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O desespero da travessia do Guaíba

20/09/2010

Uma nova ponte sobre o Guaíba talvez seja a principal reivindicação rodoviária da Zona Sul do Estado.

Até uma entidade foi fundada com o objetivo de lutar pela construção de uma segunda travessia, semelhante à atual, com duas vias. A rigor, seria uma terceira ponte, mas como a existente é considerada apenas um complexo, fiquemos com o anseio já batizado de segunda ponte. Luiz Domingues é o vice-presidente e líder do Movimento Ponte do Guaíba, além de ser o representante da Sociedade Civil Organizada da Metade Sul do RS e são dele os dados impressionantes que envolvem a movimentação de veículos sobre a travessia. Pela ponte atual, passam 40 mil veículos por dia e uma pane no vão móvel obrigaria o motorista, que está em Guaíba ou em Eldorado do Sul e faz um trajeto de 14 quilômetros para chegar a Porto Alegre, a percorrer 384 quilômetros para o mesmo destino, a saber: Eldorado do Sul-Guaíba em direção a Arroio dos Ratos, Butiá, Minas do Leão, Pantano Grande, Rio Pardo, Santa Cruz do Sul, Tabaí, Canoas e, finalmente, Porto Alegre. Além do custo rodoviário em combustível, se o vão móvel sofrer uma pane grave, algo em torno de cinco dias, a Braskem, por exemplo, teria um prejuízo de R$ 1,7 bilhão. Uma pane maior, de 15 dias, deixaria a região Metropolitana sem o gás de cozinha e, se a situação for superior a 25 dias, todo o Estado ficaria sem o GLP. A Braskem tem contrato para exportar, até o fim do ano, 85% da produção de plástico verde para os mercados europeu e asiático, sendo que, nos próximos três anos, há contratos para uma exportação acima de 600 mil toneladas/ano. Luiz Domingues informou ao colunista que a diretoria de Logística da Braskem vai transportar essa produção por via rodoviária até Rio Grande, e ele pergunta quantos caminhões serão colocados nas BR 116 e BR 290? Como não haverá matéria-prima suficiente para a produção do plástico verde, esta virá de fora do Estado, transportada por navios, o que aumentará a solicitação de içamentos do vão móvel da ponte. A construção de uma segunda ponte precisa estar dentro das prioridades inarredáveis dos próximos governos – estadual e federal. E ponto final.

Mais caminhões

O município de Guaíba tem sete empresas instalando-se em seu distrito industrial e a matéria-prima para essas novas indústrias terá que ser transportada por via rodoviária, assim como a distribuição do produto final. Isso significa que mais caminhões estarão congestionando nossas rodovias.

Copa do Mundo

Porto Alegre será uma das sedes dos jogos eliminatórios da Copa de 2014 e, certamente, entre os clubes que estarão na Capital gaúcha, teremos Uruguai ou Argentina. Será que dá para imaginar uma pane no vão da ponte atual e milhares de torcedores do Prata trancados na parte Sul, com ingressos comprados e impedidos de ver as suas seleções? Melhor nem imaginar.

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A ponte (1)

Ela foi batizada de Travessia Regis Bittencourt, uma homenagem ao primeiro diretor do Daer, e inaugurada em 1958. Em 1962, o então governador Leonel Brizola resolveu rebatizá-la de Travessia Getúlio Vargas, com placa de bronze num dos pilares da ponte, mas nunca reconhecida pelo governo da União por ser uma obra federal e, nem mesmo, pelo povo que a conhece como Ponte do Guaíba. A obra completa tem pontes sobre o Canal Furado Grande, Saco da Alemoa e rio Jacuí.

A ponte (2)

A obra, projetada na Alemanha, teve uma maquete montada na França com um modelo do Delta do Jacuí, num pavilhão de 30 m x 40 m, onde foi reproduzida até a enchente de 1941 e os possíveis efeitos de uma nova cheia à ponte, à cidade de Porto Alegre e a regiões das ilhas. O projeto previa que a obra, em 35 anos, deveria ser duplicada e o governo federal liberou os recursos para a sua construção, determinando que a administração ficasse com o Daer. A obra foi entregue à construtora Azevedo, Bastian e Castilhos, que empregou 3,5 mil trabalhadores.

A ponte (3)

O vão móvel da ponte eleva um trecho de 58 metros de extensão, pesando 400 toneladas a uma altura de 24 metros. No livro editado em comemoração aos 50 anos de sua inauguração (em 2008), patrocinado pela Concepa, atual administradora do complexo, um dado mostra que o vão é içado, em média, 43 vezes por mês. Um cálculo do tempo de paralisação da rodovia, somando-se os minutos entre 2002 e 2007, totaliza 40 dias de isolamento da Metade Sul com Porto Alegre. A operação de içar o vão começa quando um navio de grande porte está a 1 quilômetro de distância. A ponte já teve três panes por problemas mecânicos. Numa delas, uma mulher entrou em trabalho de parto, sendo removida num helicóptero da PRF.

Rogério Mendelski

http://www.correiodopovo.com.br/Impr…Noticia=198217

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