Ele acha horríveis algumas cenas urbanas portoalegrenses

Ao definir Porto Alegre com a “Capital das monstruosidades” em artigo publicado ontem em Zero Hora, o historiador Voltaire Schilling desencadeou uma polêmica no meio artístico e cultural gaúcho. Em seu texto, o estudioso critica o que considera “horrores estéticos” da arte contemporânea e chama seis obras públicas espalhadas pela cidade de “abominações”.

Schilling mostra-se surpreso com “a notável concentração de esculturas e monumentos absolutamente espantosos”.  No decorrer do texto, ele ainda define a Estrela Guia à mostra na rótula que antecede o museu Iberê Camargo como um “hediondo timão”. Por fim, faz um apelo ao secretário municipal da Cultura para que não aceite mais doações – embora a maioria das obras em questão tenha sido paga.

O artigo provocou reações. Especialista em arte contemporânea em espaços públicos, o escultor José Francisco Alves foi um deles. Para o expert, autor do livro A escultura pública de Porto Alegre, o historiador fez uma “provocação sem sentido”. Na opinião da professora do Instituto de Artes (IA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Ana Albani de Carvalho, Schilling desqualifica as obras sem a devida contextualização.

– Ele mistura obras que têm propostas muito diferentes e segue uma linha que vem sendo assumida por alguns autores, que é a da negação da arte contemporânea – avalia Ana.

Para o historiador e crítico de arte Alexandre Santos, também professor do IA, o principal problema é o fato de nivelar a arte em um único horizonte possível, ligado ao ideal do belo:

– O texto revela um desconhecimento total da arte nos séculos 19 e 20. É até ingênuo para um historiador.

Schilling disse ontem que revelou o que pensam muitos porto-alegrenses e escreveu como cidadão:

– Fazia horas que eu andava intrigado com a feiura dessas coisas, e sei de muita gente que acha o mesmo. Eu dei voz ao que a maioria pensa.

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Veja trechos do artigo:

“Aliás, o primeiro “timão”, que parecia ter esterco como matéria original da sua composição, foi destruído pelos vileiros do Morro Santa Tereza, certamente indignados em terem-no nas vizinhanças (sofriam de uma injusta punição, além da pobreza tinham que encarar diariamente o exemplo da medonhice).”

“Este colar sem fim de mau gosto que nos assola ainda é composto pelo “cuiódromo”, encravado na rótula da Praça da Harmonia (obra que por igual pode ser entendida como a exaltação de um superúbere de uma vaca premiada)”

“Um tarugo de ferro enferrujado (abaixo) que adentra o Rio Guaíba nas proximidades da Usina do Gasômetro e que se intitula, pasmem, Olhos Atentos.

janeiro 2009 026

janeiro 2009 021

Zero Hora



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20 respostas

  1. Eu também acho alguns dos monumentos ou obras de arte, como queiram chamar, espalhados por Porto Alegre pavorosos. Penso que em alguns casos, uma árvore nativa plantada ali traria muito mais beleza a nossa cidade.

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  2. Legal!!!!!!!!!!!! 🙂

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  3. Realmente, Gilberto, a estética urbana (que em muito influencia na qualidade de vida) há várias décadas não é levada em consideração.

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  4. Ja ouvi comentários de pessoas de fora do país e do estado elogiando algumas dessas obras, em especial a Estrela Guia, que foi usada pra ilustrar a matéria. Há um abismo entre a Estrela Guia e o “mirante” do Gasômetro. O que acontece às vezes é que as pessoas acham feio, horríveis, por estarem em Porto Alegre, e/ou por estarem mal cuidados. A Estrela Guia é um exemplo de uma bela obra de arte, de muito bom gosto, e pelo que vi encontra-se em bom estado, embora pichada a sua base. Já o “Olhos Atentos” nunca teve manutenção, é feito de um material que degrada facilmente com as intempéries e fica literalmente feio. Obras de arte devem ter um tratamento que a tornem mais resistentes ao tempo. O que não colabora nem um pouco com essas obras é a cidade em si, a orla onde elas estão. Está tudo entregue, existe um grande desleixo histórico. Esta cidade está precisando de um choque de urbanismo, de beleza. Lamentavelmente não visualizo o dia que isso vai melhorar sendo a cidade governada por pessoas medíocres como as atuais.

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  5. Não existe nada de errado no artido do historiador. Qualquer pessoa pode gostar, ou não, dessas obras de arte espalhadas pela cidade.

    E, realmente, algumas delas são “monstruosas” mesmo.

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