Comerciantes rejeitam terceirização do Viaduto Otávio Rocha

Viaduto Otávio Rocha - Foto: Gilberto Simon

O presidente da Associação Representativa e Cultural dos Comerciantes do Viaduto Otávio Rocha (Arccov), Adacir José Flores, apelou aos vereadores, na sessão desta segunda-feira (16/8), para que apoiem o processo de restauração e de preservação do viaduto. A Arccov sugeriu a aprovação de um fundo para manutenção do monumento, cujo projeto está em tramitação na Casa.

Flores também criticou a tentativa da Prefeitura de, segundo ele, privatizar o viaduto, removendo dali o comércio tradicional do local. “O apoio desta casa e da sociedade e, principalmente, a sensibilidade do prefeito José Fortunati são fundamentais para preservação deste importante monumento histórico da cidade”, afirmou o dirigente da associação ao ocupar a Tribuna Popular da Câmara Municipal de Porto Alegre.

Flores criticou a posição do secretário municipal da Produção, Indústria e Comércio, Valter Nagelstein, que “vem pregando sistematicamente a defesa da terceirização do Otávio Rocha”. Conforme o presidente da Arccov, as afirmações errôneas do secretário atingem a credibilidade e a imagem dos permissionários que atuam no local. “E sabemos muito bem qual é a finalidade disso. Mas não seremos massa de manobra de aventureiros e políticos sem escrúpulos.”

O conselheiro da Associação de Moradores do Centro, arquiteto Ibirá Santos Lucas, também reclamou da falta de diálogo com a sociedade sobre o futuro do viaduto. Para ele, a solução do problema não pode ser decidida por tecnocratas dentro de um gabinete. “Os órgãos representativos da sociedade têm de ser consultados.” Observou que o viaduto possui forma arquitetura única, rara no mundo, e tem um forte apelo turístico. Ibirá apoiou a criação de um fundo de manutenção, com a criação de uma capatazia com funcionários qualificados para executar a manutenção do monumento.

Lideranças

Airto Ferronato (PSB), que foi relator geral do grupo que debateu o Cais Mauá e Centro Histórico na comissão do Plano Diretor, ressaltou que, a pedido da Arccov, apresentou projeto criando o fundo de manutenção do Otávio Rocha. Ferronato rechaçou a possibilidade de se transferir a administração de um patrimônio público como o viaduto para a iniciativa privada. “É um monumento da cidade e não pode ser transferido para terceiros sem a decisão de todos os envolvidos. Precisamos restaurar e preservar o viaduto.”  (MAM)

Para Idenir Cecchim (PMDB) a restauração do Viaduto Otávio Rocha é importante para a cidade. “Todos devem cuidar do bem público”, disse. Quanto a anistia do pagamento do aluguel dos permissionários, disse ser favorável durante o tempo da reforma mas, após seu término, a cobrança tem de voltar. “É preciso separar a restauração do funcionamento das lojas. Todos são responsáveis pelo local e devem assumir sua parte”. (RT)

De acordo com Fernanda Melchionna (PSOL) a responsabilidade da restauração e manutenção do Viaduto Otávio Rocha é do Executivo. A vereadora acha importante que o Instituto do Patrimônio Histórico (IPH) participe das reuniões para analisar o melhor método de conservação da obra. “O viaduto deve continuar sendo público e do público, para isso os moradores e lojistas da região devem ser ouvidos”, afirmou.(RT)

Conforme Adeli Sell (PT), é preciso buscar uma solução conjunta, cobrando ações do Executivo,  para a manutenção do Otávio Rocha. “Hoje, falta segurança, limpeza, iluminação além da má conservação. O  Viaduto nunca foi seguro e nos últimos tempos piorou muito”, disse. “Precisamos incluir nos roteiros turísticos o visita ao Viaduto, mas com segurança e higiene”, completou. Sell sugeriu uma visita oficial dos vereadores com o Instituto do Patrimônio Histórico (IPH) e com o 9º BPB para que se tome uma solução rápida para o problema. (RT)

 Câmara Municipal

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Esse Viaduto sempre foi um problema. No ano 2000 ele foi restaurado, mantendo-se as mesmas atividades originais. Não se pensou grande neste caso, como sempre. Aí que estava o erro da administração municipal da época. Ao meu ver, este lugar seria ideal pra ter cafeterias, lojas de souvenirs, artesanatos de nível, lojas de chocolate, pra atrair o turismo. Poderiam ter feito esta proposta aos permissionários naquela época, mas eles preferiram fazer exatamente o que estava lá há décadas. Eles poderiam trocar de atividade, mas teriam que estar de acordo com o proposto pelo município. Não aquelas atividades que já exerciam. Eles devem ter prioridade sobre as lojas, mas devem ser trocadas as atividades. Assim como está não pode ficar, num lugar que será caminho para o Beira-Rio, num dos principais eixos de desenvolvimento da cidade. Aquilo como está não atrai ninguém. Quem vai visitar uma loja de cópias, de carimbos, de camelôs (sim, tem camelô lá dentro) ? E se eles não quiserem trocar de atividade, para se adequar aos novos tempos, deve ser feitas novas licitações para comerciantes que queiram crecer junto com a cidade.

Algumas fotos tiradas por mim, este ano:



Categorias:Revitalização do centro

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5 respostas

  1. Gostei do post.
    Realmente, este belíssimo patrimônio arquitetônico de Porto Alegre precisa de uma renovada.
    O que poderia ser feito? Uma pintura que o preserve melhor e por mais tempo, uma boa iluminação (com jogo de cores), lojas mais sofisticadas e atraentes, mosaicos nas paredes internas maiores…

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  2. eu gosto daquelas lojas de disco que tem lá, acho elas bem boas, mas também acho que se deve “renovar” o comercio de lá. O ideal seria renovar o comércio mas deixar as lojas de disco [pra mim]

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    • Com certeza Kevin! As lojas de discos são uma exceção lá no Viaduto. Elas formam um polo desta atividade, tem que ser mantidas, com certeza. Tem pessoas até de outros estados e países, quando visitam a cidade, vão lá para fazer compras de discos de vinil.

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  3. O que será se o BLOG bater e bater nessa tecla? É perigoso! Alguém tem que fazer e o PORTOIMAGEM é o melhor canal, por sua isenção e pelo amor que tem pela cidade.

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