CONTRA O TEMPO – Corrida para salvar os Portais da Cidade

Projeto que desafoga centro da Capital pode perder recursos internacionais

A prefeitura de Porto Alegre corre contra o tempo para garantir recursos conquistados junto à Corporação Andina de Fomento (CAF), instituição financeira internacional com sede em Caracas, na Venezuela, para o projeto Portais da Cidade. A proposta prevê a construção de três grandes terminais de ônibus e a adaptação do terminal Triângulo, na Assis Brasil, na Capital.

A partir desses portais, passageiros vindos dos bairros e da região metropolitana de Porto Alegre seguirão viagem em ônibus articulados. A intenção é reduzir o número de veículos no Centro.

Do custo total estimado de US$ 210 milhões (R$ 372 milhões), o projeto tem US$ 100 milhões (R$ 177 milhões) garantidos pela CAF. Pelo termo de cooperação assinado em 16 de novembro passado, o município precisa realizar, por meio de consultorias privadas, uma série de análises prévias como pré-requisito para a liberação do financiamento. Para essa etapa, foram antecipados US$ 1 milhão (R$ 1,7 milhão).

Até novembro para definir modelo e localizações

Apontado como capaz de reorganizar o transporte público de Porto Alegre para a Copa de 2014, o projeto tem até novembro para ter definidas as localizações de terminais e modelo das estações.

A prefeitura agora tenta acelerar estudos em andamento para não perder o empréstimo assegurado. Dividida em seis partes, a fase inicial teve início apenas em abril, com a contratação da empresa Logitrans, de Curitiba.

Ao assumir a prefeitura, em 30 de março, José Fortunati formou uma nova equipe para tratar do projeto. Com base em análises de técnicos como o engenheiro civil Romano Botin, então diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), e o arquiteto Severino Feitoza, também da EPTC, a prefeitura sugeriu mudanças relevantes no projeto.

A principal delas era alterar o modelo do Bus Rapid Transit (BRT), sistema de corredores exclusivos para ônibus e veículos mais rápidos e com mais capacidade de passageiros. A ideia era rebaixar as plataformas das estações para facilitar a ampliação do sistema para toda a cidade. Alegando cláusula contratual, a Logitrans informou, dia 8 de julho, que não poderia alterar o modelo das plataformas.

Como funcionará
– Os passageiros de ônibus procedentes dos bairros da Capital e da Região Metropolitana desembarcarão nos portais e no terminal Triângulo.
– Desse terminal, tomarão ônibus articulados especiais para seguir viagem dentro da cidade.
– Os veículos percorrerão corredores exclusivos em direção ao centro de Porto Alegre. Também haverá conexões entre os portais.
– A ideia é reduzir o volume de ônibus que se deslocam por dia ao Centro, 33 mil em média.
– O projeto prevê que os ônibus partam de três em três minutos dos portais.
– O passageiro continuará pagando apenas uma passagem, mesmo tomando mais ônibus, desde que não saia dos portais ou das estações.
– Nos trajetos, serão construídas estações de embarque e de desembarque com plataforma elevada em relação à via. O passageiro pagará ao ingressar nas estações.
– Cada portal terá um prédio, com terminal de ônibus, estacionamento subterrâneo para carros, bicicletário e serviços.

 

Fortunati dá 30 dias para definições

As indefinições a quatro meses do fim do prazo acenderam o sinal de alerta. O prefeito José Fortunati é um dos mais preocupados, tanto que estipulou 30 dias para as definições internas e solicitou nova reunião com a CAF neste mês para tratar das exigências contratuais.

– Estamos analisando com a consultoria o que pode e o que não pode ser mudado agora. O que não for possível, vamos abrir mão para evitar problemas – explica.

No momento, a consultoria se concentra em definir a localização do portal da Zona Sul e na viabilidade do uso das ruas Marechal Floriano e Doutor Flores para a circulação dos ônibus em substituição à Borges de Medeiros. Parte do trabalho da Logitrans já foi finalizado e está sob análise de técnicos da EPTC. A conclusão deverá ser antecipada para outubro.

A mobilização é total para evitar a perda do empréstimo. Se não atender às exigências até novembro, a prefeitura terá de ressarcir o valor antecipado pela CAF.

– O projeto não está ameaçado de jeito nenhum. Vamos tratar de tomar as decisões no período adequado para a implementação do projeto – diz o secretário de Gestão e Acompanhamento Estratégico, Newton Baggio.

Zero Hora



Categorias:Meios de Transporte / Trânsito

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