Permissionários do Viaduto Otávio Rocha pedem o registro de patrimônio imaterial

Permissionários que atuam no Viaduto Otávio Rocha pedem o registro de patrimônio imaterial do local para preservar a identidade da construção e garantir a permanência de comerciantes e antigos profissionais.

Revitalização de R$ 10 milhões

A revitalização do viaduto está orçada em R$ 10 milhões, investimento inviável para a prefeitura. Por isso, está em análise a concessão de Parceria Público-Privada (PPP). “São várias possibilidades que podem ser adotadas. Só não pode ocorrer é de um permissionário ter direito de propriedade sobre um bem público”, observa o secretário de Indústria e Comércio, Valter Nagelstein.

Viaduto detém profissões raras

Permissionários têm muitas histórias para contar e pedem o registro de patrimônio imaterial do Otávio Rocha, no Centro

Inaugurado em 1932, o viaduto teve cedidos os espaços localizados na parte inferior, em 1972, aos comerciantes Foto: Tarsila Pereira

Mais do que uma obra arquitetônica de características únicas, o Viaduto Otávio Rocha, no Centro de Porto Alegre, guarda dentro de suas salas valores difíceis de serem contabilizados. Profissões quase em extinção e comerciantes com muita história para contar estão incorporados à paisagem de um dos principais monumentos da Capital. Para que isso seja preservado, os permissionários pedem o registro de patrimônio imaterial do viaduto.

A medida é para preservar a identidade cultural do prédio e garantir a permanência dos comerciantes. Eles temem perder seu espaço devido à intenção da Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic) de administrar o local por Parceria Público-Privada (PPP) ou concessão.

Um documento foi entregue à Comissão de Educação, Cultura, Esportes e Juventude da Câmara de Vereadores, propondo estudo e levantamento da identidade sociocultural e econômica da obra de arte, visando ao futuro registro do patrimônio.

O que pesa contra os permissionários é o alto índice de inadimplência. Segundo a Smic, apenas sete dos 24 comerciantes estão em dia com o aluguel. A dívida é superior a R$ 200 mil.

Segundo o presidente da Associação Representativa e Cultural dos Comerciantes do Viaduto Otávio Rocha (Arccov), Adacir Flores, os comerciantes querem pagar, mas com renegociação em conjunto. De acordo com ele, a falta de pagamento seria consequência do estado em que se encontra o viaduto. Com a depredação do local, o faturamento dos comerciantes diminuiu.

Em Porto Alegre, são considerados patrimônios imateriais a Feira do Livro e a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes. A lei municipal que prevê o registro foi aprovada em 2004. Para o coordenador de Memória Cultural da Secretaria Municipal de Cultura, Luiz Antônio Custódio, o pedido está em estudo junto com outros, mas para o caso do viaduto há outras ferramentas de preservação. “Seria mais cabível transformá-lo em um memorial do que em uma classificação como patrimônio imaterial.”

Relojoeiro teme perder seu espaço

Relojoeiro há 51 anos, José Ademar Fernandes está desde 1972 em uma das salas do Viaduto Otávio Rocha. O trabalho ao lado de um sócio, que é ourives, rendeu a ele uma clientela fixa. “Eles são muito honestos”, confirma o professor Laerte Camargo, freguês da relojoaria há 25 anos.

O receio de Fernandes é que, com a intenção da Smic em mudar o perfil do viaduto, o pequeno estabelecimento perca seu espaço. “O que eu pergunto é que tipo de estabelecimento eles querem colocar. Até poderíamos nos adequar a algumas exigências”, explica. Dessa forma, faria sua parte para manter vivo um ofício que, segundo ele, está morrendo aos poucos, mas continua necessário. “Mesmo com um relógio novo, um dia será necessário trocar pilha ou pulseira”, comenta.

Plínio Silveira, que trabalha com revelação de fotografias, está desde 1979 na mesma sala do viaduto. “Naquela época valia a pena. Não dava nem para caminhar de tanto movimento”, recorda. Com o surgimento da fotografia digital, o negócio perdeu mercado. Impedido pela prefeitura de instalar um ar-condicionado no bem tombado pelo Patrimônio – as novas máquinas de revelação exigem temperaturas menores -, Silveira continuou restrito às fotografias de filme. A clientela é pequena, formada principalmente por pessoas de baixa renda. Embora sinta-se como um patrimônio por estar há mais de 30 anos no viaduto, o lojista pensa em abandonar o ponto no próximo ano. “Tem certas coisas que não dão para ficar no passado.”
 

Correio do Povo

 

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Categorias:Revitalização do centro

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4 respostas

  1. Porto Alegre é TRIste. É completamente válido incentivar atividades diferentes ou pequenos comerciantes, mas isso não deve acontecer nesse viaduto importantíssimo, belo, único, e com potencial de ser uma grande atração e cartão postal da cidade!!!
    O mix que esse lugar privilegiado deve servir de apoio para que as pessoas frequentem o local. Bons cafés, por exemplo, tanto de dia como a noite.

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  2. Bah, ae vai ter um monte de bebados mijando por tudo.
    ashuahuashusahuas

    Acho que la seria legal algo com cafés, uma coisa mais nesse estilo..

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  3. Esses dias eu passei na região de noite, e me ocorreu uma coisa: não seria interessante tornar aquele lugar numa espécie de Rua 24 horas? Coloque-se meia dúzia de barzinhos para os jovens, farmácia, outras utilidades, junte-se uma iluminação bem-desenhada e teremos aí um lugar bonito e seguro à noite.

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  4. Se não pagam o aluguel, que vazem de la.

    Ve se pode, vou criar uma organização em proteção dos pobres coitados da zona norte, ae não vou mais pagar minhas contas por que faço parte da historia da zona.
    ¬¬

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