Estado espera por grandes projetos de infraestrutura

Aumento da profundidade do canal do porto do Rio Grande e ampliação da pista do Salgado Filho são prioridades em 2010

Cerca de 80% do prolongamento dos molhes do porto do Rio Grande foi concluído. Foto: Oderbretch/Divulgação/JC

O ano de 2010 significará um marco para a logística do Rio Grande do Sul devido à conclusão e ao início de obras de enorme porte. Para este primeiro semestre está prevista a finalização da expansão dos molhes e do aumento da profundidade do canal do porto do Rio Grande. E, para a segunda metade do ano, deve começar a ampliação da pista do aeroporto Salgado Filho, na Capital gaúcha.

Aprofundamento do canal será o diferencial do porto do Rio Grande

A maior profundidade do canal do porto do Rio Grande permitirá que o complexo gaúcho torne-se um concentrador de cargas do Mercosul, atraindo grandes embarcações. “Não haverá condições semelhantes entre Buenos Aires e Paranaguá”, diz o superintendente do Porto do Rio Grande, Jayme Ramis.

A dragagem do canal interno do porto, passando de 14 metros para 16 metros, já foi concluída. Agora, os esforços concentram-se no canal externo (fora dos molhes da Barra), onde a profundidade passará de 14 metros para 18 metros. A profundidade de 16 metros do canal interno ainda será verificada por técnicos da Secretaria Especial de Portos. Ramis prevê que a portaria oficializando o novo calado deve ser realizada ainda em março.

No total, com o canal interno e o externo, serão dragados em torno de 18 milhões de metros cúbicos. O diretor de contrato da construtora Odebrecht, Mauro Darzé, informa que a expectativa é de que todo o aprofundamento seja finalizado em maio deste ano. O investimento na iniciativa é de R$ 196 milhões e as ações começaram em agosto de 2009. Nesse procedimento está trabalhando uma draga com 16,5 mil metros cúbicos de cisterna que, de acordo com Darzé, é o maior equipamento que já operou na América Latina.

Para manter a nova profundidade, a perspectiva é que seja preciso dragar anualmente 2,5 milhões de metros cúbicos. “Para o tamanho do porto, é um volume muito pequeno”, salienta Darzé. Ele compara com o porto de Buenos Aires que tem que retirar de 25 milhões a 30 milhões de metros cúbicos ao ano. “Então, com esse cenário, cada vez mais Rio Grande consolida-se como o porto do Mercosul”, acrescenta o diretor.

Ramis destaca que hoje os navios que operam em Rio Grande (pós-panamax) e não aproveitam sua capacidade máxima de carga, devido ao calado, poderão completá-la com o aprofundamento, diminuindo os custos de frete. Além disso, com um calado maior o porto terá condições de se habilitar para captar cargas como grãos da Argentina, Paraguai e Bolívia; minério do Mato Grosso do Sul e da Bolívia; madeiras do Uruguai; e contêineres da Argentina, Uruguai e Paraguai.

O porto gaúcho terá condições de atender aos grandes graneleiros para cargas secas e líquidas, com capacidade para 60 mil toneladas, 150 mil toneladas e 200 mil toneladas e os navios porta-contêineres de 6 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) ou até de 11 mil TEUs. As embarcações voltadas para o transporte de celulose e madeira também apresentam uma tendência a aumentarem de tamanho, exigindo profundidades maiores.

Outro ponto salientado por Ramis é que o aprofundamento será fundamental para que encomendas destinadas ao polo naval de Rio Grande cheguem ao município. Ele acredita que em cinco anos haverá uma grande mudança da matriz logística do porto. “O importante é propiciar a estrutura, o resto a iniciativa privada faz”, sustenta o superintendente. Ele enfatiza ainda que o calado de São José do Norte, onde está prevista a expansão portuária no futuro, com o prolongamento dos molhes e a dragagem, saltará de 10 metros para 14 metros.

Expansão da pista do Salgado Filho deve começar em outubro

O projeto de ampliação da pista do aeroporto Salgado Filho foi encaminhado para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para revisão e agora aguarda a autorização para a licitação da obra, relata o superintendente do aeroporto Internacional Salgado Filho, Jorge Herdina. A previsão é de que os serviços se iniciem em outubro deste ano e a estimativa de duração dos trabalhos é de 30 meses. O projeto, que tem como maior objetivo beneficiar o transporte de cargas aéreas, é estimado em cerca de R$ 120 milhões.

A iniciativa prevê o aumento da pista em 920 metros no sentido Leste, passando dos atuais 2,28 mil metros para 3,2 mil metros de extensão. A largura da pista passará de 42 metros para 45 metros. A primeira etapa, que já está acontecendo, que é o alargamento e recapeamento da pista atual, terá um custo de cerca de R$ 12 milhões. O responsável técnico pela obra pelo Consórcio Construtor Equipav/Procon, Onivaldo Pellizzaro, explica que se trata de um recapeamento com correções longitudinais e transversais do pavimento existente.

A correção é feita em toda a pista. Além disso, está sendo realizado um novo balizamento noturno. Pellizzaro lembra que as obras não podem ser efetuadas durante as operações das aeronaves. Por isso, as ações são conduzidas entre a meia-noite e às 6h. Em torno de 60 pessoas atuam na obra. As medidas de recapeamento e alargamento, iniciadas no ano passado, devem ser concluídas ainda no primeiro semestre de 2010, informa Herdina.

“E, posteriormente, com a ampliação teremos uma estrutura disponível para atender a operações de longo alcance para o transporte de cargas”, ressalta o superintendente. Ele comenta que será possível alcançar através de voos diretos mercados importantes como os Estados Unidos e a Europa. O Salgado Filho poderá receber operações de aeronaves como o Boeing 747-400 (cerca de 105 toneladas de capacidade carga) e o MD-11 (cerca de 70 toneladas de capacidade carga).

Atualmente, se uma aeronave de grande porte quiser transportar produtos a partir do aeroporto de Porto Alegre terá que optar por diminuir o volume de combustível ou a sua quantidade de carga. Os principais segmentos que utilizam o modal aéreo para transportar cargas no Estado hoje são o coureiro-calçadista, o metalmecânico e o eletrônico.

 Jornal do Comércio – Especial

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Categorias:aeroportos brasileiros, COPA 2014, Economia Estadual, Infraestrutura

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