Repercussões sobre o Novo Plano Diretor

1) Márcio Bins Ely, secretário de Planejamento Municipal

“A Macrozona 1 é uma área de ocupação intensiva. A adaptação do Plano Diretor é para melhorar o adensamento. Diminuir as alturas de toda a Macrozona 1 servirá para que as regiões adensadas não sejam sobrecarregadas ainda mais. Já as alturas maiores servirão para desenvolver regiões.”

2) Beto Moesch, vereador, ex-secretário do Meio Ambiente

“Está para surgir um Plano Diretor pior que o atual. Na prática, ele vai permitir mais permissividade aos projetos especiais. A proposta reduz ainda drasticamente a necessidade de vegetação em lotes urbanos.”

3) Raul Agostini, presidente do Moinhos Vive

“A revisão é altamente prejudicial. É devastadora. Para as Áreas de Interesse Cultural, não respeita nem aspectos de cultura ou história, liquida com as Áreas de Interesse Cultural. Com esse Plano Diretor, o Moinhos será uma continuação do Centro.”

4) Ibirá Santos Lucas, presidente eleito do Fórum Regional de Planejamento 1

“A grande preocupação é o transporte e alargamento de ruas. Lotes serão cortados para deixar passar ruas. Outro problema é a redução das Áreas de Interesse Cultural, o que também vai gerar impacto.”

5) Claudio Ferraro, dirigiu a criação do Plano Diretor de 1979
“Houve uma revisão muito superficial em relação às alturas dentro da Macrozona 1. Os projetos especiais permitirão acrescer em um ou dois pavimentos as alturas máximas se comprar cem metros quadrados de solo criado. Aumenta horizontalmente para aumentar verticalmente. Acabaram com a zona rural e as alturas cresceram mais do que o necessário. As emendas são remendos de Frankenstein. Repete erros e acrescenta outros. Na região do Moinhos, as alturas não vão ser reduzidas. O que vai melhorar são os afastamentos laterais, que dão uma folga entre um prédio e outro. As áreas de preservação cultural serão mantidas, com regras restritivas. Mas não vai melhorar a qualidade de vida. ”

6) Rita Chang, presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre

“Em vez da altura, devia se ter uma preocupação muito maior com a qualidade dos empreendimentos. Cada imóvel que se constrói é um patrimônio da cidade. Cada vez mais, deve haver a preocupação de realizar projetos interessantes que venham a acrescentar alguma coisa ao patrimônio histórico da cidade. As alterações no Plano Diretor certamente vão contribuir para melhorar, mas em relação às Áreas de Interesse Cultural, podia ser melhor discutido. “

7) Paulo Garcia, presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado (Sinduscon)

“Uma pena é que termina se reavaliando apenas a volumetria, enquanto poderia envolver a mobilidade urbana, a sustentabilidade econômica. O sindicato gostaria que as alturas, ao contrário de reduzirem, aumentassem. Porque nós entendemos que a qualidade das obras e dos projetos ficam melhores. Na região do Moinhos, por exemplo, vamos rebaixar a altura. O que acontece? A procura começa a ser muito maior do que a oferta. Logo, os preços sobem. Não é esse o nosso interesse, e sim que a cidade diga onde pode construir.”

Algumas mudanças ALTURA DOS PRÉDIOS
> Como é: 20 bairros podem ter prédios com até 52 metros de altura
> Proposta: foram definidos três limites de altura, conforme o perfil da região. Na maior parte da cidade, a máxima prevista é de 42 metros.
DISTÂNCIA ENTRE OS PRÉDIOS
> Como é: 18% da altura do edifício
> Proposta: aumenta para 25%
SACADAS
> Como é: não há previsão de tamanho máximo
> Proposta: desde que não ultrapassem 20% da área adensável do apartamento, até o limite de 2,5 metros de profundidade, em relação à face externa do peitoril
ÁREA LIVRE VEGETADA E PERMEÁVEL
> Como é: há liberdade para fazer a pavimentação no entorno do prédio
> Proposta: exigência de que 20% da área livre tenha vegetação em contato direto com o solo
SOLO CRIADO
> Permite a ampliação da altura de prédios acima do limite da região, em até 50% (sem passar de 52 metros), mediante compra de solo criado junto à prefeitura. Os valores seriam investidos em habitação popular.
PROJETOS ESPECIAIS DE IMPACTO URBANO
> Determinados projetos poderão ter alterados os padrões previstos para os recuos de ajardinamento, os regimes de atividades e volumétrico, os de parcelamento do solo e os de garagens e estacionamentos

 

ZH Moinhos de Vento



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5 respostas

  1. É rídículo mesmo, mas é olha o transito na Carlos Gomes, como já é agora.

    Na Marginal Pinheiros têm vários prédios com mais de 100m, mas ela tem 6 faixas de rolamento de cada lado! Se queremos prédios mais altos ( e nos queremos, mas a prefeitura nao) precisa planejar regioes e avenidas REALMENTE largas para isso.

    Mas nao existe essa preocupacao com crescimento, desenvolvimento, mas sim eu colocar um banco aqui, uma lixeira ali, pintar um meio-fio acolá…

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  2. Na Terceira Perimetral e no Centro deveriam permitir prédios de até 100 metros ou mais; nas outra vias principais o limite poderia ser de 52 metros.

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  3. Como um plano diretor pode ser bom se a altura máxima para prédios até mesmo em áreas como a Carlos Gomes é de apenas 52m.? Quem determina essas alturas? Uma vergonha para uma cidade desse porte.

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  4. Se o Raul Agostini e o Beto Moesch tao falando mal do novo plano diretor, ele deve ser muito bom.

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  5. Foi o Plano Diretor de 1979 que amputou a altura dos predios e deu à cidade o título informal de CIDADE ANÃ.

    O Plano Diretor do final dos anos 90 aumentou levemente a altura para em torno de 72 metros.

    A história mostra a condição urbanística que Porto Alegre dos anos 80 pra cá, face às reais melhorias, experimentos, ousadias, embelezamentos, prestígio, turismo e evolução do Idh e do Pib conquistados por outras capitias brasileiras.

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