As duas faces do Camelódromo de Porto Alegre

Após 12 meses de funcionamento, quadras do Shopping do Porto apresentam realidades diferentes

A construção do Camelódromo de Porto Alegre foi uma ponte entre dois mundos, o dos ambulantes de rua e o das lojas reunidas nos 19 mil metros quadrados do hoje chamado Shopping do Porto. Após completar um ano em 9 de fevereiro, o Centro Popular de Compras (CPC), como ficou conhecido na inauguração, convive agora com outra ponte entre dois mundos: o do movimento e o do vazio.

Foto: ARIVALDO CHAVES

A ponte fica a cerca de três metros do solo, sobre a Avenida Julio de Castilhos. A ligação entre a Quadra A, que vai da Rua Voluntários da Pátria até a Julio de Castilhos, e a B, da Julio à Avenida Mauá, é uma fronteira. Na A, a clientela circula em grande número. Do outro lado, a procura é menor.

Na tarde tórrida da sexta-feira de 12 de fevereiro, o comerciante Arnaldo Carneiro de Moura, 72 anos, somava R$ 14 em vendas até as 14h. Sua dívida com a administradora do shopping é de R$ 2,6 mil. O clientes rareavam, abanando-se nos corredores tranquilos da Quadra B.

– Estou pagando para trabalhar. Não tenho como pagar a minha aposentadoria. Se vendesse, estaria tudo bem, só que não adianta, não tem movimento – reclamou o ex-camelô, que teve ponto na Rua dos Andradas e na Avenida Borges de Medeiros.

Passada a ponte, na Quadra A os corredores ficam pequenos para o fluxo. Sidnei Martins, 43 anos, comemora o bom momento dos negócios. Para ele, valeu a pena a troca da Praça XV, onde gastou boa parte dos 23 anos em que trabalha no comércio, pela loja no Camelódromo.

– Para muitos de nós está bom. Aqui gastamos com aluguel, condomínio. Mas antes tínhamos que pagar carregadores e depósito – comentou.

O acesso pela Voluntários é o diferencial entre as quadras. A avaliação é do gerente do Shopping do Porto, Noedi Casagrande.

– O que ocorre é que a entrada principal é pela Voluntários. O fluxo na Quadra A é maior também porque tem mais lojas. São 606 contra 180 ou 190 da B. A B tem menos público, mas também tem menos concorrência, o que equilibra as coisas – afirmou o gerente.

Com a procura satisfatória, as reclamações na Quadra A recaem na infraestrutura. O bafo quente que assola Porto Alegre gera pedido por um sistema de ar-condicionado central. Outra reivindicação é por banheiros mais próximos – os sanitários ficam no terceiro andar, enquanto as lojas estão no segundo. A administração considera que um sistema de ar-condicionado tem custo alto e banheiro mais perto é inviável porque não existe espaço.

Um dos pedidos do pessoal da Quadra B é pela redução do aluguel e do condomínio – os valores totais vão de R$ 500 (quatro metros quadrados) a R$ 900 (6,5 metros quadrados), aproximadamente, segundo Noedi. A administração considera inviável reduzir valores. Uma alternativa seria, com a recuperação do Cais do Porto, interligá-lo com a Quadra B. Para Noedi, o principal motivo de haver negócios dando errado é a atuação dos próprios comerciantes:

– Tem gente que só abre quando quer. Também tem cara que está há um ano sem pagar uma semana sequer do aluguel. Isso atrapalha todo mundo.

Enquanto perdura o debate sobre os dois lados do Camelódromo, os clientes circulam alheios ao problema. O velho motivo da visita ao local, o preço baixo, permanece forte.

– Venho duas ou três vezes por mês. O mais barato aqui são os eletrônicos e, às vezes, as roupas – destacou a auxiliar administrativa Luciana Queiróz, 34 anos.

Shopping é divergência na Quadra A

As amigas Simone Batista, 29 anos, e Lizandra Neves, 33 anos, não se acertam. Para Simone, valeu a pena ter deixado as ruas para abrir uma loja no Camelódromo. Lizandra prega o contrário. A dupla vende itens diversos, especialmente roupas. Lizandra reclama:

– A promessa era de que, vindo para cá, pagaríamos menos. Estamos vendo outra coisa. Minha despesa é de R$ 250 por semana.

Simone alfineta:

– Acho que sou mais empreendedora do que tu.

– Relato de Geni Berte, 50 anos, lojista

“Até agora, não vi lucro nenhum. Só estou pagando. Nosso preço aqui (aluguel e condomínio) é o mesmo lá da frente (Quadra A), onde tem muito mais movimento. A prefeitura tem que fazer alguma coisa. Trabalho há 22 anos no comércio e tive banca na Praça da Alfândega. Com certeza era melhor naquela época. Eu fazia artesanato, fabricava tudo que tinha na loja, mas tive bursite e tendinite nos braços, o que me impediu de fabricar as peças. Aí, vim para o Camelódromo.”

 

ZH CENTRO

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Ao meu ver, o grande erro na arquitetura do Camelódromo foi o de construir em 2 blocos, unidos por uma passarela. Deveria ter sido feito em um bloco único, simplesmente da Voluntários até a Mauá, sem passarelas. Um só bloco, um só espaço. Não existiria este problema.



Categorias:Outros assuntos, Revitalização do centro

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8 respostas

  1. @isabel parabéns, deu dinheiro pra alguém que te abordou no corredor? Aposto que prometeram algo mais barato. Assim fica difícil né!? Tem certeza q vc não tava querendo levar vantagem?

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  2. Gostaria de reclamar sobre a segurança do camelódromo de Porto Alegre, é uma vergonha, pessoas transitam lá roubando pessoas idôneas, se dizendo terem lojas e portanto não tem, fazem que vão buscar a mercadoria e fogem com o dinheiro. Um rapaz magrinho alto, com uma mancha no rosto anda trapaceando as pessoas, cuidado!
    Você pode ser a próxima vítima, alertem as pessoas, os seguranças, chamem a polícia, eles fumam crack nas galerias, rola drogas, roubo, mercadorias, um bando ladrões e viciados. Peço mais policiamento naquela área, pois caso contrário, vou dizer as pessoas que não entrem no camelódromo, um conhecido foi vítima, foi lesado, deu o dinheiro e nao viu a mercadoria.
    Rapaz alto, magrinho, com mancha no rosto, vende dvds, anda agindo impunemente dentro do camelódromo de Porto Alegre.

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  3. Tem que ter escadas rolantes no outro lado também (pela Av. Mauá)

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  4. Tem que ter acessos por todos os lados, como nos shoppings. Ele foi mal projetado! Vcs não se deram conta disso ???????

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  5. Não concordo com vcs. Então que deem um jeito de fazer uma entrada com pórtico semelhante a da entrada da Voluntários, na Av. Mauá. Se o camelódromo vai de uma avenida a outra, que tenha entrada nas duas. Isto é óbvio. Em qualquer lugar do mundo fariam isso, só aqui que a economia e a roubalheira são além da conta que não fazem. Ou vcs acham que na obra do camolódromo não teve desvio de dinheiro para bolsos de algumas pessoas como em todas as obras brasileiras?

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  6. Não há dificuldade NENHUMA de ir no segundo bloco. são dois corredores mega-largos. Tem praça de almentação lá. Eles que sejam criativos. Eles reclamam de tudo: querem tudo de graça !!!

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  7. É isso aí, Marco !

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  8. Tenho certeza que se tivesse sido planejado com so um bloco os camelos iam reclamar igual que era muito pequeno…
    O que tah faltando eh empreendedorismo….deveriam negociar com alguma “marca famosa” pra ter loja dentro do shopping no setor B….imaginem umas americanas la dentro…se nao ia atrair o publico….acontece que esses camelos tao reclamando de boca cheia…nunca pagaram aluguel….viviam infestando as ruas….eh claro que ganham dinheiro..agora que estao legalizados vivem reclamando que pagam 250 por mes…querem ganhar grana sem pagar imposto…

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