Impasse permanente na rótula da Nilo

Pela segunda vez no ano, no último dia 25, a licitação para obras que desafogariam o trânsito na Avenida Nilo Peçanha deu “deserto”. A expressão significa que nenhuma empresa se interessou por fazer os trabalhos de eliminação da rotatória no encontro com a Carazinho e de instalação de semáforos, entre outras mudanças para melhorar o tráfego na região. A primeira tentativa de acabar com um dos pontos de estrangulamento do trânsito no bairro foi lançada em 16 de maio deste ano. Há três anos, a prefeitura tenta tirar a rótula da Nilo sem sucesso.

O projeto é de autoria da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), e a licitação tem como responsável a Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov). Os motivos do desinteresse foram elencados pelo gerente comercial da empresa Transcon, Celso Dias:

– O prazo da obra é muito longo, e a EPTC cria muito obstáculo. Para conseguir uma licença para obstruir um terço de uma pista com a EPTC, é 10, 15 dias. Apresentamos um projeto. Aí eles levam uma semana para dar a resposta. Então, uma obra que tu fazes em 60 dias, com a EPTC levas um ano. Complica muito.

O prazo para realização da obra era de 270 dias, de acordo com o gerente, mas poderia ser terminada em 60 dias. A causa são os horários restritos de trabalho, conforme Dias.

– A EPTC vai querer que o trabalho seja feito em horários restritos. Não se pode trabalhar no final de semana, nem durante o horário de expediente. Que horas se trabalha? – reclamou.

Outra empresa que conferiu o edital e não quis ser identificada confirmou ser desinteressante apostar nessa obra. O motivo é o prazo longo por causa de horários noturnos de trabalho, em que devem ser pagos adicionais aos trabalhadores, tornando quase nula a compensação financeira.

Rotatória é pequena para tráfego local

A EPTC verificou problemas na rotatória e, por isso, definiu a necessidade de retirá-la. Gerente de Planejamento de Trânsito da empresa, Carla Meinecke disse que a rotatória é pequena para o volume de carros. Isso gera um impasse na hora de atravessá-la.

– Os motoristas aguardam muito para chegar à rotatória (por causa dos congestionamentos). Quando chegam, querem passar logo – afirmou Carla.

Em relação às críticas das empresas, ela defendeu que a licença para o fechamento de vias é fornecida imediatamente se a empreiteira apresentar o projeto para tanto.

O supervisor do Escritório de Projetos de Obras da Smov, Adriano Gularte, rebateu as reclamações das companhias apontando que não há mal algum em terminar a obra antes do prazo.

– Aquele é o prazo máximo, se terminar antes, melhor. Tem uma série de limitações (de horário), claro. Há um conflito incrível de veículos ali, na hora do pique, não dá para trabalhar. Vai se trabalhar das 8h30min ao meio-dia e das 14h às 17h, e deu, tem que sair correndo – explicou.

Sobre o futuro do projeto, Adriano comentou:

– Vamos reexaminar tudo. É um tipo de obra complicada. Por experiência, a gente sabe. Nesse orçamento, a gente deu um tratamento para esse tipo de obra, porque sabemos que complica mais, é mais lento.

A novela
AGOSTO DE 1995
> Para reduzir acidentes e amenizar a dificuldade de os pedestres atravessarem próximo ao cruzamento, é construída uma rótula no local. O fluxo de veículos por hora era de aproximadamente 850, em horários de pico
SETEMBRO DE 1995
> A extinta Secretaria Municipal dos Transportes testa a rótula sem sinaleiras. Os primeiros dias são de confusão, pois pedestres e veículos não sabem como se comportar no novo sistema
1999
> A frequência de acidentes leva a prefeitura a instalar um pardal próximo à rótula
2002
> O pardal da Nilo é o recordista de multas na Capital
2005
> Moradores da região se mobilizam para cobrar providências
2006
> Onze anos depois, com cerca de 1,8 mil automóveis transitando por hora (mais do que o dobro do índice de 1995), acidentes e engarrafamentos seguem sem solução
JUNHO DE 2006
> O secretário municipal da Mobilidade Urbana, Luiz Afonso Senna, diz que a rótula daria lugar a um cruzamento com semáforo e que a obra começaria no segundo semestre
DEZEMBRO DE 2006
> Nenhuma empresa demonstra interesse em executar a obra, e a licitação é cancelada
2007
> Smam e EPTC discutem projeto que propõe remoção de uma área da Praça da Encol para contemplar um cruzamento com sinaleiras no lugar da rótula
ABRIL DE 2008
> Smam libera licença ambiental, e EPTC deve encaminhar projeto à Smov para que a licitação seja lançada

 Zero Hora

_____________________________

Um taxista com ponto ali na Nilo me falou que o maior motivo para a obra não acontecer é a pressão das associações de moradores, que não querem que se perca uma nesga da praça da Encol.

Situação semelhante à da Rendenção há uns anos atrás,  onde houve protestos pelos planos de tirar um metro do areião do parque, para melhorar o cruzamento que há ali.

RicardoH



Categorias:Outros assuntos

Tags:, , ,

5 respostas

  1. É ISSO.

    Curtir

  2. ROTATÓRIA DA ENCOL. Isso tem que acabar!!!

    A rótula funciona para todos os lados, menos para o lado que mais deveria funcionar, que é no sentido bairro/centro da Nilo Peçanha, que por sinal é a via principal do “cruzamento” !!!!! O fluxo de carros descendo a Nilo Peçanha é muito grande. E não pode entrar na rotatória por não estar na preferencial do sentido. Só que não para de passar carros, e o engarrafamento vai longe!!
    O que fazer???
    Colocar semáforo para democratizar aquela BADERNA!!! Todos tem que ter o mesmo direito de passar, e não ficar esperando por uma brecha para poder passar.

    Curtir

  3. Claudiopoa,

    Viaduto só faz sentido quando duas vias se cruzam e o grosso do fluxo segue reto. Não é o caso. Ali existem muitos casos de uso além de “ir reto”. Muita gente quer efetuar conversões à esquerda, o que seria inviável com um viaduto ou uma passagem de nível, pois implicaria em várias alças, ou em terríveis laços de quadra.

    Pra falar a verdade, poucos lugares de POA realmente justificam viadutos, ainda mais ao custo do impacto visual sobre uma praça tão viva como a da Encol. Infelizmente, a ideia de instalar uma sinaleira naquele cruzamento é bem problemática, uma vez que essa sinaleira precisaria de várias fases, para permitir as conversões. Não dá certo, não flui.

    Ao meu ver, outras alternativas praquele ponto precisam ser estudadas. Uma que eu visualizo seria desviar o fluxo da Nilo Peçanha centro-bairro pela Travessa Cel. Antonio Carneiro Pinto e pela Carazinho, retornando à Nilo. Isso permitiria “unir” duas pernas de entrada na interesecção, facilitando seu projeto. Para resolver a descida da Carlos Trein Filho, reduz-se a praça para facilitar a conversão – isso obviamente não agradaria os usuários da praça, mas a praça ganharia mais espaço, uma vez que uma o fluxo centro bairro não passaria mais pela Nilo. Isso permitiria operar a sinaleira com dois tempos, facilitando muito as sincronizações.

    Talvez não tenha ficado muito claro: ilustrei toscamente aqui: http://i35.tinypic.com/ezlnxd.png

    Curtir

  4. É o radicalismo contra-tudo portoalegrense, cada vez mais poderoso.

    Curtir

  5. Solução para o loca: VIADUTO (ou passagem de nível)!

    O resto é perfumaria que não solucionará o problema.

    Ah, mas os moradores não querem viaduto, então querem o que, mágica?

    Curtir

%d blogueiros gostam disto: