Aeromóvel gaúcho começará a funcionar em junho do ano que vem, daqui há 8 meses

Até junho do ano que vem,  estará em operação o trecho de quase um quilômetro do Aeromóvel. Ele ligará o aeroporto Salgado Filho à estação Trensurb. A obra inscreve-se no leque de empreendimentos para a Copa 2014.

Dois vagões, um de 130 e outro de 180 lugares, farão o trajeto. O empreendimento é federal e  custará R$ 30 milhões.

Veja abaixo a matéria do site DE OLHO EM 2014, para saber tudo sobre este veículo de massa concebido no RS pelo engenheiro Oskar Coester:

Aeromóvel deve virar realidade no transporte para o Mundial de 2014 em Porto Alegre

Em 2014, quando desembarcarem na capital gaúcha, visitantes do mundo todo vão conhecer um meio de transporte futurista. Mas engana-se quem pensa que a tecnologia é nova. Ligando o aeroporto ao terminal de trens urbanos mais próximo, o aeromóvel foi criado em 1978 anos pelo pelotense Oskar Coester, que só viu o veículo transportar passageiros comercialmente na Indonésia – em Porto Alegre, apesar de ter sido cogitado como alternativa para diminuir o trânsito de ônibus no centro da cidade, o vagão movido a ar vem servindo para ensaios científicos.

Especialmente para o blog, o empresário que desmontava motores na infância, especializou-se em automação aeronáutica e trabalhou para a Varig em seus áureos tempos, conta porque o aeromóvel demorou a se tornar realidade no país, diz que não tem ressentimentos e comemora o fato de ver, enfim, sua criação servindo à sociedade.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista que Coester concedeu ao “De Olho em 2014”:

A gente não inventa, descobre o que já existia 

“Entrei na Varig na era do jato. Convivi com [seu fundador] Rubem Berta, que dizia: ‘Não adianta voar mais rápido se não chegarmos ao aeroporto´. Foi aí que comecei a estudar a me fazer perguntas. A tecnologia e os materiais do aeromóvel são conhecidos, mas o movimento se dá de maneira diferente. Costumo dizer que a gente não inventa, descobre o que já existia.”

Vagão à vela

“Um carro pesa, em média, uma tonelada e transporta 1,2 passageiro. É menos de 10% de carga útil. Do ponto de vista ecológico, é inaceitável. A via elevada não enfrenta obstáculos e tem baixo custo. Mas tinha o problema da fumaça. Então comecei a pensar no se movimentar sem tracionar. Lembrei do barco a vela e do vagonete que existe nos molhes de Rio Grande. Usando minha formação em aerodinâmica e eletrônica, decidi gerar o vento com um ventilador”

Nos anos de 80, o ovo de Colombo

“Em 1977, montei um protótipo do aeromóvel com uma cadeirinha para um passageiro, numa pista de 30 metros. Aquilo apareceu no jornal como “o ovo de Colombo”. Fiquei perturbado. Depois em acostumei. Levamos o aeromóvel para a feira de Hannover, na Alemanha, onde transportamos 18 mil passageiros em nove dias”.

Aeromóvel para substituir os ônibus

“Em 1982, começamos a construir o aeromóvel na avenida Loureiro da Silva. Terminei a linha com dinheiro do meu bolso.  A idéia da Metroplan (órgão de gestão urbana e regional do estado do Rio Grande do Sul) era tirar os ônibus do centro. Aquele trecho significava 1/3 deste anel. Mas a linha piloto nunca parou. Até hoje, é usada para ensaios dos trabalhos de engenharia”

Economizando energia

“Calculei o gasto energético do aeromóvel em 40 watts por passageiro/km. Segundo o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo), o ônibus gasta 64 watts e o aeromóvel, 32 watts. É até menos do que eu tinha estimado.”

Inovação provoca reação

“Toda inovação provoca reação nas pessoas. Muitos achavam que o veículo poderia abalroar, mas o aeromóvel pesa 10 toneladas, enquanto um vagão de trem pesa entre 60 e 70 toneladas.”

Conversa com o Ministro

“Em 2007, vi que usar o aeromóvel no corredor de ônibus era desafiar o poder. Fui, então, conversar com o Ministro de Ciências e Tecnologia, com a idéia de usar o aeromóvel em aeroportos”.

Olhos marejados

“Antes de ficar ressentido pelo que aconteceu, agradeço aos que me ajudaram. Na década de 80, todo mundo estava metendo o pau, eu estava fazendo testes com o aeromóvel e apareceu um cidadão, que ficou olhando. Ele perguntou se eu estava enfrentando dificuldades financeiras com o projeto. E me disse: ‘o senhor sabe… eu tenho uma poupança’. Até hoje me emociono com isso”

Sucesso na Indonésia

“Em Jacarta, na Indonésia, o aeromóvel funciona há 21 anos, com as mesma rodas que parafusamos aqui.” 

Tecnologia para todos

“O projeto precisa servir à sociedade como um todo. Enquanto não me convencerem de que estou errado, não vou desistir”


Trajeto no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre – Créditos: Divulgação Grupo MTCom //

2014 é oportunidade

“Esta oportunidade [o Mundial de 2014] é muito boa. E o melhor é que é aqui no Brasil. Quando inauguramos o aeromóvel na Indonésia, o presidente da República estava lá. Daqui a pouco, teremos o nosso presidente inaugurando o aeromóvel aqui.”

Fonte: Políbio Braga e De Olho em 2014

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Categorias:Aeromóvel, aeroportos brasileiros

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18 respostas

  1. Apenas para lembrar………, todo o projeto nasce apartir de um ponto, como no Brasil tudo que vem de fora é lindo e maravilhoso e nada daquilo que é criado aqui tem valor são normais comentarios como o da Sonia, que misturou a indole da pessoa que financiou o projeto na Indonesia (ditador, assassino e bla bla bla) com o projeto……..mais ou menos uma cebola numa salada de frutas, alem de outras colocações pejorativas que sequer merecem menção.
    Bom, tenho conhecimento do projeto, posso assegurar que só não deu certo ainda por pressão de montadoras de onibus e similares, os trilhos são feitos de concreto pré moldado oque faz com que um se encaixe no outro de forma simples, acelerando o trabalho de construção, alem disso, são elevados, possibilitando sua construção acima de ruas e avenidas e não contribuindo dessa forma com os engarrafamentos. E não polue pois são utilizados motores eletricos para gerar vento dentro dos trilhos e assim empurrar os vagões. Como os vagões não precisam contar cada um com um motor que os impulsione (os motores eletricos ficam no solo) seu peso é infinitamente menor do que o de outros trens elétricos.

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  2. Julião, falaste tudo!! Amém.

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  3. Caraguejos gaúchos… até quando viveremos num cesto?

    Por que isso?

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  4. “Para aqueles que se iludem com qualquer coisa que está escrita na internet ” —> isso só vale para os outros, certo “Sônia” ? Pois para você vale citar alguns sites estrangeiros como fonte definitiva de informação sobre o tópico.

    Se fosse uma dissertação de mestrado, com esse nível de revisão bibliográfica (profundidade de um PIRES), tu estarias, lamento informar, reprovada.

    A propósito: em inglês, é “similar to” e não “similar with”. Muito confiável o site mesmo, parabéns.

    Quanto ao Sr. Oskar Coester, com todo o respeito, a biografia de todos nós somadas não dá metade da dele. Vá estudar primeiro, por favor.

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  5. Apesar de já ter sido publicado neste blog, sempre é bom lembrar para os que defendem o ferrorama com unhas e dentes:
    Vamos iniciar conhecendo um pouco da Indonésia, terra de sucesso do aeromóvel:
    http://www.expat.or.id/info/traditionaltransport.html
    Vamos também conhecer os preços do transporte com o aeromóvel no mesmo local ( custa o dobro do que um trenzinho a vapor). É bom notar também, que o protótipo da Indonésia, só funciona aos sábados e domingos ( quando funciona).
    http://www.tamanmini.com/index.php?modul=fasilitas&cat=FTransportasi
    É bom conhecer também a origem do financiamento deste projeto, bancado pela família do ditador mais sangrento que se conheceu nesta região – O general Suharto.
    http://www.hamline.edu/apakabar/basisdata/1997/09/05/0017.html
    “This transportation system is similar with the elevated trains utilized in the Miniature Indonesia Park built in the early 1970s by Tutut’s mother,the late Mrs. Tien Suharto, with controversial “donations” from the private.sector and Indonesian taxpayers. “

    Para aqueles que se iludem com qualquer coisa que está escrita na internet lembro que o Sr. Oscar Koester não é engenheiro, e que se faz passar por, para dar credibilidade ao seu brinquedo preferido ( com a conivência de certos escribas ).

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  6. Eu me lembro que em 2001 se especulava sobre a utilização do terminal 2 do aeroporto como rodoviária, o que eu já achava pouco provável. Depois de servir como quebra-galho enquanto se amplia o terminal 1 eu não duvido que acabe sendo demolido para a construção de mais um edifício-garagem. Aí faria mais sentido a hipótese de se ampliar a linha do aeromóvel até a futura Arena do Grêmio possibilitando o uso de estacionamentos do aeroporto por torcedores, embora eu ainda ache que essa possibilidade acabe não sendo tão usada.

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  7. Não tem maionese alguma.

    Com o aeromóvel, os torcedores que fossem ao jogo do Grêmio na Arena poderiam usar os estacionamento do aeroporto (não só ao atual, mas os que forem construídos no futuro) e vice-versa. Claro que seria cobrado tarifa na integração com o Trensurb – não vejo problema nisso.

    Além disso fala-se numa mudança da Rodoviária Central de Porto Alegre para o bairro Humaitá no futuro e essa linha poderia ligar a nova rodoviária ao Trensurb (bem como a Arena e o aeroporto).

    De qualquer forma essa linha poderia beneficiar os moradores do bairro Humaitá e poderia ser o início de uma utilização mais relevante desse meio de transporte na cidade.

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