E o Teatro da OSPA? Em busca de um teatro, por Isaak Karabtchevsky

EM BUSCA DE UM TEATRO – Por que os clássicos exigem boa acústica

Porto Alegre precisa de uma sala de concerto à altura da cidade, capaz de abrigar obras dos maiores compositores do mundo

A experiência de uma boa acústica é uma das emoções mais fortes que um ser humano pode experimentar. Desde a Grécia Antiga, saber e poder ouvir eram condições essenciais para o desabrochar do teatro antigo, e é admirável como sabiam fazê-lo em ambientes abertos, desprovidos dos recursos dos quais dispomos hoje. Talvez seja esse o segredo mais bem guardado de toda a história da humanidade. Como era possível ouvir uma conversa em sussurros a metros de distância, sem nenhum sistema de projeção sonora? Ainda hoje tentamos alcançar esse estágio da perfeição dos antigos, por meio das estruturas que mais se aproximem daqueles moldes. Lembro-me até hoje com indescritível emoção da 9ª Sinfonia de Beethoven, que regi na Piazza San Marco, em Veneza, com a orquestra do Teatro la Fenice. Também lá temos uma excelente acústica, pois a praça é toda rodeada de antigos palácios.

Penso nas salas de concerto fielmente idealizadas para servir a música sinfônica, e vem-me à mente o Musikverein, em Viena, o Konzertgebauw, em Amsterdã, o Suntory Hall, em Tóquio. Nesses teatros tive a oportunidade de viajar com as orquestras das quais fui diretor artístico, a Tonkuenstler, de Viena, o Teatro La Fenice, de Veneza, e a Orchestre National des Pays de la Loire, na França, dirigindo os mesmos compositores que estaremos apresentando com a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) hoje, no seu concerto comemorativo de 60 anos.

E aí vem a pergunta que não cala: o que falta para termos em Porto Alegre, um teatro sinfônico à altura da cidade, da sua orquestra e do seu público? A Sala São Paulo, da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), que não me canso de citar, é talvez o melhor exemplo de integração entre orquestra e espaço. A qualidade do conjunto é amparada e moldada pela excelência acústica.

Porto Alegre merece uma sala sinfônica, e ela não se encontra em fase de construção mais adiantada por conta das reações hostis daqueles que não compreendem que uma cidade só cresce na proporção de seu patrimônio artístico, seja na pintura, nos museus, na literatura, na grandeza de seus espetáculos.

ISAAC KARABTCHEVSKY – Diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) e da Orquestra Petrobras Sinfônica, do Rio. Foi diretor artístico da L’Orchestre National des Pays de la Loire (2001-2009) e do Teatro La Fenice, de Veneza (1995-2001)

Zero Hora

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Vejam as maquetes do Teatro da OSPA que aguarda construção em Porto Alegre. Sai ou não ????


Clique para ampliá-las.



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Prédios

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3 respostas

  1. Ar resposta eh NAO. Os ecossauros jamais vao deixar destruirem meia duzia de eucaliptos no aterro do Harmonia.

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  2. Não esqueçam que os porto-alegrenses e associações de bairro protestaram porque não querem a Ospa perto deles. Vide bairro independência e Floresta.
    E também protestaram porque nao queram a Ospa no local onde se instalará., pois vai “acabar com o verde” .

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  3. Realmente, uma cidade só cresce na proporção do seu desenvolvimento artístico.
    Não possuo conhecimento na música clássica e com uma casa para isto (como havia na Independência), me atrairia a conhecer, ao menos uma oportunidade para mim e para aqueles que não tem tanto contato assim.
    Mas quanto a construção, não há alguma movimentação perto do Gasômetro, ou apenas cercaram a área?

    Abraço!

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