“Até julho (2011), liberamos a cabeceira para a nova pista do aeroporto”

Jorge Dusso, diretor-geral substituto do Demhab

A pior parte da novela de ampliação do aeroporto Salgado Filho, com desapropriações empacadas e licitações contestadas, passou. Quem garante é Jorge Dusso, diretor-geral substituto do Demhab e encarregado da remoção de duas vilas situadas na cabeceira da pista de aviação, cujas casas impedem a instalação de equipamentos necessários para voo sob neblina. Sem essa aparelhagem, atrasos são constantes em Porto Alegre. Até agora, foram transferidas apenas 152 famílias, das 2,9 mil que devem ser removidas.

Zero Hora – Desde 1997 autoridades projetam a ampliação do Aeroporto Salgado Filho. Passados 13 anos, menos de 10% das casas situadas na área destinada ao aumento da pista e terminais de carga foram removidas. Qual o motivo?

Jorge Dusso – Por diversas razões. Em qualquer obra, leva-se mais tempo no planejamento, orçamento e licitação, do que na construção em si. Dia desses, para retirar uma árvore situada onde planejávamos uma casa, levamos mais de seis meses. Hoje, todo projeto arquitetônico de grande porte exige demorada análise de licenciamento ambiental. A escolha de um terreno depende disso e muitas vezes não existe essa área livre de empecilhos. Um segundo ponto é o orçamento. Para remover a Vila Dique, tivemos de refazer três vezes a licitação. É que orçamos as obras de acordo com uma tabela de gastos exigida pela Caixa Econômica Federal (CEF), considerada defasada pelos construtores, já que o mercado está aquecido. O resultado é que os interessados não apareceram para disputar a concorrência ou se retiraram, após participar. Só depois de três tentativas chegamos ao preço final e as obras começaram, em outubro passado. Depois de iniciar as primeiras 152 novas casas, orçadas em R$ 33 milhões, ainda tivemos de aditar mais R$ 6 milhões para construção de muros e chapas no lugar de estacas, porque o dinheiro orçado inicialmente não as contemplava.

ZH – Mas dinheiro existe? E não existia antes?

Jorge Dusso – Dinheiro existe e acho que nunca foi o problema, porque o governo federal sempre se comprometeu com repasses. Afinal, o aeroporto é obra federal. Toda a remoção deve sair por menos de R$ 500 milhões. O que mais atrapalha, realmente, são os licenciamentos e as licitações, tudo muito demorado e tudo muito contestado. Para dar uma ideia, uma das vilas situadas nas proximidades de onde construiríamos as novas residências da Dique se levantou contra a remoção do pessoal para aquele lugar. E tivemos de mudar o lugar. Agora pretendemos concluir a remoção das 1.469 casas da Dique até junho de 2011

ZH – Isso é metade das remoções previstas. Como fica a outra metade? Até a Copa sai?

Jorge Dusso – Sai, com certeza. Já temos três áreas, perto do limite de Porto Alegre com Alvorada, que serão destino de 1,3 mil famílias da Vila Nazareth. Até o fim deste ano, vamos começar a licitação para construir as casas. Quando a Nazareth for removida, será ali o terminal de carga da nova pista do aeroporto. E aí o Estado terá de remover outras casas, boas, do Jardim Floresta. Tudo estará terminado em 2013, pode anotar.

ZH – O senhor sabe que a população ouve essa promessa há 13 anos. Que garantias existem?

Jorge Dusso – Como eu disse, o problema é muito maior no início, para deslanchar projetos, licenças, áreas e licitações. As áreas são densamente povoadas, desapropriações têm de ser pagas aos donos dos terrenos que foram invadidos por essas vilas…Tudo findo, fica fácil. As obras são rápidas. E até julho liberamos a cabeceira para a nova pista do Salgado Filho, pode anotar. É o miolo das vilas, aí a ampliação do aeroporto pode começar.

ZH



Categorias:Aviação, Infraestrutura

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3 respostas

  1. GOSTARIA DE SABER QUANDO A VILA NAZARÉ VAI SAIR PQ O MURO DO SUPOSTO DONO DO TERRENO ESTA CHEGANDO PERTO DAS CASAS

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  2. Minha pergunta é a seguinte:
    Por que ao contrário de remover a vila nazareth, não se faz as melhorias necessárias em esgoto, pavimentação, iluminação, tornando este ponto mais acessível para quem vive entre a Avenida Sertório e FreeWay, esta possibilidade não existe???
    Outra:
    Sinceramente, o tamanho das casas que foram “dadas” aos moradores da vila dique é uma vergonha!!!! Espero que as casas dos moradores da vila Nazareth sejam casas dignas, onde seja feito um levantamento REAL, do tamanho das moradias e seja repassado nesta nova morada uma casa de igual tamanho, não esses “puleiros” que foram apresentados para os moradores da vila dique. “para se ter noção, há terrenos na vila Nazareth com mais de 200m².”

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  3. Gostaria de saber qual o tamanho das casas?????
    E como já me cadastrei como faço para cadastrar meu comécio que abri em maio do mes passado????
    Pois dependo do meu comércio para sobreviver???
    Porfavor me responda o mais rápido possível.

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