Famílias da Vila Dique deixam o local até outubro

Demhab garante remoção de mais de 200 moradias para viabilizar ampliação da pista do aeroporto

Muro separa área da Infraero da ocupação ilegal; terreno será utilizado para ampliar pista do Salgado Filho. Foto: Fredy Vieira - JC

A direção do Departamento Municipal de Habitação (Demhab) de Porto Alegre garantiu ontem que completará até final de outubro a retirada das 213 famílias e mais seis pontos comerciais localizados na área invadida na cabeceira da pista do Aeroporto Internacional Salgado Filho. A região precisará ser liberada para dar espaço às primeiras obras de ampliação do traçado, que passará de 2.280 metros para 3.190 metros de extensão, projeto estratégico para melhorar a capacidade de operação do complexo aeroportuário de olho principalmente na Copa do Mundo de 2014. A superintendência do aeroporto aguarda o cumprimento da remoção. O Exército executará a ampliação, conforme publicou ontem o Jornal do Comércio. O Salgado Filho também reativará até dezembro os voos regulares no antigo terminal, dez anos depois da inauguração da nova estrutura. A capacidade de pousos e decolagens simultâneas aumentará 30%.

O diretor-adjunto do Demhab, Jorge Dusso, informou que apenas 204 das cerca de 1,3 mil moradias da Vila Dique já foram removidas para o conjunto habitacional em construção no Porto Seco, zona Norte da Capital. Das 213 previstas para a próxima leva, 112 serão transferidas até o final deste mês e outras 88 nos últimos dias do próximo mês. Segundo Dusso, faltarão ainda mais 13 grupos que têm entre seus integrantes portadores de necessidades especiais e cujas residências, adaptadas às limitações físicas, não ficarão prontas dentro do cronograma ajustado com a direção do aeroporto. Para estes casos, o Demhab pretende repassar o chamado aluguel social, no valor de R$ 400,00 mensais, a ser usado para locação provisória de moradias.

“Vamos concluir a transferência até final de outubro, deixando a área liberada para a Infraero fazer a obra”, prometeu o diretor-adjunto. O cronograma mesmo assim mantém um atraso. Até as chuvas recentes teriam provocado adiamento na liberação das moradias. “Falei com o superintendente do aeroporto, Jorge Herdina, na semana passada e garanti que concluiremos a remoção prevista”, reforçou Dusso.

A execução da ampliação está sendo negociada entre Exército e Infraero, estatal que administra os terminais no País. Herdina explicou que a solução assegurará menos custos e conclusão até 2012, um ano antes da Copa das Confederações e que dará tempo para homologação de novos equipamentos para pouso.

Desocupação deve terminar no final de 2011
O diretor-adjunto do Demhab, Jorge Dusso, projeta que a meta, a partir de novembro, é retirar de 80 a 100 famílias por mês, concluindo a desocupação da Vila Dique até final de 2011. Todos serão instalados no mesmo conjunto. Depois disso ainda faltará transferir 1.450 famílias da Vila Nazaré, na mesma área e também instalada sobre terreno do aeroporto. A expectativa da prefeitura é assentar 366 unidades no bairro Rubem Berta e as mais de 900 restantes em área ainda em aquisição, também na zona Norte.

A remoção da Vila Dique virou pesadelo nos últimos meses devido a dificuldades de a empreiteira que venceu a licitação cumprir prazos. Dusso explica que o orçamento licitado de R$ 32 milhões teria ficado desatualizado ante custos crescentes da construção, inflados pelo boom do setor, que gerou encarecimento da mão de obra e de materiais.

Para dar conta dos valores, seria necessária suplementação de R$ 10 milhões. O contrato foi assinado em janeiro de 2009, para entrega neste mês. Agora o prazo será final de 2011. Uma empreiteira de Brasília faz a obra no Porto Seco. O Demhab negocia com a Procuradoria Jurídica do município, Tribunal de Contas do Estado e Caixa Econômica Federal, que repassa verbas, o aumento do valor. “Não é pouco. Mas não há risco de a construção não ser concluída”, assegurou o diretor-adjunto. O conjunto habitacional tem previsão de quase 1,5 mil moradias.

Jornal do Comércio – Patrícia Comunello



Categorias:aeroportos brasileiros, COPA 2014

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2 respostas

  1. O que os orgãos estão fazendo por estas familias,para a ampliação do nosso aeroporto,é muito importante,e otímo para todos que moram nessa envasão.eu sou moradora da vila dique,e vejo que as familias daqui não tem nenhuma condição de moradia,vivem em barracos no meio do lixo,em constante perigo,sem saneamento basico,sem estrutura,sem boeiros,sem iluminação,e com ligações elétricas perigosissimas já ouve muitas mortes por lectosprose,e atropelamentos principalmente de crianças,porque elas não tem uma praça onde possam brincar. sem falar nos incendios. por isso eu apoio e torço para que a conclusão da remoção de todas as familias seja breve e com susesso,todos merecemos uma vida digna,uma casa propria e segura!!!!!!

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  2. Mas nãããão, ali é onde eles vivem, é onde eles tem o sustento deles, vão remover essas pessoas para um lugar longe, onde não vão conseguir catar o lixo para o bem da população, para limpar as ruuuas de Porto Alegre.
    Eu voto de dar um ap para eles no moinhos de vento…
    Imagina só, eles fazem um bem, limpam a cidade, andam de carroças, que não poluem como carro e onibus, não pode isso.

    Não duvido de ler um comentario tipo esse…

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