Distrito Industrial de Guaíba já está em obras

Mercado e licenças ditam ritmo de obras em Guaíba

O ritmo de implantação dos empreendimentos confirmados para o antigo terreno da fábrica da Ford em Guaíba, hoje distrito industrial, é ditado pela liberação de licenças ambientais e pelo mercado. Com isso, as primeiras operações só devem começar na metade de 2011, 15 meses após o anúncio do pacote em 29 de março, com direito a solenidade e descerramento de placa por parte da governadora Yeda Crusius e do prefeito Henrique Tavares. O projeto total envolve seis empresas e investimentos de R$ 650 milhões. Apenas a Gaya Serviços Florestais obteve licença de instalação (LI) da Fepam. Andrita Supply, International Pet e Terex Corporation aguardam as licenças. Já Vipal e Renobrax ainda finalizam projetos.

Mesmo sem a licença, a International Pet começou a preparar o terreno e já emprega oito funcionários, todos de Guaíba, como Robson Ribeiro de Vargas e Cristiano Gonçalves Moura, para a obra civil. O diretor de marketing da empresa, Pedro Zaman, diz que cumpre promessa de priorizar mão de obra local. Interrompidos em junho, os trabalhos voltam em agosto com término em seis a oito meses. Logo após, começa a montagem industrial. O projeto, que almeja abocanhar 1,35% do mercado nacional de rações para cães, aposta na parceria com arrozeiros para assegurar matéria-prima. “Produziremos a partir da metade de 2011. Serão 8 mil toneladas anuais, podendo alcançar 40 mil em cinco anos”, projeta o diretor. O empreendimento de R$ 10 milhões aguarda aval de crédito de R$ 6 milhões da CaixaRS.

O tempo de execução do projeto da Gaya, que faz colheita e transporte de eucalipto para a CMPC, depende em parte da companhia chilena e seu prazo para triplicar a produção. A operação está nas mãos do diretor Eduardo Stringhini, que, ao lado da Andrita Supply, foi um dos primeiros a reservar espaço no distrito em 2008. A implantação do parque de máquinas começa em janeiro do ano que vem, com custo de R$ 1,1 milhão. Serão mais R$ 15 milhões a R$ 20 milhões em equipamentos. “Não vamos esperar a ampliação da CMPC. Onde estamos já está apertado.” Já os 200 empregos a serem gerados têm relação com o novo processamento da celulose, que sairá de 450 mil toneladas anuais para 1,8 milhão.

Depois de dois anos para obter a licença prévia da Fepam, a direção da Andrita Supply espera agora a LI para se implantar nos primeiros meses de 2011. A unidade reciclará óleos lubrificantes. O diretor da empresa com sede no estado paulista, Jorge Mauricio da Cruz Pancho, espera dar início ao processamento no final do próximo ano. “O Sul do País é carente neste segmento. Os materiais acabam hoje em aterros sanitários”, explica Pancho, que busca parte dos R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões do projeto em empréstimo na CaixaRS.

A Vipal, que investirá R$ 400 milhões com a argentina Fate (na qual tem participação) para passar a produzir em Guaíba pneus para indústria de máquinas e implementos agrícolas, informa que está desenvolvendo o projeto, tecnologias de produção e que a operação deve ocorre em três a quatro anos. A empresa de Nova Prata ocupará 100 hectares. Os projetos reservam área, pagam caução e devem concluir em um ano a aquisição junto ao governo estadual. Um atrativo é que o negócio é fechado pela metade do valor de mercado e goza de benefícios fiscais.

 

Demanda aquecida favorece projetos da Terex e da Renobrax
Os projetos da Terex, que fabrica máquinas para construção de estradas, e da Renobrax, a primeira montadora de aerogeradores no Sul do País, são embalados por mercados aquecidos. A primeira é turbinada pelos investimentos públicos. A segunda vislumbra oportunidade em novos leilões de energia eólica para formar sua demanda e uma cadeia industrial do segmento no Estado, incluindo fornecedores locais.

O diretor de vendas, marketing e pós-vendas da Terex, Gilvan Medeiros Pereira, espera a licença de instalação e finaliza projetos para erguer a segunda unidade gaúcha, com capacidade dez vezes maior que a de Cachoeirinha. O acerto para se instalar no distrito industrial sepultou a migração a outro estado. “Com gargalos na operação atual, precisaríamos ter a unidade funcionando”, descreve o executivo, que registrou alta de 70% nas vendas no primeiro semestre. O investimento em Guaíba será de R$ 150 milhões e abrirá 650 empregos. “Queremos concluir a planta o quanto antes”, adianta Pereira, que projeta a operação para metade de 2011.

O plano do diretor da Renobrax, Ricardo Rosito, é ter a LI em sete meses. A empresa, formada por investidores nacionais e que buscará parte dos R$ 100 milhões do projeto com o Bndes, adotará tecnologia austríaca. O aerogerador é 70% do custo dos parques. A meta é montar, a partir de fevereiro de 2012, composições para gerar 200 MW anuais. “Vamos suprir a demanda regional”, demarca Rosito. De olho na ascensão da energia limpa e maior competitividade frente à produção das pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), o diretor já mapeia fornecedores e cita conversações para fornecer equipamentos a parques eólicos em Livramento e Tramandaí.

Governo quer liquidar espaços até dezembro deste ano
O governo estadual espera liquidar os 100 hectares, descontando área de preservação, que ainda restam do distrito industrial de Guaíba até dezembro. A nova fase de ocupação da área, que no passado embalou o sonho da montadora de automóveis Ford, despertou a vocação múltipla do espaço. Atrás deste trunfo, mais de 30 empresas mostraram interesse desde março por uma fração do terreno, vendida pelo Estado pela metade do preço de mercado.

“Não são só indústrias. Guaíba se firma como corredor para serviços e logística”, aposta o titular da Secretaria Estadual de Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (Sedai), Josué Barbosa. Na lista de pretendentes, estão operações de varejo, transportes (fabricação e serviços) e uma indústria de elevadores.

Tanto Barbosa quanto o secretário municipal confirmam que o grupo Walmart, de supermercados, e a NC2 Global, joint venture da Navistar e Caterpilla no País, estão em negociações, não confirmadas pelas empresas. O secretário de Governo de Guaíba, Paulo Alberto Scalco, ostenta como troféu e exemplo aos indecisos o CD da Toyota, instalado desde 2005 na área. A empresa renovou a concessão e deve alcançar neste ano 40 mil veículos despachados a partir da cidade.

Jornal do Comércio



Categorias:Economia Estadual

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