Polo naval de Rio Grande produzirá plataformas em série, anuncia Gabrielli

Ricardo Stuckert/Presidencia/JC

O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva esteve nesta quinta-feira (21) na cidade gaúcha de Rio Grande para participar da inaguração do dique seco do Polo Naval de Rio Grande. Lula veio ao estado acompanhado do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. Segundo Gabrielli, o Brasil se tornará pioneiro no desenvolvimento de plataformas “inéditas”.

Com a inauguração do polo, a indústria naval brasileira iniciará a produção de oito plataformas em série, padronizadas. “Quase todas as plataformas em produção do mundo são feitas a partir da reforma de navios. Nós faremos diferente, vamos mostrar que podemos fazer mais e melhor”, afirmou o executivo durante a cerimônia de inauguração.

Em seu discurso, Lula destacou a revitalização da indústria naval. “Nós não tínhamos mais engenharia naval e ferroviária neste país. Estávamos predestinados a importar produtos que  já havíamos produzido  no passado”, afirmou. Para Lula, o Polo é um exemplo da retomada do desenvolvimento da indústria no país. “Havia quem dissesse que eu estava mentindo, blefando, quando eu falei que era possível fazer as plataformas e sondas da Petrobras aqui no Brasil, que tínhamos que comprar de Singapura por que estávamos predestinados a sermos incompetentes”, afirmou.

O projeto inicial em Rio Grande será a P-55, que, segundo Gabrielli, será a “primeira unidade construída no pré-sal brasileiro”. As obras da plataforma foram iniciadas em terra e serão concluídas no dique seco, considerado o maior do hemisfério.

Além de receber o primeiro dique seco brasileiro capaz de produzir plataformas em série, com 350 metros de comprimento e 130 metros de largura, o complexo gaúcho ainda recebe bilhões de reais de investimentos privados associados ao projeto, segundo Gabrielli. “Já temos estaleiros funcionando aqui e empresas se instalando para construir as peças que necessitamos (para outros projetos)”.

O executivo também destacou que as plataformas construídas na região representarão a integração do País. Isso porque a cobertura da primeira plataforma, cuja montagem já está em andamento em Rio Grande, será integrada ao casco inferior, que está sendo construído em Pernambuco. A Petrobras tem o direito de uso exclusivo do polo por dez anos, por meio de contrato de locação.

As obras do polo naval foram iniciadas em agosto de 2006 e preveem a construção de oito cascos para plataformas do tipo FPSO (navio-plataforma), a partir do primeiro semestre de 2011. O local tem uma área de 430 mil metros quadrado para construção e reparos de unidades marítimas para a indústria do petróleo, tais como plataformas flutuantes de perfuração, produção e de apoio. Segundo a Petrobras, o dique seco construído pela WTorre permite a construção simultânea de dois navios petroleiros ou duas plataformas. Com isso, há a expectativa de aumento da produtividade e redução dos custos das unidades.

Ainda durante a cerimônia, o ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, lembrou que o desenvolvimento da área naval de Rio Grande não consiste apenas na inauguração do dique seco. A obra de dragagem do Porto de Rio Grande, concluída em agosto passado, ampliou a profundidade do canal externo (fora dos molhes da barra) de 14 metros para 18 metros. Já a profundidade do canal interno (entre os molhes da barra e píer petroleiro) passou de 14 metros para 16 metros. “Com isso podemos dobrar a capacidade do porto, para até 35 mil toneladas (anuais)”, afirmou Brito.

Os investimentos no local somaram aproximadamente R$ 800 milhões. Outro aporte, de R$ 125 milhões, está previsto na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), informou Brito. O montante será destinado à construção de um novo berço e de uma nova etapa de dragagem. “Antes o porto poderia receber navios com capacidade máxima de 70 mil toneladas, mas agora já podemos receber navios maiores, com capacidade de até 200 mil toneladas”, disse, explicando a importância da obra concluída em agosto. Com informações da Agência Estado e Agência Brasil.

Parte da capa do JC de hoje

Jornal do Comércio – http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=44164&codp=21&codni=3

 

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Categorias:Polo Naval de Rio Grande

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