O Aeromóvel em debate

Começaremos aqui no Blog, a partir de hoje, um debate sobre um dos mais polêmicos projetos da tecnologia gaúcha: o aeromóvel, idealizado por Oscar Coester. Participe! 

Segundo a Wikipédia, “o Aeromóvel é um meio de transporte urbano automatizado em via elevada de concepção inteiramente brasileira e que utiliza um singular sistema de propulsão pneumática, inventado por Oskar H.W. Coester”. 

Para mais informações, consulte o site oficial do aeromóvel – http://www.aeromovel.com.br/ 

Recentemente, posts do Blog Porto Imagem obtiveram significativa participação de leitores contrários à sua implantação em Porto Alegre alegando tratar-se de tecnologia ultrapassada e não condizente com a atual tecnologia disponível. Caso fosse realmente viável, tanto economicamente quanto tecnologicamente, porque praticamente não é usado em larga escala no mundo? Ele somente é utilizado dentro de alguns parques (uma linha do aeromóvel brasileiro, de 4km, opera em um parque de Jacarta, Indonésia) e existem pouquíssimos exemplares com tecnologia similar rodando no mundo. 

Alguns dos comentários dizem:

– “Já não basta aquele monstro horrendo no Gasômetro, onde foram despejados milhões de reais a fundo perdido, para criar aquela inutilidade. Agora falam em novamente gastar em um protótipo ao invés de usar tecnologia já comprovada. Esse aeromóvel só serve para enganar o povo, e em mais de 30 anos, não emplacou em lugar nenhum no mundo. Vamos parar de ser iludidos com ilustrações coloridas e adulações e investir onde é certo que teremos retorno“. (Antonio Ckless) 

– “Estranho a definição de um meio de transporte não comprovado, para ser novamente financiado com verba pública. Ou alguém acha que aquele esqueleto construído com suado dinheiro público no Gasômetro é prova??? Este método de impulsão de um veículo, que já foi utilizado nas minas de carvão da Inglaterra no século XIX, foi abandonado por não ser viável. Mas aqui no Brasil, o “inventor” que se faz passar por “engenheiro”, continua tentando mamar nas tetas do Governo, ao invés de gastar seu próprio dinheiro para provar a sua utopia. Alguém já pensou porque ninguém no mundo inteiro usa este meio, a não ser um pequeno parque de diversões num país do quarto mundo? E no falido protótipo do gasômetro. Não deve ser porque a idéia é boa, com certeza.  Quero moralidade nos gastos públicos!” (Gilberto Sander Muller) 


Princípio de funcionamento do aeromóvel 

_________________________ 

Afinal, estes projetos de cerca de 1km que serão implantados ligando a Estação Aeroporto do Trensurb ao Terminal 1 do Aeroporto Salgado Filho e mais a linha circular da PUC seriam inviáveis ? 

Ao meu ver, o aeromóvel pode ser implantado em pequenos trechos, pequenas linhas como as que serão implantadas aqui. A PUCRS, atualmente estuda a modernização e a adequação do projeto antigo aos atuais tempos, com o objetivo de inaugurar em breve uma linha circular em seu campus. Tenho certeza que uma universidade como a PUCR, das mais avançadas do país, não seria a responsável por implantar um invento atrasado em seu campus, apenas para aparecer ! 

Da mesma forma, creio que a Trensurb não faria isso. 

Mas, em grandes percursos, tenho minhas dúvidas da eficácia do aeromóvel. Não há estudos suficientes para comprovar a sua viabilidade em trechos longos, como o que alguns já sugeriram, através da Avenida Ipiranga, indo até a PUC ou até o Campus do Vale da UFRGS. Creio que trechos assim devem ser operados por sistemas e veículos de maior porte e de maior capacidade. 

Deixo a palavra aos técnicos, engenheiros e a quem mais interessar debater este projeto genuinamente gaúcho e brasileiro. E que agora parece que sairá do papel de forma prática e não mais do enfeite da linha da Loureiro da Silva. 

O que acham ? 

Sim ou Não ao Aeromóvel ? Ele é viável em todos os tipos de linhas ? 

O poder público deve investir num projeto assim ? E por que não ? 

Gilberto Simon  

Meu comentário:

Acho que muita gente não se dá conta de que a linha da Loureiro da Silva/Gasômetro foi apenas uma linha de menos de 1km pra testes tecnológicos e não testes de viabilidade de transporte de passageiros. Como pode uma linha dar certo se leva do nada ao nada ? A linha, se é que dá pra chamar assim, era pra mostrar ao mundo o aeromóvel. Mas ele nunca teve uma linha comercial ou, ao menos, que servisse para levar de algum lugar ao outro. Então não aceito críticas ao aeromóvel com base na linha do Gasômetro. A única linha comercial feita até hoje deste projeto foi em Jacarta, na Indonésia. Outra coisa: todo mundo sabe que as empresas de ônibus, tanto urbanas como intermunicipais mantém um oligopólio, um cartel. O que elas não querem, não sai. E os governos tem, sem exceção, obedecido às empresas de tal forma que o que é melhor para o povo fica em segundo plano. Uma linha do aeromóvel na cidade concorreria muito fortemente com os ônibus. Creio que foi esse o principal motivo de não ter ido adiante o projeto do nosso aeromóvel. Nem aqui e nem em qualquer outra cidade do Brasil. O aeromóvel é viavel sim, em trechos pequenos e, caso a tecnologia seja aperfeiçoada, podrá ser usada em trechos maiores. As linhas do Aeroporto e da PUC, assim como a futura linha ligando a Estação Esteio do Trensurb ao Parque Assis Brasil e ao Oceanário Sul, serão linhas que levarão passageiros de um lugar ao outro e terão forte impacto urbano e visual. Portanto elas são viáveis economicamente. A linha da PUC será tocada pela própria Universidade, portanto dinheiro privado. As outras duas, estarão a cargo da Trensurb. Não me parece gasto excessivo do poder público. O negócio da Trensurb é transportar e qualquer que seja o transporte, se viável, pode ser desenvolvido. A população e o turismo nestes locais só tem a ganhar. Gilberto Simon, em 04/07/2010.



Categorias:Aeromóvel, Infraestrutura, Meios de Transporte / Trânsito

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41 respostas

  1. Miami tambem tem um trem aéreo (a linha é sobre pilastras), que tem ótima aparencia (não é daqueles casos que degradam a região, por ser aéreo)

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  2. O metrô de Dubai também não tem condutor. O espaço que seria reservado para tal é ocupado pelos passageiros. Também não é subterrâneo: tem lindas estações que ajudam a decorar a cidade e roda por cima das avenidas, em pilastras.

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  3. Gostaria apenas de fazer um breve comentário a respeito da possível não-existência d eum condutor no veículo. Estou morando em Torino, Itália, cidade que recentemente implantou um sistema de metrô que está entre os mais modernos do mundo. E sem ondutor… Com a tecnologia que existe hoje, é possível e viável dispensar a sua presenca!

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  4. Para melhor entender o desenvolvimento dos meios de transporte, anexo alguns atalhos onde poderá ser encontrado um

    resumo da evolução dos meios de transporte por meio de gás pressurizado. As máquinas a vapor, inicialmente eram

    estacionárias, e foram utilizadas em minas para bombear a água do subsolo para a superfície. Depois passou-se a

    utilizar o vapor como meio para insuflar ar novo na mina, de forma a manter a vida no subsolo. Neste mesmo momento,

    foi enxergada a possibilidade de movimentar junto com o vapor e o ar, um vagão para transportar o minério. O

    processo não se desenvolveu, porque a vedação dos dutos era problemática, e a eficiência muito baixa. Então foi

    abandonada, junto com a evolução da máquina a vapor móvel, que se tornou um padrão de veículo e tecnologia. A idéia

    de usar o vapor ( ou ar comprimido) como meio de propulsão é muito antiga, e já foi exaustivamente testada

    principalmente na Inglaterra, no século XIX. A sua evolução foi a locomotiva, ou seja, passou-se de um motor

    estacionário para um motor móvel autotransportado.

    Vejam em:

    http://steam-up.co.uk/traction_engine_history.htm
    http://www.sunnisidelocalhistorysociety.co.uk/durham.html
    http://www.geograph.org.uk/gallery/the_stationary_steam_engine_11676
    http://wapedia.mobi/en/Puffing_Devil

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  5. Um simples olhar no desenho acima, nos indica a existência de diversos pontos fracos, a saber:
    1) Um número muito elevado de válvulas e comandos, para viabillizar a movimentação, que são críticos do ponto de vista de funcionamento, e, como são submetidos à elevados esforços, tendem a dar problemas com frequência. Comparados com um trem convencional, ou mesmo com um ônibus, fica claro a fragilidade mecânica do aeromóvel.
    2) A vedação do duto, por onde passa a haste da aleta propulsora, é sujeita à desgaste por atrito, mas principalmente ao ataque de roedores que se proliferarão dentro do tubo e cercanias. A falta de vedação, significa que o veículo não se mexe mais, gerando a necessidade de parada e troca de um trecho grande da borracha, em local de difícil acesso. Sem contar que qualquer desgaste, diminui expressivamente a eficiência do sistema, aumentando os gastos exponencialmente.
    3) Nos cálculos hoje apresentados, para indicar a viabilidade do projeto, não estão previstas estas perdas, tampouco o peso, o espaço e o salário de um piloto para o veículo. E mesmo assim, a margem de vantagem é muito escassa. Sem contar com o imponderável, os problemas que virão, etc.

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  6. Já vi muita gente entendida dizer que o método de propulsão do aeromóvel não é muito eficiente e o sistema como um todo, o tamanho do vagão, o custo de tudo… não é nem um pouco viável, ou seja, há métodos de propulsão melhores – mesmo que o trem corra por via aérea, esse princípio não precisa ser abandonado.

    Não deve ser à toa que NENHUM lugar do planeta se interessou pelo sistema em todas essas décadas, a não ser a pequena linha de Jacarta.

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  7. Me espanta a intenção de não usar um condutor no veículo, como forma de diminuir o custo aparente do projeto, e tentar mostrá-lo como viável. É sabido que qualquer meio de transporte coletivo necessita de um condutor, que em aeronaves e barcos leva também o nome de COMANDANTE. Isto é imprescindível, para resolver situações de emergência. Alguém já pensou o que vai aparecer de vendedores ambulantes, assaltantes e drogados dentro do veículo, sem ter alguém para tomar decisões. E se alguém tem um ataque cardíaco, e se o veículo tranca no meio do trajeto, quem poderá assumir o comando do veículo? De quem será a responsabilidade civil e criminal, para os fatos que ocorrerem no percurso, sem um COMANDANTE a bordo. Até o Trensurb que é todo automático, tem um piloto para emergências, que mais dia menos dia acontecem. Vamos colocar então o custo de um piloto + o peso do mesmo – um lugar de passageiro, etc, para enxergar que cada vez o aeromóvel fica menos viável.

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  8. Quem sabe os passageiros do aeroporto não usam o Trensurb exatamente pela dificuldade de acesso a estação do trem?

    E cada carro ou taxi retirado das ruas ajudará na melhoria da circulação da cidade, por isso não acho que o investimento nesse pequeno trecho do aeromóvel seja um dinheiro desperdiçado. Aliás qualquer aplicação de recursos público na qualificação do transporte coletivos não é um malgasto, mas um investimento no futuro.

    Acredito que essa linha do aeromóvel, além de valorizar visualmente aquela região da cidade, favorecerá muitos turistas que virão para a Copa de 2014 e que ficarão hospedados no centro de Porto Alegre.

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  9. Quem serão os usuários que usarão o Aeromóvel naquele trajeto, Aeroporto/Estação Aeroporto, se este empreendimento for concluído, passageiros de aeronaves ou usuários funcionários do aeroporto? acho brabo essa…nenhum passageiro com bagagens usa o trensurb (são poucos) a grande maioria vai de taxi. Sou muito a favor de tecnologia, proncipal-
    mente se criadas por nós brasileiros, desde que, sejam realmente
    comprovados os seus resultados para o transporte de massas, e não para uma pequena parcela de usuários. Não sou “louco” em achar que o Alberto Santos Dumont ou Padre Landel de Moura eram loucos, até mesmo o Sr.Coester.
    Temos que dar créditos aos nossos inventores. Só não concordo com desperdício de verbas públicas, para atender meia dúzia de usuários. Já tem muitos “elefantes brancos” por
    aí…uma prova é o terminal de ônibus da Av.Assis Brasil com Av.Baltazar de O.Garcia e o Camelódromo no centro da capital…o primeiro, pode ainda servir para uma estação do Trensurb neste local.

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  10. Sugiro a leitura do excelente artigo do consagrado jornalista Adão de Oliveira, no site da Assembléia Legislativa do RS.
    http://www.al.rs.gov.br/ag/clipagem/noticias.asp?txtIDMATERIA=220876&txtIdTipoMateria=8&txtIdVeiculo=24

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  11. Argumento 1 -Não tenho nada contra o desenvolvimento da idéia, desde que seja com recursos da iniciativa privada. O que não cabe, é o governo investir em algo que não tem até agora pelo menos, fundamentação operacional confirmada. Nem o de Jacarta ( aliãs o único) aprovou, porque então o governo deveria investir ainda mais do que já investiu?
    Argumento 2 – Financiar algo que funciona, já é demasia. O governo entregar uma faixa de terreno, sob o regime de concessão. Isto seria o racional. Mas o custo de implantação, já que o empresário visa lucro, deve ser do empresário.
    Argumento 3- Quanto a escolha do modal, parece óbvio que é necessário, até porque a implantação de linha de ônibus é um investimento muito menor do que o tal aeromóvel. Quanto ao cartel das empresas de ônibus ninguém o desconhece, mas pergunto: Se o tal aeromóvel fosse mesmo bom, os empresários de ônibus não estariam interessados em financiar o seu desenvolvimento?
    Contra fatos não há argumentos – Perguntem em Jacarta porque não querem implantar mais linhas – Perguntem sobre os problemas de manutenção, que o empresário nunca revela quando mostra seus desenhos futuristas. O Banco Mundial está aí, pronto para financiar empreendedores. Se o empresário quiser, posso lhe fornecer o telefone. Mas não fique querendo mamar nas tetas do governo, que não deve sustentar projetos incipientes.

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  12. epa, correção:

    “Não há concorrência nem alternativas”*

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  13. Argumento 1: “mas ninguém usa o aeromóvel, porque o Brasil deveria usar?”

    Me desculpem, mas essa opinião é babaquice. O aeromóvel é uma inovação e ela deve ser debatida com argumentos lógicos e técnicos e não com a ideologia de que devemos apenas construir o que já está difundido (no exterior). O aeromóvel até poderia ser uma ideia ruim, assim como outras milhares de ideias feitas no dito “1° mundo” que não deram certo. Mas dizer que não deve ser feito apenas porque ninguém fez é um argumento bobo pra não dizer burro.

    Argumento 2: “o governo não deve se envolver na construção do Aeromóvel” ou “porque a empresa do Coester não se vira sozinha”

    Só uma coisa, é grosseiro exigir que o aeromóvel que é um meio de transporte em massa seja construído nas vias públicas só por empresas privadas. Olha, isso é quase como mandar as montadoras asfaltar as ruas. Metro, bonde, trem, aeromóvel também necessitam de vias que inevitavelmente vão atravessar zonas pública e será necessária a participação do governo e no mundo inteiro estes transportes são financiados pelo governo, salvo raríssimas exceções.

    Argumento 3 “o conceito de aeromóvel é algo falido e só existe em Jacarta e no Gasômetro”
    Pois então, a ideia de botar um meio de transporte não poluente sobre um trilho elevado sem interferir no transito não é algo feito apenas pelo aeromóvel. E sempre que surgiu essa necessidade se utilizou monotrilhos, que são mais consagrados por serem uma adaptação do trem comum. (Para os que só se alegram vendo os meios de transporte do exterior, procure pelos monotrilhos de Seattle, Frankfurt, Jacarta, Tokio, Las Vegas, Sidney…)
    Talvez surja o debate se devemos usar o aeromóvel ou monotrilho ou ônibus. Nesse caso o legal é apresentar prós e contras, e não sair dizendo que o monotrilho é melhor pq todos usam.

    Outra, existe oligopólio das empresas de ônibus, e isso é sim uma quase máfia. Não concorrência nem alternativas, queria ver como seriam os preços se o passageiro tivesse escolha do meio de transporte.

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  14. Considero interessante pequenos trajetos a priori para o aremovel. Vide o projeto da PUCRS e do aeroporto. Seria interessante ampliar este conceito para outros pontos da cidade e com o tempo observar se existe a necessidade de outras linhas com maior trajeto.

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  15. Concordo com o Tiago, cabe à iniciativa privada investir se achar conveniente. A questão é que, aparentemente, até agora, nenhuma empresa se animou com este modal. Então não cabe ao governo financiar isto, até porque, o primeiro modelo está lá em Jacarta, mas ninguém quer copiá-lo.
    E o grande custo deste modal, são as estações fixas, que precisam ser instaladas em curtos trechos. Sua instalação em trechos maiores fica então inviabilizada. Em trechos curtos, um ônibus ou trem de superfície atendem muito bem, com baixo investimento.

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