e mobilização da sociedade civil para que Porto Alegre se transforme nesta cidade multicolorida, que valoriza nosso patrimônio arquitetônico e integra e estimula o verde nas nossas ruas.

O processo é gradativo e abrangente. O Poder Público Municipal pode ir ao encontro do Governo do Estado, através da Secretaria de Fazenda, para negociar pagamento alongado do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de empresas que vendam tintas, lajotas, materiais de construção. Será previsto um tempo determinado para a concessão do benefício, prazo que pode ser renovado, como forma de incentivo para o comerciante vender mais barato. Esta negociação deve envolver também os fabricantes de tinta, para que durante um determinado tempo seja oferecido preço especial aos consumidores.

Também aos prestadores de serviços – pintores, restauradores, reformadores, trabalhadores das diversas áreas da construção civil -, penso que a Prefeitura poderia dar um incentivo de Imposto Sobre Serviços Qualquer Natureza (ISSQN). Assim, seria possível empregar um número cada vez mais significativo de profissionais para este movimento, que chamamos Pinta Porto Alegre.

Agregado ao processo de pintar as edificações e dar colorido às ruas da capital, propomos a renovação do mobiliário urbano. Pintura e cuidado dos seus viadutos, passagens de nível, pintura de cordões de meio fio, arte integrada à paisagem e, evidentemente, a pintura das faixas de segurança.
Para compor esta cidade é necessária a preservação, antes de tudo, do nosso patrimônio público, como as paradas de ônibus, e do patrimônio histórico, restaurando nossas edificações que hoje, além de cinzas, muitas vezes se degradam a olhos vistos.

Defendemos que Porto Alegre continue sendo a capital do verde, sendo incentivado o plantio de flores, folhagens, arbusto ao longo das avenidas, praças, parques, jardins, verdes e flores em edificações, como pode-se ver em Valparaíso, Barcelona. Para completar a cidade que sonhamos, sugerimos que Porto Alegre seja a cidade das flores. Se cada um cuidar de seu jardim, de sua sacada, se as flores se integrarem às praças, o milagre da renovação se dará ao longo de todo o ano.

Precisamos que nossa cidade seja, cada vez mais, uma cidade arborizada. Não qualquer árvore, mas sempre buscando as espécies compatíveis com nosso clima e adequadas à circulação de veículos e pessoas. Sempre que possível, dando preferências às árvores nativas, mas respeitando a história de tantas ruas que têm sua personalidade formada à sombra de plátanos e de outras espécies que fornecem sombra e encantamento.

O fato de sediarmos a Copa de 2014 faz desta a boa hora para qualificar o que já temos, fincando o marco da renovação permanente. Este conjunto de ações de embelezamento, com seu grande atrativo estético dará a primeira impressão de acolhida a quem aqui chega e fará melhor a vida de todos que aqui vivem. Porto Alegre será a cidade da alegria, multicolorida. Verdes nas praças, nos morros, para compor uma paisagem cada vez mais bonita, espelhada pelas águas do lago Guaíba.

Adeli Sell – Vereador de Porto Alegre



Categorias:Opinião

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3 respostas

  1. 1. Também é necessário resolver o problema das pichações e ataques contra os monumentos públicos. Todo mundo sabe que não adianta pintar os muros e prédios, eles sempre amanhecem pichados (e não tem policiamento que resolva a questão).

    2. A região central e avenidas da cidade são absurdamente poluídas pelos carros, não adianta pintar os prédios do centro sem resolver isso, pois em alguns meses tudo estará novamente coberto de fuligem.

    3. A poluição visual é outro fator crucial (Propagandas e Outdoors). Alguém acha bonito o edifício Ely coberto de placas da Tumelero?

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  2. sou totalmente a favor de manter os prédios bem pintados, limpos, reformados.

    mas cidade “multicolorida”? imagina se todo mundo resolve pintar suas casas e prédios de qualquer cor? isso é cafona demais. eu já acho horrível quando empresas compram mansões antigas e pintam inteira da cor da marca, tipo azul. Caminito, assim como bairros de outras cidades, são legais pq as casas são semelhantes, antigas, mas com cores diferentes. e é UM bairro, não a cidade inteira.

    quanto ao mobiliário urbano, sinceramente, o da cidade podia ser um pouco mais NEUTRO. lixeira laranja ninguém merece. na europa é quase tudo cinza escuro, muito mais elegante.

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  3. Tá aí uma boa ideia. Temos dois fabricantes muito próximos de Tintas, a Renner e Killing. Os prédios que fizessem obras de revitalização, deveriam ter desconto no IPTU.

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