SHOPPING É A PRAIA PORTOALEGRENSE . Tornou-se nossa orla permitida

Políticos portoalegrenses: na cidade do “É Proibido”, não queiram proibir também os shoppings

Neste fim de semana de verão em Porto Alegre, constatei dois fenômenos que não são novidade: a cidade estava vazia, e os shoppings estavam lotados, cheios de gente.

Eu fui ao shopping porque, como não tenho ar-condicionado em casa, não era mais possível suportar o calor brutal. Ventilador, nesses casos, não adianta mais,  parece vento quente de secador de cabelo, e a situação vai ficando torturante.

E, no shopping, falando com as pessoas, vi que estavam lá pelo mesmo motivo: era o único programa possível no dia de fornalha. Mais que isso: era a única solução para aguentar o calor que nem em casa era mais possível suportar.

Numa cidade qualquer com orla, as pessoas vão à praia para fazer a mesma coisa descrita acima. Não só nas cidades com mar, mas também orlas de rio e lago. Até mesmo à noite as pessoas procuram a brisa agradável que as orlas têm.

Porto Alegre

Praia na Ilha de Santa Catarina? Não, Porto Alegre

Praia de Florianópolis? Não, Porto Alegre

Com um restaurante ou bar nessa marina, eu não iria ao shopping

Com restaurantes, bares ou lazer aqui nesta marina, eu não iria ao shopping

Eu não iria ao shopping se a cidade oferecesse lazer em lugares assim - é uma marina fechada ao público

As orlas não são apenas lugar para tomar banho: são também lugar de convívio, pela  característica de descontração, conforto e contemplação à natureza e clima agradável. A prova é que muita gente não vai à areia, mas vão às praias no litoral norte, justamente por ser um lugar mais aprazível.

Já em Porto Alegre, que tem uma orla deslumbrante, vive como uma cidade seca, como Curitiba, Goiânia ou Belo Horizonte.  Tirando Ipanema, nossa orla não tem acesso. Quando tem acesso, não tem condição nenhuma de ser freqüentada, pois são só atoleiros, mato e perigo de assalto, estupro ou morte.  Quando alguém tem a audácia de querer investir nela, corre o risco até de ir preso, pois é proibido e ainda desperta fúria pública.

Então, naturalmente, as pessoas se dirigem para a solução possível: o shopping. Ele vira o refúgio para o calor, o colírio para os olhos, o prazer e o alívio possível para a população.

RicardoH



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9 respostas

  1. É isso aí, Stéfano.

    Fazendo com inteligência, não há dano ecológico. Pelo contrario: podemos até mesmo preservar ainda mais do que é hoje.

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  2. Só agora pude responder ao post… já disse, concordo que nossa orla é subutilizada. Esse é um dos grandes problemas de PoA: temos potencial e não usamos. Acho que com um projeto de urbanização da orla, com calçadão, ciclovia, monumentos, quiosques…teríamos um grande atrativo para a população e para os turistas. Só contestei o fato de dizeres que, se tivéssemos uma orla bonita e agradável, as pessoas não precisariam se refrescar no shopping… com o calor infernal que tem feito, não há brisa que resolva. Shopping é a solução. Mas, repito, precisamos dar um upgrade em nossa orla. URGENTE! Tenho esperança que os recursos do Prodetur (pelo plano da prefeitura, US$ 15 milhões seriam investidos na orla) sejam liberados e a prefeitura realize um concurso público, de ideias, para que tenhamos a orla que a cidade merece e PODE ter.

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  3. Nao acho que tenhas exagerado no titulo, POA eh criminosa em relacao a sua orla. Todos os estrangeiros e turistas que vem aki comentam a mesma coisa: graaaaande por do sol, mas ve-lo de onde? Nao tem bares, nem cais, nem nada decente pra aproveitar o rio. Fogaca omisso!!!!!

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  4. Stéfano, de forma alguma estou te contestando. Gosto dos teus comentários.
    Claro que exagerei no título dessa matéria, mas foi de proposito mesmo, para levar as pessoas à relexão.
    Essa matéria é um ensaio sobre os costumes valores e cultura de uma cidade. E chamei a atenção sobre como o shopping acaba sendo uma das maiores opções de lazer do portoalegrenses. Nos dias de calor, mais ainda. Várias pessoas disseram: “eu vim aqui só pra dar uma volta e me refrescar”. E eu também…

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  5. Boa lembranaça do Gilberto: em várias capaitias há lugares como a churrascaria Porcão (aterro do Flamango) ou vários bares e restaurantes na Bahia Marina que são climatizados.
    Bem lembrou o Gilberto, tambem, que deveriamos ter lazer na orla a qualquer hora do dia.
    Imagina que agradável poder jantar num belo restaurante à beira dágua.
    Claro que temos que ter “quiosques rústicos” sim. Temos que te lazer de todos os niveis: gratuitos e pagos, baratos e caros.
    Nem vou falar na possibilidade de turismo e as verbas que isso traria, pois é um assunto que já foi comentadíssimo aqui e quem é contra turismo não dá nem pra perder tempo discutindo.
    Mas o foco dessa matéria do Ricardo é o cidadão porto-alegrense, mesmo, e só a existencia dele já é merecedora de ter opções e acesso a lugares como os das fotos.
    Senão, vamos vajar pra Capão, Floripa, Rio, e voltar elogiando os momentos vividos em suas belas praias e natureza.

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  6. O Stéfano até tem razão, mas isso que o Ricardo descreveu no post dele, não acontece somente quando o calor estrá extremo, como na semana passada. É a regra geral. Sempre aos finais de semana os shoppings estão lotados, pois não temos onde ir, tirando alguns parques (como o da Redenção, o mais frequentado parque do Brasil). Porto Alegre carece de uma orla desenvolvida sim, para todos os dias do ano e para todos os horários do dia. Outra coisa: a orla não pode apenas ter quiosques rústicos, para se ficar no sol observando a natureza. Pode ter lugares aconchegantes, com vista para o Lago, com climatização. Parabéns Ricardo pela teu texto e também pelas fotos ilustrativas.

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  7. Stefano, veja essas fotos que postei agora.
    Esses exemplos tambem significam TER , DE VERDADE, uma orla.
    E todos esses lugares são proibidos ao portoalegrense. A tal ponto de aqs pessoas ficaram admiradas ao descobrirem que existem lugares assim deslumbrantes na cidade!!!!! Isso é muito triste.

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  8. Stefano, caro que você tem sua dose de razão. Num possivel calçadão também estaria super quente. Porém, se houvesse condições mínimas de frequentar lugares paradisíacos como o das fotos que estou posatando agora, com certeza seriam bem mais agradáveis. Esses lugares nada devem às belezas que existem na catada Florianópolis, por exemplo. nada devem ao litoral paulista. Nada devem aos recantos dos arredores de Manaus, bem procurados. Mas esses lugares das fotos são tipo 70% sem acesso, e o rstante com acesso é praticamente impossível frequentar.
    Eu iria num dia quente ficar á beira dágua nesses paraisos. Assim como eu estive em Ipanema nesse fim de semana,, até mesmo à noite, com a orla bombando mesmo nesse horário.

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  9. Exagero! Não sei qual é a diferença entre a nossa orla e a orla de qq praia do litoral gaúcho. Sei que nossa orla precisa melhorar muito… mas quem não vai, não vai pq não quer! Mesmo se tivéssemos calçadão, ciclovia, quiosques e outras atrações na orla, a maioria das pessoas estaria no shopping. Ou vai me dizer que tinha alguma brisa na orla durante esses dias de calor recorde? Tu mesmo disse que foi pro shopping pq era o único lugar aprazível. A revitalização da orla produziria brisa? Refrescaria o dia? Não! Eu, por exemplo, não trocaria um ar condicionado pra ficar suando num quiosque à beira do Guaíba, se ele existisse. Poderíamos ter uma Disneylandia na orla que, mesmo assim, a maioria das pessoas estaria no shopping, em busca de um ar condicionado. Repito, sei que a orla precisa ser urbanizada… mas não serve como argumento que ela seria um refugio para o calor histórico que tem feito.

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