O sufoco do calor: Os gaúchos viveram ontem mais um dia de extremos proporcionados pelo fenômeno El Niño

Uma gigantesca massa de ar quente sobre o Estado mais uma vez dificultou o avanço de frentes frias. O resultado: alta temperatura e umidade elevada. A combinação que ampliou a sensação térmica foi sentida na forma de um abafamento que torna difícil até mesmo dormir. Alguns pontos do Rio Grande do Sul foram beneficiados pelo alívio de chuvas isoladas.
Depois de meses de intensos temporais, agora é o abafamento que castiga os gaúchos.
Ontem foi o quarto dia seguido de sensação térmica superior a 40°C em boa parte do Estado – fenômeno que deverá se manter pelo menos até o final da semana. A presença de uma forte massa de ar quente sobre o Estado forma o chamado bloqueio atmosférico, que dificulta a passagem de frentes frias e favorece a continuidade de temperatura e umidade elevadas. Podem ocorrer, porém, temporais localizados.
Ontem à tarde, os termômetros chegaram a 37,3°C em Campo Bom e estabeleceram o recorde de calor do verão na temporada 2009/2010. Somente em 2 de novembro do ano passado a temperatura foi maior, chegando aos 38°C. O calorão que faz os gaúchos suarem em abundância, porém, não se explica apenas pela medida do termômetro. A sensação de estar em uma espécie de panela de pressão atmosférica é reforçada pela umidade mais intensa do que o normal vinda da Amazônia para o sul do Brasil.
– Isso é resultado do El Niño, que favorece o transporte de umidade – sustenta o meteorologista Jonathan Cologna, da Somar Meteorologia.
Conforme Estael Sias, da Central de Meteorologia, a forte massa de ar seco resulta em um bloqueio atmosférico que funciona como uma barreira para as frentes frias. Com isso, a chuvas se limitam a episódios mais localizados e esporádicos. O resultado é a recente sequência de dias de sol e abafamento. Em Porto Alegre, por exemplo, onde ontem a temperatura era de 34,4°C no começo da tarde, a umidade relativa do ar de 58% elevou a sensação térmica a desagradáveis 44°C .

RS tem consumo recorde de energia

Com tanto calor, o resultado não poderia ser outro. A CEEE registrou um novo recorde de consumo de energia elétrica. A marca chegou a 5.116 megawatts (MW). Esse índice superou o anterior, que havia ocorrido em 18 de janeiro, quando foram consumidos 5.029 MW. O presidente do Grupo CEEE, Sérgio Camps de Morais, assegura que, com o sistema energético do Estado, é possível atender sem riscos à demanda de 5,6 mil MW – exceto quando há problemas como tempestades.
O consumo de energia promete continuar em alta, caso a previsão de abafamento se confirme. Até há risco de temporais no sul, no oeste e no centro do Estado, além da Região Metropolitana. Mas, segundo Cologna, as tormentas têm o perfil de serem isoladas e de curta duração, com a possibilidade de se dissiparem em questão de pouco mais de 15 ou 20 minutos, reduzem o risco de grandes estragos no Estado. Mesmo onde elas ocorrerem, a tendência é de retorno breve do sol – e a continuidade da sensação de abafamento.

– O calor deve permanecer, pelo menos, até o próximo final de semana – avisa a meteorologista Estael.



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