BILHÕES NO SUL: Engevix negocia benefício fiscal

Grupo confirma ao governo aplicação de quase US$ 4 bilhões no polo naval

Em encontro com a governadora Yeda Crusius, o grupo paulista Engevix detalhou os planos para o início da aplicação de cerca de US$ 4 bilhões na construção de oito cascos de plataformas marítimas no polo naval de Rio Grande. Os executivos já começaram a negociar benefícios fiscais com o governo do Estado e pediram ajuda para qualificar mão de obra, já que o empreendimento deve empregar 7 mil pessoas.

Apesar de a Petrobras informar que ainda não foi assinado o contrato com o consórcio formado pela Engevix e a sueca GVA, que apresentou o menor preço na licitação para a construção dos cascos, já há planos para iniciar os trabalhos nas instalações do Estaleiro Rio Grande. Informações extraoficiais apontam valor de US$ 3,75 bilhões para os oito cascos. Conforme o secretário de Infraestrutura, Daniel Andrade, presente no encontro, os executivos relataram que a Petrobras pediu uma antecipação no cronograma das obras.

Anunciada ainda em abril de 2008 pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, a transformação do Estaleiro Rio Grande numa “fábrica de cascos” marca o início da preparação para a exploração na camada pré-sal. Apelidados de “replicantes”, porque serão fabricados em série, os cascos vão gerar oito plataformas do tipo FPSO, que são unidades extração, tratamento, armazenamento e transferência de petróleo e gás. A negociação de benefícios fiscais deve seguir o padrão atual, de diferimento – adiamento do pagamento – de 100% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – enquanto durarem as obras.

Estiveram com a governadora os vice-presidentes da Engevix Gerson de Mello Almada (indústria e infraestrutura), José Antunes Sobrinho (energia), e o francês Daniel Peres (operações oceânicas), que deve coordenar os trabalhos do consórcio em Rio Grande. Segundo o engenheiro Márcio Ferreira Alencar, responsável pelo empreendimento da Petrobras, o processo está próximo do final, porém não concluído.

– Já trabalhamos para que datas e números sejam fechados, a fim de encerrarmos a licitação e assinarmos o contrato o quanto antes. Acredito que em até três meses a situação estará resolvida – resume Alencar.

Os trabalhos, que consumirão cinco anos, serão no Estaleiro Rio Grande.

– A finalização da plataforma coincidirá com o começo dos cascos nas oficinas. Deve ser o primeiro pico do polo naval gaúcho, que ainda terá a P-63 em andamento – acrescenta Alencar, lembrando que a Petrobras prevê para o Estado projetos de R$ 13 bilhões até 2015.

Matéria retirada do Jornal ZH

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Comentário de Políbio Braga sobre este investimento em Rio Grande:

Pólo naval muda paradigma da indústria gaúcha

Nesta segunda-feira Políbio alertou para a necessidade de um programa redondo e inteligente para aproveitar melhor os ganhos com o pré-sal.

Não se trata apenas do Pólo Naval de Rio Grande.

O que já acontece é uma mudança surpreendente de rumos para a economia do RS.

Não é só a questão da elaboração do plano de ação que contemplará uma projeção para um período de dez anos, definindo diretrizes para o setor metal-mecânico, voltado à consolidação do pólo naval em Rio Grande e que terá reflexos em toda a Zona Sul do RS. A Furg trabalha nesse plano de ação, mas isto é insuficiente para o Estado. Um exemplo:  a infraestrutura material e social, como também toda a logística de transporte, merecerão drásticas intervenções.

Quando o editor escreveu o seu alerta de segunda-feira, ainda não tinha sido anunciada a decisão da Engevix de instalar em Rio Grande as oficinas que resultarão na construção de oito navios oceânicos. Um contrato de US$ 4 bilhões fechado com a Petrobrás (não são investimentos previstos pela Engevix no RS, como informaram alguns jornais, mas o valor é referente aos contratos).

A cadeia produtiva da construção naval, segundo o secretário da Sedai, Marcio Biolchi,  engloba macro complexos, o que levou a definir a presente ação focada no setor metal-mecânico, no ramo industrial do aço em chapas, perfis e barras, além de ligas leves de alta resistência mecânica, insumos de maior demanda para a construção de instalações off-shore, como plataformas de prospecção de petróleo e gás natural.

A Sedai administra o Distrito Industrial de Rio Grande e a Zona de Processamento de Exportações (ZPE), áreas físicas dotadas de toda infra-estrutura e prontas para sediar empreendimentos industriais localizados na retaguarda do superporto do Rio Grande.

Políbio Braga



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