Ciclovias, transporte público, orla e turismo – itens em que Porto Alegre é, definitivamente, uma cidade atrasada

Há duas décadas Porto Alegre anda para trás – mas o orgulho só aumenta

Mês passado estive em Natal e São Paulo e, claro, observei atentamente os aspectos urbanísticos das duas cidades.

Natal impressiona pelo seu cuidado com o bem público. Há um imenso parque que, mesmo em área afastada, tem seu entorno completamente calçado. Lembrei da (não) calçada de areião que circunda o parque Marinha, Redenção, e até mesmo o hipódromo, que também tem calçadas de areião. Ciclovias são abundantes a capital potiguar. Também chama a atenção que por toda a cidade – e também em bairros simples da periferia – as (boas) calçadas tem guias para deficientes-visuais. Nem preciso dizer que as paradas de ônibus daquela linda cidade são exemplares: bonitas, limpas, imaculadas, de vidro – e com bancos.

Natal – e seus cidadãos, sua cultura, sua mentalidade – quer ser uma cidade bonita e quer atrair muitos, mas muitos turistas. Mas não penseem que essa mentalidade a torna uma cidade  que não cuida do social ou do meio ambiente. Os grupos pró defesa do meio ambiente lá são fortíssimos. Defendem cada centímetro que ousam tomar dos parques. Mas lá eles cuidam do que deveriam cuidar – do meio ambiente – e não de ideologias contra capitalismo. Em Natal, o verde e a floresta Atlântica são reservas ambientais dentro da cidade. Assim também faz Belo Horizonte com seus morros – e Porto Alegre e seus ambientalistas NÃO fazem com nossos morros e matas, que são devastados e invadidos por favelas e índios, e os invasores ainda são defendidos pelos ambientalistas de araque e entidades daqui.

Por fim, a ponte. Há 3 anos Natal ganhou uma nova ponte.  Havia um projeto de uma ponte bem simples, tipo a ponte nova de Florianópolis, e num local bem escondido. Mas decidiu-se pela ponte mais bonita, e em localização de destaque . Hoje aquela capital ganhou mais um cartão postal,  a ponte é um sucesso de público, e só ela já é uma atração. A nova ponte deixou a cidade mais bonita, deixa mais felizes seus moradores e ainda ajuda a cidade a atrair mais turistas e divisas.

Por falar em ponte, a mesma coisa se deu em São Paulo. Poderiam ter feito uma ponte tosca qualquer, mas fizeram a maravilhosa Ponte Estaiada, que também virou cartão postal, atração turística, e simplesmente embelezou a cidade, o que já valeu sua existência.

Orla: é incrível, mas nas orlas das bonitas – e enormes – represas Bielings e Guarapiranga há muitas ciclovias. Além de ciclovias, há marinas bares, restaurantes, tratamento paisagístico digno e vida. Até em São Paulo há vida na orla !!!   A orla paulistana tem vida, preservação, ciclovias, segurança, lazer e beleza.

São Paulo tem mil problemas, claro, todos sabem disso, mas o que vou falar é outra coisa: as soluções.

Mesmo com seus problemas, como os de trânsito, eu diria que, embora pior que o de Porto Alegre, não é tão pior quanto poderíamos imaginar pela diferença de tamanho: 1 milhão e meio de habitantes em Porto Alegre, contra 11 milhões de São Paulo. Portanto, proporcionalmente, São Paulo é mais eficiente que Porto Alegre.

Repito, lá há grandes problemas sim, mas eles são muito ágeis e  ousados  nas soluções.

Nem vou falar do metrô de São Paulo que, mesmo insuficiente para a cidade, é dos melhores do mundo, e todo interligado.  Mas metrô depende do governo federal,  demora anos ou décadas e caro, é mega-caro. Mas:

São Paulo tem muitíssimas ciclovias.

Tem trens (ou metrô de superfície).

Tem biclicletários gigantes nas estações de trem e metrô.

Pasmem: tem vagões exclusivos para entrar com biclicleta.

Vamos passar para outro capítulo: ônibus. A capital paulistana tem muitos corredores de ônibus. Mas é lógico que são muuuito diferentes dos nossos, que são lentos, precários, toscos, horrorosos, vergonhosos, degradantes das avenidas que ocupam.

Lá os corredores já foram assim. Mas nos últimos anos decidiu-se que corredores tem que embelezar a cidade. Então demoliram os paredões de concreto (aquelas divisórias toscas – e perigosas – que há nos corredores das deprimentes avenidas Protásio, Assis Brasil, Farrapos, Bento…

São Paulo :

SãoPaulo

 
 
 
Porto Alegre:
Que lindo corredor  ! ! !

PORTO ALEGRE

No lugar desses muros, há células que fotografam (e multam) os carros que entrarem na faixa exclusiva. E os motoristas obedecem.

Os abrigos das paradas, lógico, são limpos, não são pixados, colados, avacalhados – e  são bonitos, estilosos, estilo leve.

As avenidas ficaram limpas, clean, leves, bonitas.

Mas agora vem o principal: um exemplo de eficiência, organização e respeito aos cidadãos, as paradas dos corredores tem um painel eletrônico dizendo que ônibus passam ali, e quantos minutos levarão pra chegar à parada !   Por exemplo: linha Vila Leão/Sarandi passará às 9:18. 

E, mesmo assim, em São Paulo as paradas também tem bancos.

Outra solução interessante e barata é o Fura-Fila: ônibus que correm por uma via exclusiva – e elevada.  Havia um projeto de metrô, que não saia nunca, então, por um custo vinte vezes menor, fez-se um corredor de ônibus elevado, com poucas paradas, onde ele corre mesmo, de modo que se anda uma distância enorme de maneira rapidíssima.  Há a questão da possível degradação do entorno. Mas hoje já há experiências no mundo em que elevadas podem ter jardins e um bom tratamento urbanístico, a ponto de se tornarem atrações, como em Miami, que há elevadas de trem dentro da cidade e são modernas e bonitas. No caso de SP, aproveitou-se o fato de essa elevada passar por cima de uma zona industrial, de fábricas e galpões – ou seja, não houve prejuízo estético, e fizeram um transporte público mega rápido, que eliminou a existência de centenas de ônibus – ou carros particulares – nas ruas.

Fugindo do assunto, houve um caso de um monumento da cidade ter sido adotado por um grupo francês, que iluminou, lhe deu um belo upgrade e fará toda a manutenção daqui para a frente. Lembrei do caso do Laçador, que a gauchada quase fez uma guerra porque um grupo, também francês, quis adotar, mas grupos e entidades daqui quase fizeram uma guerra pelo fato de o grupo ser francês. Um paulistano, ao saber do fato, comentou: “Se fosse aqui, os paulistanos iriam fazer de tudo pra atrair esse investimento!!! O monumento está lá, ficou muito mais bonito, e não deixou de pertecer à SãoPaulo!!! “

RicardoH



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14 respostas

  1. Concordo que Porto Alegre está atrasada e o sistema de transporte saturado, mas de adianta investir em mobiliário urbano “moderno” se a população é atrasada? Não demoraria muito a estar tudo caindo aos pedaços. Olhem os elevadores que colocaram na Pratásio x Carlos Gomes e na Benjamin Constant…vivem sucateados por causa de vândalos, fazem até fogueira dentro deles.

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  2. Minha tese é que temos de parar de erguer “brizoletas”.

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  3. Inclusive tem um ex-secretário “de tranportes” de Porto Alegre, um especialista, que falava abertamente que a solução para o transporte e a circulação no Brasil era investir, nas próximas décadas, mais de 200 bilhões de reais para asfaltar e duplicar a maior parte das estradas e ruas do país, já que o Brasil tem umas da menores taxas de asfalto do planeta.

    Que belo estudioso que ele era. Era tão especializado que não conseguia ver o todo, nem da sua área.

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  4. Engraçado que os especialistas em transporte que temos por aqui são só especialistas em transporte rodoviário, pois só indicam como circulação nas cidades e entre cidades, cada vez mais vias para os carros da classe média e ônibus para os trabalhadores… nada mais.

    São estudiosos do monotransporte.

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