Calçadas de Terceiro Mundo na Capital

Henrique Peñalosa

O que diferencia uma cidade atrasada de outra avançada não são grandes avenidas, nem construções imponentes: são as calçadas. Ao defender a tese, durante um passeio pelas Capital, quarta-feira à tarde, o consultor em transportes e ex-prefeito de Bogotá Enrique Peñalosa deu um veredicto. A julgar pela qualidade do passeio público, a Capital é uma típica cidade de terceiro mundo.
Consultor do Institute for Transportation and Development Policy, Peñalosa é reconhecido por ações bem-sucedidas em sua gestão na prefeitura de Bogotá, de 1998 a 2001, como a implantação de 350 quilômetros de ciclovias e de um sistema de ônibus semelhante ao de Curitiba. A convite do Centro de Transporte Sustentável (CTS-Brasil), ele levou suas ideias ao prefeito José Fogaça, que lhe garantiu investimento em redes de transporte públicos integrados, uma outra bandeira defendida por Peñalosa. Confira a seguir algumas de suas impressões sobre a cidade:

Calçadas invadidas

“Esses carros em cima da calçada (na Avenida Brasil) são um desastre. Esse é um retrato da cidade terceiro-mundista: um carro ocupando o lugar onde deveria haver calçadas exclusivamente. Isso desumaniza a cidade. Já as calçadas do Moinhos de Vento são um bom exemplo.”

Ciclovias

“Por que em Amsterdã ou em Copenhague 40% das pessoas se movem de bicicleta e aqui não? Uma cidade que se move de bicicleta é mais alegre, segura. A bicicleta terá um papel importantíssimo na cidade do futuro. Em Bogotá, fizemos 350 quilômetros de ciclovias, sendo 60 só para bicicletas e pedestres. Hoje temos 350 mil ciclistas por dia em Bogotá.”

Dilemas do Centro

“No Centro, há calçadas estreitas. Os comerciantes pensam que os carros devem parar na frente das lojas, e isso é um erro, porque o que mata o comércio são os shoppings, onde a pessoa não estaciona na frente das lojas. As pessoas vão nos shoppings porque há boa qualidade para o pedestre, as crianças podem se soltar e não acontece nada. A maneira de competir com o shopping é ter calçadas extraordinárias.”

Metrô ou ônibus

“Creio que Porto Alegre não precisa de metrô. Mas defendo opções diferentes de um sistema de ônibus tradicional: utilizam ônibus, mas funcionam como metrô. E há estações pré-pagas, se paga a passagem ao entrar. Também deve haver ônibus expressos, que não parem em todas as estações ou sinaleiras. Em Bogotá, nós praticamente copiamos o modelo de Curitiba.”



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3 respostas

  1. Esse senhor colombiano não deve conhecer a realidade do transporte em Porto Alegre. Alguém deve ter apresentado a cidade pra ele e dado a sua impressão, visitando lugares não tão caóticos. Com certeza ele não viu a Assis Brasil e seu longo congestionamento de ônibus. Essas pessoas que desconhecem o nosso problema deveriam é ficar de boca calada, pois antes calado do que falar besteira. Concordo com o Alexsander que o metrô é vital pra nossa cidade.

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  2. O Metrô é vital para nossa cidade. Este cidadão foi muito infeliz em sua opinião, só justificada pelo seu desconhecimento do nosso sistema de transporte. Estamos cansados de ônibus lotado, trânsito congestionado, etc. Metrô JÁ!

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  3. todos os dias eu penso nas calçadas de porto alegre, eu achei que era o unico que me importava com elas xPP
    pelo jeito eu tenho uma opiniao muito parecida com a desse cara

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