Internacional não pode contratar crédito direto com Banrisul

Diretorias dos clubes tiveram encontro com o futuro governador. Foto: Caco Argemi - JC

O Internacional não conseguirá contratar diretamente com o Banrisul o financiamento para garantir a execução das obras de reforma do estádio Beira-Rio, escolhido como sede dos jogos da Copa do Mundo de 2014 em Porto Alegre. O banco não realiza empréstimo para clubes de futebol devido aos riscos e liquidez limitada do patrimônio em caso de execução. Com isso, os colorados desenham plano para achar um contratante que se habilite junto ao Banrisul ou para selar a operação com outra instituição, seja brasileira ou estrangeira. O clube estima que precisará de um aporte de R$ 70 milhões, pois já teria em caixa entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões do orçamento de R$ 155 milhões da reforma.

A garantia bancária é exigência do Comitê Organizador Local (LOC), órgão oficial para os preparativos do Mundial no País. “Se a operação não é paga, para quem vendemos o Beira-Rio”, ouviram os dirigentes em encontro com o banco na semana passada. A ausência de histórico de empréstimos, o volume de recursos e as garantias impedem a operação. Especialistas do setor bancário reforçam as dificuldades. Ao buscar bancos, dirigentes costumam contratar recursos em seu nome e usando garantias reais do patrimônio pessoal. Pelo montante almejado, o Inter terá de ter solução com patrimônio 150% acima do valor e fluxo de caixa para
pagamento.

O presidente do Inter, Vitorio Piffero, já sabia da limitação e que em reunião na noite de terça os integrantes da diretoria desenharam alternativas. Do Banrisul, o presidente teve sugestão para criação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), com personalidade jurídica e que seria formada por cotas de capital de pessoas físicas, para alcançar requisitos da operação. Piffero descartou inicialmente a alternativa. Ele citou ainda que o LOC retirou o prazo de dezembro deste ano para o clube apresentar garantias. “O comitê tirou a urgência há duas semanas”, garantiu Piffero, o que abre espaço para definir o melhor caminho. O clube apostou em autofinanciamento, mas foi comunicado da exigência.

Ontem, diretorias colorada e gremista tiveram encontro com o futuro governador, Tarso Genro, na sede da transição, na zona sul da Capital. Tarso chamou a dupla para comunicar que a gestão da Copa será feita pela Secretaria dos Esportes, a ser criada. Piffero reforçou, no encontro, que aposta no apoio do futuro secretário ao Beira-Rio. Na saída, o dirigente frisou que a Federação Internacional de Futebol (Fifa) não troca estádio em cidade-sede, mas suprime estruturas. “Isso é determinante para que a sociedade gaúcha como um todo, se quiser a Copa aqui, apoie nosso projeto da forma mais expressiva possível”, resumiu.

Enquanto busca um plano B para atender o Banrisul ou financiamento com outras instituições financeiras (nacionais ou estrangeiras), o presidente do Inter decidiu colocar à venda, na próxima semana, 2 mil cadeiras vips, localizadas acima da arquibancada superior. A medida já tinha o aval do Conselho Deliberativo. Piffero projeta arrecadar R$ 80 milhões, com valor unitário de R$ 40 mil. As aquisições, com pagamento parcelado, transformam-se em recebíveis, títulos que viram moeda em uma negociação de empréstimo.

Jornal do Comércio
http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=46175

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Categorias:COPA 2014, Gigante para Sempre (Beira Rio), Grêmio e Inter

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1 resposta

  1. “Na saída, o dirigente frisou que a Federação Internacional de Futebol (Fifa) não troca estádio em cidade-sede, mas suprime estruturas. “Isso é determinante para que a sociedade gaúcha como um todo, se quiser a Copa aqui, apoie nosso projeto da forma mais expressiva possível”, resumiu.”

    E a troca do Morumbi pelo estádio do Corinthians, em São Paulo?

    Porto Alegre será uma das sedes da Copa de 2014, independente da conclusão das reformas do Beira-rio ou não, pois existe outra opção de estádio na cidade – a Arena do Grêmio.

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