Prefeitura antecipa de 2016 para 2014 o prazo para retirada de carroças das ruas da Capital

A objetivo é que a cidade esteja sem carroceiros quando partidas da Copa do Mundo começarem

A prefeitura de Porto Alegre pretende antecipar em dois anos a retirada de carroceiros das ruas e avenidas da Capital – embora pouco tenha sido feito desde que uma lei foi aprovada, em setembro de 2008. A objetivo é que a cidade esteja sem carroceiros em junho de 2014, quando partidas da Copa do Mundo serão realizadas no estádio Beira-Rio.

Ao açoitarem cavalos magricelas, cruzando túneis, lado a lado com caminhonetes importadas, papeleiros simbolizam uma cidade cosmopolita e bárbara ao mesmo tempo. São os vestígios do passado tatuados numa Capital moderna. Após décadas de debates, a Câmara de Vereadores aprovou, em 2008, um projeto que estabelece prazo de oito anos para que carroças e carrinhos tracionados por humanos deixem de existir. Mas quase nada saiu do papel até agora, como reconhece o vereador Sebastião Mello (PMDB), autor do projeto:

– A lei só foi regulamentada em março, um ano e meio após a aprovação. É difícil entender como uma cidade que pensa em metrô e fala em duplicar a Avenida Beira-Rio não resolve o problema das carroças.

A prefeitura pretende recuperar o tempo perdido antecipando o prazo estabelecido pela lei. Para o segundo semestre, projetam-se medidas que visam a acabar com a circulação de carroças até 2014.

– O prazo para retirada é 2016, mas se temos como antecipar, por que não? Não basta tirar os carroceiros das ruas. É preciso oferecer alternativas – diz Luciano Marcantónio, secretário-adjunto de Coordenação Política e Governança Local de Porto Alegre.

Para o presidente da Associação dos Carroceiros da Grande Porto Alegre, Teófilo Rodrigues Motta Júnior, o novo prazo é improvável.

– Não adianta esconder os problemas para a Copa – pondera Teófilo.

Nos próximos dias, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) a Brigada Militar e o Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca) devem discutir a participação de conselheiros tutelares em blitze e abordagens de carroceiros que visem a coibir o trabalho infantil.

PERGUNTAS E REPOSTAS

  • O que prevê a lei atual?

Aprovada em julho de 2008, a lei das carroças, como é conhecida, foi regulamentada pelo prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, em março deste ano. A legislação prevê, em síntese, a retirada de todos os carroceiros e carrinheiros de Porto Alegre até 2016.

  • O que foi feito até agora?

Quase nada. Neste período, poderiam ter sido cadastrados e emplacados os cerca de 8 mil carroceiros e carrinheiros que atuam na cidade, o que não aconteceu.

  • Qual é o novo compromisso?

A prefeitura anunciou que pretende retirar as carroças de circulação até 2014, quando a Capital irá sediar jogos da Copa do Mundo, dois anos anos de o prazo expirar.

  • Como será a retrição ao trânsito de carroças?

O trânsito de carroças deve começar a ser restringido na cidade. Tudo indica que a proibição vai se iniciar pelas ruas centrais e, gradativamente, atingir novos bairros e regiões da Capital, até 2014. A prefeitura deve divulgar em junho como ocorrerá a restrição. O Executivo pretende apresentar, nos próximos 90 dias, um projeto de lei definirá como será a fiscalização.

  • Como a meta será atingida?

Uma empresa será contratada para cadastrar todas as cerca de 8 mil pessoas que conduzem carrinhos ou carroças para reciclagem. A previsão é que todos estejam cadastrados antes do final do ano, quando terão seus veículos emplacados. A partir das Ilhas, região da cidade que concentra o maior número de carroceiros, a prefeitura pretende oferecer cursos profissionalizantes em parceria com o Parque Estadual Delta do Jacuí e o Ministério do Trabalho e Emprego.

  • Onde os carroceiros serão aproveitados?

CONSTRUÇÃO CIVIL

O foco principal será o treinamento voltado ao mercado da construção civil, em expansão no país. A prefeitura acredita que a construção civil possa absorver, individualmente, a maior fatia de ex-carroceiros. Serão oferecidos 200 horas de curso. Ao término do período de preparação, garante Luciano Marcantónio, secretário-adjunto de Coordenação Política e Governança Local de Porto Alegre, os novos profissionais serão introduzidos no mercado de trabalho.

REFLORESTAMENTO

Em parceria com o Parque Estadual Delta do Jacuí, será implementado o projeto Viveiros, que prevê plantação de árvores nativas. A prefeitura acredita que empresas, interessadas em medidas compensatórias, possam se interessar pelo projeto.

PSICULTURA

A produção de peixes é uma das possibilidades voltadas ao Parque Delta do Jacuí.

 

ZERO HORA



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3 respostas

  1. O dia em que não verei nada!
    Finalmente uma ótima noticia, em fim porão fim as tristes criaturas que ainda trabalham com nossos queridos animais. Mas ainda quero ver isso na prática, é, meu amigo já muito vi se dizer de lá e cá, mas na prática a teoria é outra. Fico muito feliz e quero estar aí para ver o dia em que não verei nada!(em fim as carroças e carroceiros).

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  2. 1) Também acho uma brutalidade o trabalho dos papeleiros e dos cavalos.
    2) O Teófilo tem toda a razão, não adianta esconder os problemas para a copa.
    3) Camionete importada tá longe de mostrar que uma cidade é moderna.
    4) Porto Alegre, em relação ao trânsito e a coleta de lixo reciclável não é nada moderna, deixa muito a desejar.

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  3. E quem fim levarão os pobres cavalos?

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