Artistas criticam projeto que regula obras nas ruas da Capital

A Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude (Cece) da Câmara Municipal debateu, na tarde desta terça-feira (1º/6), o projeto de lei do vereador Bernardino Vendruscolo (PMDB) que regulamenta a instalação e retirada de obras de arte localizadas em próprios municipais. O tema foi discutido com representantes dos artistas que discordam da proposta. Bernardino Vendruscolo (PMDB) alega que protocolou o projeto para que a utilização dos espaços públicos passe pelo Legislativo. Para os artífices, as preocupações vão dos critérios para novas instalações até a retirada das atuais obras na cidade. Eles pediram ao vereador que retire o projeto de tramitação.

Super-Cuia, de Saint Clair Cemin, é um dos mais polêmicos. Foto: Gilberto Simon

Artistas

De acordo com Ubiratan Fernandes, presidente da Associação dos Escultores do Estado Rio Grande do Sul (AEERGS), é importante se discutir as obras colocadas em espaços públicos. “A cidade quer ficar bonita, mas tem que discutir os critérios para ficar bonita”, diz. Ele acredita que 90% da população não participa das discussões sobre obras de arte e que este tipo de arte em espaço público não tem o devido reconhecimento das autoridades.

“A obra pública, em todos os lugares do mundo, é um ponto turístico e de incentivo aos artistas”, diz Fernandes. Citou como exemplo cidades europeias como Roma, na Itália, que tem manutenção permanente destes equipamentos. “Os critérios de estéticas devem passar por um concurso para que sejam colocadas em locais públicos”, sugeriu ele ao pedir a retirada da tramitação do projeto para um debate mais amplo sobre o tema.

Para Luisa Gabriela Santos, representante do Conselho Municipal de Cultura e estudante de artes da UFRGS, a informação e educação das pessoas quanto às obras deve ser priorizado. “É importante que as obras de arte que já estão na cidade sejam mantidas, pois elas representam a nossa história e cultura”, avalia. Já Gaudêncio Fidélis, historiados de arte, mostrou preocupação com os critérios que serão impostos no projeto e de como se daria a retirada das obras já colocadas na cidade. “Quem irá regulamentar estas obras, já que a profissão não é regulamentada?”, indagou. Fidélis defende uma comissão técnica permanente a ser criada pelo Executivo para acompanhar os critérios a serem adotados.

Autor

O autor do projeto, vereador Bernardino Vendruscolo (PMDB), informou que encaminhou ao presidente da Casa uma solicitação de audiência pública para discutir o tema. “Precisamos aceitar o contraditório e não queremos que todos pensem como nós. O projeto pode sofrer alterações, por emendas ou substitutivo”, diz Vendruscolo. O vereador registra que, com os os critérios atuais, não é possível continuar. Defendeu uma melhor manutenção das obras e se comprometeu em avaliar a alteração do projeto após outras informações da audiência pública.

“O poder público não tem condições de dar manutenção a todos monumentos. A obra não cuidada passa a ser negativa”, diz. Bernardino Vendruscolo disse que tem recebido críticas e elogios, mas a finalidade é ver todas as obras de arte bem cuidadas em Porto Alegre. Ele também defende que todo o uso da área pública pelo Executivo passe pela Câmara Municipal.

Executivo

Professor Garcia, vereador licenciado e titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), disse que a pasta é responsável pelos monumentos, que estão na maioria em praças e parques. Garcia ponderou que foram gravados R$ 500 mil para manutenção de monumentos, mas que a verba é insuficiente. “Cobriria apenas o custo da reforma do Monumento dos Açorianos”, diz. O secretário também ressaltou que a Smam lançará uma cartilha para contar a história dos monumentos da Capital. “Vamos investir em educação e turismo”, informa.
 
Ana Maria Germani, arquiteta da Smam, disse que o órgão acompanha a instalação e examina condições de paisagismo e segurança das obras e a inserção nos espaços da cidade. “Todas as obras recebem aval do Crea. Há um estudo técnico.”, diz. Luiz Antônio Custódio, representante da Secretaria Municipal da Cultura (SMC), disse que o problema da educação é essencial neste caso. “Quando o cidadão não aprende isto na escola fica difícil entender as obras de arte”, critica.

 
Educação

Juliana Brizola (PDT), presidente da Cece, acredita que, se existem pontos negativos no projeto, este traz um debate de extrema importância. “Vejo que o mais importante é a conservação. Nossos monumentos estão deteriorados, o que é um desrespeito ao artista e à população”, critica. Juliana ressalta que a cultura tem que ser vinculada à educação. “Sonho com o dia em que as escolas possam dar este processo educacional e cultural às crianças”, pondera. Segundo ela, por mais que seja contra o projeto, é essencial debater para avaliar o melhor caminho para estas obras de arte. “O melhor caminho é esperar a audiência pública, que é de extrema importância neste contexto”, completa.

Também compareceram à reunião os vereadores Tarciso Flecha Negra (PDT) e Fernanda Melchionna (PSOL). o secretário-adjunto da Smov, Adriano Gularte, e Adriana Xaplin, da Associação dos Escultores.

Câmara Municipal



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4 respostas

  1. Tambem concordo com o Gilberto. Deveriam sim criar um belo espelho d’agua, com chafarizes no entorno….mas como estamos falando de POA, acho que no maximo saira uma grade “horrorosa” no estilo da fonte da Talavera ou do chafariz da Redencao.

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  2. Buenas, Gilberto!?

    Este projeto é bastante polêmico. Já discuti no meu blog sobre este projeto de lei, mas o vereador Bernardino Vendruscolo já cedeu um pouco. Já é um sinal.

    Abraço cara! Valeu por adicionar meu blog na tua barra de rolagem.

    link do post sobre esta lei:
    http://ideiasdoguri.blogspot.com/2010/04/na-ultima-quarta-feira-2104-saiu-na-zh.html

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  3. “Cobriria apenas o custo da reforma do Monumento dos Açorianos”. Me custa muito acreditar que pra fazer uma simples reforma naquele monumento se gastaria meio milhão de reais. é por isso que poa e o brasil não vão p frente – as superfaturações de obras são um empecilho ao desenvolvimento

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    • Bruno, neste caso, o custo da restauração de um importante Monumento, um dos símbolos de Porto Alegre, acho até pouco 500 mil. E ao meu ver, para que ele ficasse mais protegido dos vândalos e indigentes que moram nele, deveria se construir um espelho d’água na sua volta, impedindo as pessoas de tocarem nele, e não somente aquele canteiro de grama, com luzes queimadas. Pra apreciar o monumento, só à distância. Pois as grades que inventaram agora em torno dos monumentos são uma agressão ao bom gosto e ao bom senso. Em relação a Super-Cuia, tão polêmica, que muitos chamam de Super-Teta, acho de ótimo gosto, um belíssimo trabalho do artista portoalegrense radicado ha muitos anos em Nova Iorque, Saint Clair Cemin.

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