Debatida a forma de qualificar orla

O Seminário Internacional Porto Alegre de Frente para o Guaíba, encerrado ontem na Capital, debateu as formas de qualificar um dos maiores patrimônios da cidade: os mais de 70 quilômetros da orla.

Segundo o secretário municipal do Planejamento, Márcio Bins Ely, o objetivo do seminário era a interlocução com a sociedade. “Saímos fortalecidos, com propostas definidas em fundamentos técnicos.” A discussão envolveu os pontos de vista econômico, ambiental, turístico e abordou o exemplo da cidade de Rosário (Argentina), onde a orla foi revitalizada. Outra proposta apresentada foi a urbanização da área do Lago Paranoá, em Brasília. A apresentação dos estudos desenvolvidos para a orla do Guaíba foi feita pelo arquiteto Marcelo Allet, coordenador do Grupo de Trabalho Orla, da Secretaria do Planejamento.

Para o coordenador do projeto Viva o Centro, Glênio Bohrer, a mudança irá mexer com a imagem de Porto Alegre. “Poderia dar à nossa cidade um ícone que pudesse distinguir seus valores.”

Correio do Povo
http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/Default.aspx?Ano=116&Numero=15&Caderno=0&Noticia=209235

 

Matéria do site da Prefeitura:

Seminário debate propostas para orlas urbanas

Seminário discute na Pucrs experiências de várias cidades

Duas propostas para a qualificação de orlas urbanas, uma junto ao Lago Paranoá, em Brasília e outra para o Lago Guaíba, foram apresentadas, hoje, 14, no Seminário Internacional Porto Alegre de frente para o Guaíba, em andamento na Pucrs. O encontro é promovido pela prefeitura, por meio da Secretaria do Planejamento Municipal (SPM), e objetiva proporcionar uma troca de experiências sobre o tema. O seminário iniciou no dia 13 e será encerrado na tarde desta quinta-feira, 14, quando haverá uma apresentação sobre a qualificação da orla da cidade de Rosário, na Argentina.
 
As palestras da parte da manhã revelaram um ponto em comum entre as propostas desenvolvidas em Brasília e em elaboração para Porto Alegre: a necessidade do governo desenvolver e coordenar um plano de ocupação para a região de orla, sob pena das áreas ficarem degradadas ou assumindo usos que não são os desejáveis para uma região de orla.

Lago Paranoá – A apresentação sobre a proposta de urbanização da área do Lago Paranoá ficou a cargo do professor Paulo Renato Silveira Bicca, da Pucrs, que participou da elaboração do projeto de desenvolvimento turístico de Brasília, com um projeto para a orla. Também coube a ele, na condição de secretário de Urbanismo da Capital Federal, na década de 90, dar início à implementação do Projeto Orla.
 
O projeto de urbanização e de ocupação da orla e de áreas próximas ao lago Paranoá havia sido escolhido por meio de um concurso e é de autoria do arquiteto Lúcio Costa. A concepção do projeto, entretanto, não seguiu em frente, sendo resgatada alguns anos mais tarde. Um dos problemas identificados na forma de ocupação das margens do lago – segundo Bicca – é que vários pontos acabaram sendo privatizados e havia várias áreas ainda por urbanizar. Alguns terrenos de posse da iniciativa privada estavam sem uso, apenas para especulação imobiliária. Isso estava descaracterizando a proposta de Lúcio Costa.
 
O Projeto Orla partiu do pressuposto de que sua implantação dependeria de uma parceria entre os setores público e privado tendo em vista o tipo de empreendimentos que propunham. Optou por uma parceria (concessão do direito real de uso por 25 ou 30 anos) dando um prazo de cinco anos para implantação. A área junto ao lago foi dividida em 11 pólos. O governo licitou cada pólo e os parceiros deveriam apresentar a melhor proposta técnica. Nem todas as propostas do Projeto Orla atraíram a atenção da iniciativa privada.
 
De acordo com o palestrante, hoje a ocupação mostra que o projeto – embora não tenha sido implantado totalmente da forma como foi concebido – “pelo menos impediu que ocupações mais danosas continuassem a ocorrer”.
 
Porto Alegre – A apresentação sobre os estudos desenvolvidos para a orla do Guaíba, em Porto Alegre, foi do arquiteto Marcelo Allet, coordenador do Grupo de Trabalho Orla, da SPM. Segundo ele, a qualificação da orla deverá ser um legado da Copa 2014. O palestrante abordou a questão da cidade estar de costas para o Guaíba apontando como causas históricas a construção do porto, os aterros na margem sul (Praia de Belas) que afastou as águas do limite original da cidade; fatores de ordem natural, como a enchente de 1941 que foi um trauma social, e fatores econômicos que priorizaram o transporte rodoviário.  Outro fator físico foi o sistema de proteção contra enchentes que criou um cinturão físico, onde o muro da Mauá é apenas um dos elementos.
 
Com o tempo – destacou Allet – o Guaíba foi sendo ignorado com o uso sendo voltado para o interior do território. No final de década de 90, com a restauração da Usina do Gasômetro, começou a reversão desse processo.
 
Planejamento – O Grupo de Trabalho (GT) Orla foi criado para atender o desejo da população registrado no Plano Diretor de 2000. Um estudo dividiu a orla em 19 setores – 72 quilômetros – identificando áreas que são diferentes entre si e definindo as diretrizes gerais.
A seguir, foi feito um plano básico de intervenções para três grandes setores de orla: a Sul mais voltada para o lazer, a Orla Central que fica em frente à cidade consolidada e deve ser mais voltada para o convívio social, sem descuidar da preservação ambiental. Já a Orla Norte faz a conexão regional em uma área que teve uso industrial e precisa regeneração ambiental.
Tendo como foco a Copa de 2014, foi elaborado um plano básico que é detalhado com a Secretaria Extraordinária da Copa de 2014 (Secopa), destacando as obras mais estratégicas. A proposta cria eixos de conexão e propõe equipamentos de animação para a composição da paisagem. A idéia é democratizar o espaço e implantar elementos que componham a paisagem com uma arquitetura de qualidade.



Categorias:ORLA

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