PENSANDO O FUTURO: Uma simulação da Capital até 2050

Oficina de cenários urbanos na UFRGS cria alternativas de desenvolvimento para quatro áreas da cidade nos próximos 40 anos

Com quatro programas de computador e disposição para o debate, professores e alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) criaram novos cenários para quatro áreas consideradas vazios urbanos, projetando Porto Alegre para 2014, o ano da Copa do Mundo no Brasil, 2025 e 2050. Os projetos foram executados em parceria com a Universidade Técnica Federal de Zurique e com a participação da comunidade.

Uma semana de discussão na oficina Cenários Urbanos e 9.526 acessos registrados no site (www.urbanscenarios.com.br) resultaram, por exemplo, numa área renovada próximo ao aeroporto Salgado Filho, com simulações que incluem a construção de centro de convenções e de logística e até de um túnel sob a área do aeroporto para fazer a conexão da cidade com a área, apelidada de Greentech.

– Nós usamos a cidade tal como é, acrescentamos os projetos existentes e modelamos novas propostas sobre ela – explica o coordenador do evento, professor Benamy Turkienicz.

As ferramentas de simulação podem ajudar os vereadores, que debatem o Plano Diretor, a comunidade e os especialistas a enxergar o impacto do que for planejado.

Arquiteta da Secretaria do Planejamento de Porto Alegre, Ada Raquel Schwartz comemora a tentativa de integração e utilização dos programas de computador usados na oficina. Hoje, observa ela, técnicos da prefeitura se valem apenas de informações como censos demográficos e imagens de satélite para projetar o impacto de obras, sem previsões exatas do que ocorrerá em determinada região em função de construções ou mudanças viárias.

Projeto cria novo bairro e prevê expansão da UFRGS

Nas simulações da oficina, até um novo bairro surgiu, o Integração, como estratégia de ligação entre as zonas sul e norte da cidade. Um túnel eliminaria a barreira natural criada pelo Morro Santana entre as duas regiões, e condomínios sustentáveis, além de um complexo comercial, são projetados ao longo da Avenida Manoel Elias.

Ainda não chegaram à Reitoria da UFRGS as sugestões apresentadas pela oficina na noite de segunda-feira, no encerramento, mas o vice-reitor da universidade, Rui Vicente Oppermann, acredita que as propostas para o campus do Vale – que o projeto Cenários Urbanos chama de “Vale do Conhecimento” – possam ajudar na expansão da UFRGS. O plano é de um aumento de 30% nas vagas até 2012 e a consequente ampliação da infraestrutura, com mais 90 mil metros quadrados de área construída nos quatro campi.

AS PROPOSTAS para os quatro vazios urbanos
ÁREA 1 (região do aeroporto, da Ceasa, do Cais do Porto e do Parque Náutico)
– GreenTech – Um plano urbanístico para a Zona Norte, usando o aeroporto como polo de desenvolvimento. Aproveitando sua localização estratégica (próxima também às principais saídas da cidade), a área teria um centro para serviços, logística e indústrias de alta tecnologia.
A poluição do ar causada pelo transporte terrestre e aéreo seria aliviada por um parque nos dois lados da BR-290, que poderá ser preparada ainda para apoiar o equilíbrio hídrico em caso de chuvas fortes.
ÁREAS 2 e 3 (abrange a Rua Tenente Ary Tarragô e a Avenida Manoel Elias, e os bairros Vila Jardim, Itu Sabará e Passo das Pedras)
– Protásio Norte – Parte da estratégia de integração entre as zonas Sul e Norte. A ideia é promover o desenvolvimento sustentável, com a criação de um complexo comercial (Protásio Norte) para estimular a criação de empregos. Como é área nova, haveria a valorização de projetos residenciais e o encorajamento do uso de áreas verdes em parques e praças e em espaços privados. O complexo comercial também seria um centro alternativo de transbordo, que permitiria o acesso de moradores de Porto Alegre, Viamão e Alvorada ao resto da Região Metropolitana sem passar pelo Centro.
– Bairro Integração – Parte principal da estratégia de integração entre o sul e o norte da cidade, que receberia o trânsito resultante da construção do Túnel Integração, concebido para superar a barreira natural do Morro Santana e de uma reserva natural de 300 hectares. O morro separa a Zona Sul (incluindo os bairros Ipanema, Tristeza, Restinga e Lami), da Zona Norte e das estradas que conectam Porto Alegre com o resto do Estado e do país. O bairro, ao longo da Avenida Manoel Elias, deverá ser ocupado com empreendimentos residenciais adaptados ao terreno e à vegetação locais. Um complexo comercial e comunitário atenderia a demanda de tráfego e contaria com serviços e equipamentos hoje escassos nas comunidades vizinhas.
ÁREA 4 (Campus do Vale-Agronomia)
– Vale do Conhecimento – A proposta do Vale do Conhecimento sugere a ocupação da faixa entre a Bento Gonçalves e o Morro Santana com três atividades principais: prédios e equipamentos relacionados às faculdades da universidade, funcionários, estudantes e visitantes, a serem construídos na borda da Avenida Bento Gonçalves; um novo Centro de Convenções e Conferências da UFRGS; e o novo complexo educacional da Faculdade de Educação Física (Esef), que incrementaria seu papel no treinamento de atletas de alta performance para os Jogos Olímpicos do Rio em 2016.

As áreas do projeto:

Zero Hora



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1 resposta

  1. Puxa essa área do entorno do aeroporto vem sendo estudada há muito tempo no ateliê de urbanismo 3 da FA UFRGS. Essas idéias não tem nada de inovadoras, já que vem sendo aprimoradas pelas diversas turmas de estudantes do ateliê já há alguns semestres (túnel sob aeroporto, pólo de alta tecnologia no entorno do aeroporto…)
    Pena não darem atenção à todos. A imprensa pouco se importa em discutir esses assuntos (só está aproveitando a onda da copa), muita coisa boa surge na universidade e fica por lá já que ninguém quer mostrar.
    E prof. Benamy, não queira ficar com todos os créditos…

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